Dicas gerais

Links de vídeos sobre Dislipidemia com Dra. Maristela Magnavita - cardiologista (CRM 9834)

Seu coração e uso de Anticoagulantes

20 de agosto de 2009

Anticoagulantes são drogas usadas com a finalidade de evitar a formação de trombos em seu coração, artérias ou veias. Elas são usadas em algumas patologias cardíacas para evitar que os trombos se instalem no seu coração, pulmões ou cérebro, causando isquemia e podendo levar ao óbito. Assim, o uso destes medicamentos se torna indispensável em alguns pacientes.

 

Entretanto, o uso de anticoagulantes está associado a um risco maior de sangramentos. Portanto, seu médico irá orientar uma posologia adequada para seu caso e acompanhá-lo periodicamente com exame laboratorial denominado RNI para avaliar se você está numa zona de tratamento (de anticoagulação efetiva) com menor risco de sangramento espontâneo.

 

O tempo de tratamento, o ajuste das doses e a freqüência da realização dos testes serão determinados pelo seu médico.

 

Em alguns casos, se o teste revelar um valor muito elevado de RNI, talvez seja necessário procurar uma emergência para uso de um antídoto para recuperar sua coagulação normal.

 

Alguns outros medicamentos podem diminuir ou aumentar a potência de seu esquema anticoagulante e ser necessário um novo ajuste. O mesmo acontece com alguns alimentos, tais como folhas verdes (espinafre, alface, agrião,etc). Converse com seu médico a respeito disto.

 

Informe a outros profissionais médicos ou dentistas a respeito do uso de anticoagulantes. Pode ser necessário conversar com seu médico antes de iniciar seu tratamento dentário. Não se submeta a nenhum procedimento cirúrgico sem antes informar seu médico.

 

Precauções

 

Se você seguir a orientação médica, normalmente não terá que se preocupar. Efeitos graves são raros. Alerte seu médico se:
• Tenha urina vermelha ou marrom escura
• Fezes com sangue ou marrom escura
• Aumento do fluxo menstrual
• Dor de cabeça ou abdominal importante
• Sangramento

 

Outras doenças podem reduzir sua tolerância ou aumentar seu risco em relação aos anticoagulantes. Assim, comunique ao seu médico se:
• Ficar grávida
• Sofra acidente ou tenha tido algum traumatismo, como contusões
• Tenha hematomas ou “bolhas de sangue”

 

Alerte seus familiares a respeito dessas informações e carregue na sua carteira um cartão identificando-o como usuário de anticoagulante.

Atividade Física - Caminhada

20 de agosto de 2009

Tente caminhar. Caminhar ajuda a diminuir seu risco cardíaco e derrame, dá mais energia e é agradável. É um exercício adequado para uma boa parte da população e não é necessário gastar para isso.

 

Benefícios da Caminhada

 

A caminhada pode ser um exercício aeróbico que condiciona seu coração e pulmões. Se feita diariamente, ajuda a diminuir seu risco cardíaco e derrame.

 

O sedentarismo é um dos fatores de risco importante para a doença cardíaca. Não se exercitar pode contribuir para aumentar os níveis de colesterol ruim, obesidade, elevar a pressão e contribuir para diabetes – todos também fatores de risco para doença cardíaca.

 

É melhor caminhar numa intensidade de moderada a intensa, pelo menos, 30 minutos na maior parte ou em todos os dias da semana. Ela tem benefícios a curto e longo prazo. Você pode começar com 10 minutos inicialmente e progredir até 30 minutos ou mais ao dia.

 

Para perder peso, você necessita queimar mais calorias do que as que você come. Nesse intuito, provavelmente para perda de peso, o período de caminhada pode variar de acordo com o peso, a dieta, etc.

 

A caminhada ajuda a:
• Parar de fumar
• Controlar a pressão arterial
• Aumentar o HDL (bom) colesterol
• Ajuda a prevenir e controlar o diabetes
• Dá mais energia
• Melhora a auto-estima e a auto-imagem
• Aumenta a resistência à fadiga
• Ajuda a relaxar e se sentir menos tenso(a)
• Melhora a qualidade do sono
• Ajuda a perder ou controlar o peso

 

Quando a caminhada precisa ser monitorada

 

É aconselhável, antes de iniciar a caminhada, procurar o médico quando:
• seu médico disse que você tem uma condição cardíaca e recomendou apenas atividade física supervisionada
• frequentemente tem dores ou pressão no tórax, pescoço, ombro ou braço durante ou após atividade física
• vem evoluindo com dores no peito no último mês
• tende a perder a consciência, cair ou ter tonturas
• sente dificuldade de respirar após mínimo esforço
• toma medicação para pressão alta ou doença cardíaca
• tem dores ósseas ou articulares que podem piorar com o programa de caminhada
• tem diabetes ou outra condição médica que precisa atenção especial no programa do exercício
• tem 40 anos ou mais e estava sedentário e planeja iniciar um programa de exercício vigoroso

 

Caso não tenha nenhuma das condições acima, inicie o seu programa de caminhada gradualmente, se iniciar algum dos sintomas acima, suspenda a atividade física e contate seu médico o quanto antes.

Para ter sucesso, algumas coisas são necessárias:
• Escolha um horário do dia para caminhar
• Encontre um local agradável e adequado para caminhar
• Escolha um parceiro que seja capaz de manter o mesmo horário e o mesmo ritmo
• Use roupas e tênis adequados de acordo com a temperatura, o local. O uso excessivo de roupas, levando à sudorese excessiva não ajuda a perder mais peso e nem aumenta o rendimento do exercício, só aumentando a chance de desidratação
• Quando quente, tome água durante e após a caminhada
• Alongue-se antes e após a caminhada
• Ajuste seu ritmo de acordo com o seu condicionamento – não se force a fazer mais do que está condicionado. Reduza o ritmo sempre que não possa falar facilmente num tom de conversa, demore mais que minutos para que seu pulso diminua após uma caminhada, tenha fraqueza prolongada, falta de ar após programa de caminhada.

Diabetes

20 de agosto de 2009

O que é diabetes?

 

A maioria dos alimentos que ingerimos se transforma em açúcar para que nosso organismo use como energia. Para que esse açúcar, a glicose, entre nas células e permita seu funcionamento normal, o pâncreas produz um hormônio chamado insulina. È essa insulina que transporta a glicose para dentro das células. Quando se tem diabetes, o organismo não consegue produzir insulina suficiente e/ou não consegue usá-la adequadamente para essa função. Assim, a glicose se acumula no sangue levando à hiperglicemia.

 

O diabetes tipo 1 está relacionado com o sistema imune, sendo uma doença auto-imune, ou seja, o próprio organismo ataca e destrói a parte do pâncreas que produz insulina. Pode ocorrer em qualquer idade mas acomete principalmente crianças e adolescentes. O tratamento, portanto, é feito com injeções diárias de insulina para manter os níveis de glicose normais no sangue e evitar complicações. A dieta e exercícios apropriados devem também fazer parte da rotina terapêutica destes pacientes.

 

O diabetes tipo 2 acomete principalmente adultos e idosos. Tem relação genética importante e está relacionado na maior parte dos casos à obesidade. A presença de hipertensão arterial assim como outros fatores de risco cardiovasculares são comuns. O tratamento pode se basear inicialmente apenas em dieta e atividade física. O uso de medicamentos e insulina é feito à medida que falham os tratamentos prévios.

 

Pré-diabetes é uma condição em que os níveis de glicose no sangue são mais altos que os normais, mas ainda não tão altos quanto do diabetes. Essas pessoas têm risco elevado de desenvolver diabetes assim como ter doença cardíaca ou derrame.

 

Diabetes gestacional é uma doença caracterizada pelo aparecimento de níveis aumentados de glicose no sangue em mulheres que antes da gravidez não tinham diagnóstico de diabetes. Geralmente, se inicia no segundo trimestre da gravidez. Qualquer gestante pode desenvolver esta condição, mas algumas têm maior risco: idade mais avançada (após 25 e principalmente após 35 anos), excesso de peso, histórico prévio de HAS, diabetes gestacional, pré-diabetes ou se já teve previamente um bebê com peso maior que 4kg, histórico familiar de diabetes. Como a maior parte das pacientes não apresenta sintomas, é recomendado que seja rastreado em toda a gestação com, pelo menos, uma glicemia de jejum na 1ª consulta e caso a mesma dê maior igual a 85mg/dl, ser feito o teste com sobrecarga entre a 24-28ª semanas.

 

O diabetes eleva o risco de infarto ou derrame?

 

Sim. As pessoas com diabetes são consideradas de alto risco para as doenças cardiovasculares – infarto do miocárdio, derrame e doença vascular periférica. De fato, pelo menos 65% dos diabéticos irão morrer de evento cardiovascular. Assim, é importante entender como e porque deve controlar o diabetes e diminuir os fatores de riscos.

Como reduzir os riscos?

 

Se você tem diabetes, é muito importante conhecer e evitar os outros fatores de riscos. Modificar hábitos de vida é a chave da prevenção de doença arterial coronariana e derrame. Em alguns casos, o uso de medicações para isso se faz necessário, especialmente se eles estão relacionados a fatores genéticos ou da idade.

 

• Tenha uma dieta saudável – veja DICAS DE ALIMENTAÇÃO PARA UMA VIDA SAUDÁVEL
• Pare de fumar
• Controle de pressão – o controle da pressão deve ser mais estrito para proteger não só o coração assim como os rins, cérebro e demais órgãos
• Controle do seu nível de colesterol – as metas de pacientes diabéticos são mais rigorosas do que na população em geral. 
• Controle seus níveis de glicemia
• Tenha atividade física regular – veja ATIVIDADE FÍSICA - CAMINHADA
• Perca peso se você precisa – veja PERDER PESO COM SAÚDE
• Encontre meios saudáveis de controlar o estresse
• Trate doenças outras que possa aumentar ainda mais seu risco: doenças cardíacas, doenças arteriais de carótida, arritmia cardíaca
• Evite o excesso de álcool
• Não use drogas ilícitas – drogas intravenosas aumentam o risco de infecção no coração (endocardite) e derrame. Uso de cocaína está associado a infartos e derrame

 

Hipoglicemia – o que devo saber?

 

A hipoglicemia é uma complicação do tratamento, na maioria das vezes, inadequado do diabetes e é considerado quando a glicemia está abaixo de 50 mg/dl. Nem sempre o paciente sente algum sintoma quando a glicemia atinge este patamar, portanto, existe a possibilidade de hipoglicemia assintomática. Daí, a importância de se proceder os controles glicêmicos em domicílio com aparelhos chamados glicosímetros, principalmente em diabéticos usuários de insulina.

 

Na maioria dos casos, as hipoglicemias são eventos leves, onde o próprio paciente pode se tratar. Raramente, a hipoglicemia é severa a ponto de se necessário ajuda de terceiros e internação. 

 

Para evitar essa indesejável complicação que muitas vezes acaba por comprometer a confiança e, por conseguinte, aderência do paciente ao tratamento proposto, é necessário que se observem alguns fatores de risco:
• Evite omitir ou atrasar refeições
• Evite exercícios prolongados ou extenuantes, principalmente sem discussão prévia com seu médico e nutricionista
• Converse com seu médico a respeito de medicamentos que você usa e que podem dificultar o reconhecimento da hipoglicemia
• Alimente-se da mesma quantidade que está orientado a ser feito de forma que seu plano terapêutico se torne excessivo
• Seja honesto com seu médico a respeito da quantidade de alimento que costuma ingerir, se faz uso correto do medicamento da forma como foi prescrito, evitando assim prescrição de doses a menos que não controlem ou a mais que possam causar hipoglicemia

 

Como reconhecer?

 

A presença de sintomas e sinais vai depender da intensidade da hipoglicemia. Os mais freqüentes são:
• Formigamento ao redor da boca
• Tremor
• Sudorese fria
• Sensação de fome
• Palidez
• Palpitações/taquicardia
• Vontade de vomitar
• Tonturas
• Fraqueza
• Mudança de humor
• Confusão mental e até
• Perda de consciência e convulsões (hipoglicemia grave)

 

O que fazer?

 

Em pacientes conscientes:
Em casos leves, em paciente que ainda não tenha se alimentado, iniciar a refeição. Em casos moderados ou naqueles que já ingeriram alguma comida sem sucesso, ingestão imediata de alimentos contendo açúcar na forma líquida de preferência (mel, refrigerante normal- não dietético) ou mesmo tabletes de glicose.

 

Em pacientes inconscientes ou torporosos:
 

Requer tratamento imediato e com glicose intravenosa. Deve-se evitar dar alimentos por boca, devido ao risco de aspiração. Devem ser encaminhados a uma emergência médica o mais rápido possível. Em pacientes com antecedente de hipoglicemia severa, é interessante ter à mão Glucagon, um hormônio que eleva os níveis de glicose no sangue em torno de 5-15 min. Em casas de produtos de diabéticos é vendida. Deve ser aplicada intramuscular. Uma vez consciente, deverá ingerir algo contendo açúcar. Se o glucagon não estiver disponível, pequenas quantidades de mel, xarope ou glicose em gel podem ser esfregadas na mucosa bucal do paciente.

Dicas de alimentação para uma vida saudável

20 de agosto de 2009

Por que comer alimentos saudáveis?

 

Muitas doenças são causadas pelo nosso hábito de vida e estão diretamente associadas a uma alimentação inadequada, rica em alimentos gordurosos e doces, pobre em fibras e cálcio. Apesar da disponibilidade de alimentos nos dias atuais e dos índices de obesidade crescentes mesmo em países em desenvolvimento, as deficiências nutricionais são cada vez mais freqüentes. Não raramente, vemos pessoas obesas com anemia e osteoporose. Além disso, inúmeras causas de câncer estão relacionadas com a qualidade de nossa alimentação. Portanto, comer bem é praticar saúde.

Em relação à doença cardiovascular, a causa mais freqüente de óbito no mundo desenvolvido, ao comer alimentos ricos em gorduras saturadas, gordura trans e colesterol você está favorecendo o aumento dos níveis de colesterol em seu sangue. O colesterol alto é um fator de risco importante para a doença cardíaca e derrame.

 

Muitos fatores influenciam no risco de infarto ou derrame. Entretanto, ter uma alimentação pobre em gordura saturada, gordura trans, colesterol e sódio, pode ajudar a reduzir fatores para estas doenças.

Uma boa dieta tem alimentos de todos os grupos alimentares

 

O segredo para uma nutrição saudável está no balanceamento e variedade. Primeiro, a dieta deve incluir alimentos nutritivos de todos os grupos alimentares. Incluir alimentos como vegetais, frutas, peixe, produtos integrais e laticínios semi ou desnatados. Se ocasionalmente escolher uma comida rica em gordura saturada, procure compensar com outras pobres em gorduras como vegetais ou frutas como sobremesa. A mesma idéia se aplica se aplica a alimentos ricos em gorduras trans e salgados.

 

Uma dieta balanceada contém alimentos de todos os grupos alimentares: grãos, vegetais, carne, cereais, leite e derivados, frutas. Dê preferência a alimentos rios em vegetais e frutas, eles ajudam a reduzir risco cardiovascular e ajudam a controlar o seu peso. Procure comê-los frescos, sem adição de molhos prontos, maioneses, creme de leite. Coma as frutas em vez de preparar sucos.

 

Alimentos integrais são ricos em fibras que tanto ajudam a baixar seu colesterol como ajudam a controlar seu peso. Aveia, farinha integral, arroz integral, milho são boas opções.

 

Coma, de preferência a carne derivada de peixe, especialmente peixes ricos em ômega-3, ex: salmão. Coma grelhado, assado ou cozido e não acrescente molhos cremosos. Não adicione gordura saturada ou trans (manteiga, leite de coco, azeite de dendê, etc.)

 

Use óleos poli-insaturados e mono-insaturados, mas dentro dos limites calóricos, estes óleos se mantêm líquidos em temperatura ambiente, ex: canola, oliva, girassol, milho. Lembre-se que embora sejam óleos saudáveis, eles podem ajudar a exceder o limite calórico ideal para seu caso. Não os use para fritar.

 

Evite comer alimentos congelados, refeições prontas. Muitos destes produtos utilizam gordura trans, gorduras saturadas e excesso de sódio. Muitos alimentos para lanche e bebidas prontas são ricos em açúcar e até sódio. Estes alimentos tendem a ter baixo teor de vitaminas e minerais a despeito do aumento de calorias que favorece o ganho de peso.

 

O excesso de sal da dieta pode favorecer a elevação da pressão arterial, principalmente em pessoas predispostas, piorando ainda mais o seu fator de risco cardíaco, renal e cerebral.

 

Ao comer carne vermelha, escolha as partes magras, sem pele, com remoção de toda gordura visível antes do preparo. Evite embutidos, carnes processadas, lingüiças, salsichas mesmo light. Essas carnes tendem a ter ainda assim alto teor de gordura e são ricas em sódio. Miúdos e vísceras como coração e fígado são riquíssimas em colesterol, devendo ser evitados.

 

Frutos do mar (camarão, lagosta, caranguejo, siri, ostras e mariscos) são ricos em colesterol e devem ser usados apenas esporadicamente.

 

Leites e derivados – dê preferência a leite desnatado. Alimente-se de queijos, iogurtes com menor teor de gordura – como queijo minas, ricota, cottage.

 

Ao preparar bolos, tortas e demais receitas procure usar produtos menos ricos em gorduras saturadas, trans e colesterol.

 

Aprenda a ler rótulos

 

Uma boa dica para aprender sobre os alimentos é ler os rótulos nutricionais dos mesmos e conhecendo o seu teor de calorias, sódio, proteínas, e gorduras. Evite armadilhas:

 

Porção – muitos produtos trazem o valor calórico por porção e muitas vezes a porção é maior ou menor do que a usualmente consumida por você – preste atenção para que sua conta não se torne inadequada – após o conhecimento de quanto você come, refaça os cálculos, se necessário, multiplicando ou dividindo.

 

Valor diário – as porcentagens são calculadas em cima de uma dieta padrão de 2000 calorias por dia, caso você coma mais do que isso, as porções podem exceder as suas necessidades diárias ou, inversamente, não supri-las.

 

Gordura saturada e trans – essas são importantes para o controle de seu colesterol. Mantenha a ingestão diária de < 7% de gordura saturada e 1% para gordura trans.

Gordura total – deve ser ajustada para o valor calórico ideal para controle de seu peso, pois as gorduras são ricas em calorias.

 

Colesterol – o limite da ingestão de colesterol ao dia deve ser de acordo com a sua necessidade de atingir metas de colesterol. Se normal, ingira menos de 300 mg/d; se tem colesterol alto < 200 mg/d

Sódio – em pessoas predispostas a hipertensão arterial, a ingestão excessiva de sódio causa a elevação da pressão.

 

Carboidrato total – os carboidratos são importantes no seu programa alimentar diário. Prefira vegetais, frutas, pães e massas integrais, grãos. Limite o uso de açúcar refinado e bebidas já açucaradas. A quantidade de consumo depende da sua necessidade de controle de peso.

 

Fibra dietética – o consumo diário de 25g de fibras ao dia numa dieta de 2000 calorias, ajuda a reduzir riscos cardíacos, diabetes, câncer, além de ajudar no controle do peso e no melhor funcionamento intestinal.

 

Proteína – a ingestão de proteínas é importante no metabolismo normal. Prefira as proteínas de origem vegetal, uma vez que as de origem animal são geralmente ricas em gorduras saturadas. O excesso de proteínas pode causar danos renais.

 

LEMBRE-SE: UMA DIETA 100% SAUDÁVEL NÃO É FRUTO DO CONSUMO DE UM SÓ TIPO DE ALIMENTO, MAS DA COMBINAÇÃO DE VÁRIOS. EM CASO DE DÚVIDA OU QUERENDO TER UMA ORIENTAÇÃO MAIS ADEQUADA A SEU CASO: PERDA DE PESO, CONTROLE DE DOENÇA(S), AJUSTE A SUA PRÁTICA ESPORTIVA OU PREVENÇÃO, CONTATE UM NUTRICIONISTA.

Dislipidemia – Colesterol e Triglicérides

20 de agosto de 2009

O que é dislipidemia?

 

Dislipidemia significa que altos níveis de gorduras estão circulando no seu sangue. Essas gorduras incluem colesterol e triglicérides.

 

O colesterol é uma substância gordurosa encontrada na corrente sanguínea e em todas as células do seu corpo. É usado para formar membranas celulares, alguns hormônios e é necessário para outras importantes funções.

 

Seu organismo faz cerca de 1000 miligramas de colesterol por dia, principalmente pelo fígado. Outros 100 a 500 mg (ou mais) podem vir diretamente da alimentação.

 

O colesterol é parte de um corpo saudável, mas se está demais no seu sangue pode ser um problema. Não importa se você tem colesterol alto ou não, você precisa saber o que é colesterol e o que pode ser feito para controlá-lo. O colesterol alto é um fator de risco para doença coronariana e derrame.

 

Triglicérides são as gorduras mais comuns de seu organismo. Eles são também grande fonte de energia. Eles provêm da alimentação e seu corpo também produz. À medida que as pessoas vão envelhecendo, quando ganha peso ou ambos, seu colesterol e triglicérides tendem a subir.

 

Muitas pessoas que têm doença cardíaca, obesidade ou diabetes têm níveis elevados de triglicérides. Triglicérides elevado combinado com HDL baixo ou LDL alto favorece a aterosclerose. Diversos estudos têm mostrado que pessoas com triglicérides ≥ 150 mg/dl têm maior risco de ataque cardíaco ou derrame. Algumas dessas pessoas vão necessitar de tratamento.

 

O que causa dislipidemia?

 

A dislipidemia é causada quando se ingere uma dieta rica em colesterol e gorduras, quando o organismo produz colesterol e triglicérides demais ou ambas as situações.

 

Assim, você pode ter dislipidemia por estar com aumento de peso, ter dieta inadequada, ser sedentário, entretanto também pode ter mesmo não tendo nenhum destes fatores de risco mas por questões genéticas. Pode ainda ser causada por outras doenças que interfiram com o metabolismo como diabetes mellitus, hipotireoidismo, etc. ou pelo uso de alguns medicamentos como corticóides. Independente da causa, a dislipidemia pode causar doença cardíaca ou derrame.

 

Manter o colesterol sob controle é importante para todo indivíduo: homem ou mulher, jovem, meia-idade ou idoso e pessoas com ou sem doença cardíaca.

 

Como se diagnostica?

 

O colesterol e triglicérides altos não dão sintomas. È fácil ter colesterol alto e não sabê-lo. Daí a importância de dosá-lo através de exame de sangue. Conhecer seu colesterol pode ajudá-lo a tomar precauções para evitar o infarto ou derrame se você for de alto risco.

 

Todo indivíduo com 20 anos ou mais deve ter seu colesterol medido, pelo menos uma vez a cada 5 anos. Se você tiver história familiar de colesterol alto ou outro fator de risco, pode ser necessário dosá-lo antes e com uma freqüência maior.

 

O melhor é realizar o perfil geral do colesterol com medida de colesterol total, LDL, HDL e triglicérides. Este teste deve ser colhido com jejum de 12h.

 

Quais são os fatores de risco para desenvolver doença cardíaca?

 

• Pressão alta (tratada ou não tratada)
• Aumento de LDL (colesterol ruim)
• Baixo HDL (colesterol bom)
• Sedentarismo
• Sobrepeso e obesidade
• Diabetes mellitus
• Idade – homens ≥ 45 anos ou mulheres ≥ 55 anos
• Hereditariedade – história familiar de irmão e/ou pai com doença coronariana < 55 anos, ou mãe e/ou irmã < 65 anos

 

Como se deve tratar?

 

Os níveis desejáveis de cada fração de seu perfil de colesterol (HDL e LDL) dependem dos fatores de risco de cada indivíduo, portanto, seu médico irá orientá-lo, baseado em evidências clínicas, qual o melhor perfil de colesterol e triglicérides desejado no seu caso.

 

Muitas pessoas com triglicérides elevados têm doenças de base ou desordens genéticas. Diabetes e obesidade são dois exemplos. 

 

A dislipidemia é tratada com mudanças no estilo de vida: mudanças na dieta, perda de peso se necessária e exercício. Tais medidas visam:
• Manter um peso adequado
• Comer alimentos com baixo teor de gordura saturada, trans e colesterol
• Praticar atividade física – pelo menos 30 minutos por dia na maior parte da semana
• Não fumar
• Bebida alcoólica com moderação.
• Pessoas com triglicérides elevados também devem reduzir a ingestão de carboidratos.

 

Em caso de falha desta terapêutica, o médico pode também prescrever medicamento. O tipo e a dose deste medicamento vão depender de seus níveis de colesterol e triglicérides, se você já tem doença cardíaca, diabetes ou outros fatores de risco para doença cardiovascular.

O estresse e a sua saúde

20 de agosto de 2009

Afinal, o que é estresse?

 

Geralmente, o estresse se refere a uma pressão ou a uma tensão. Nas pessoas, o estresse pode ser físico (como numa doença), emocional (ex: um óbito) ou psicológico (ex: medo). Cada indivíduo tem a sua forma de responder ao estresse. Além do mais, o mesmo indivíduo pode apresentar respostas diferentes ao mesmo tipo de estresse ao longo do tempo. As condições físicas e sua forma de ver a situação podem contribuir na forma como você vai responder ao estresse.

 

Predisposição genética, fatos vivenciados previamente, educação e cultura podem influenciar na maneira de vivenciar o estresse. O tabagismo, o consumo de álcool e o sedentarismo podem ter impacto negativo sobre o estresse.

 

A resposta ao estresse pode ser aguda ou crônica. Normalmente, no estresse agudo, o corpo responde com a liberação de diversos hormônios, entre eles a adrenalina e o cortisol. Esses hormônios, entre outras coisas, aumentam a sua freqüência cardíaca, sua pressão. Entretanto, todos esses sinais e sintomas desaparecem em pouco tempo e tudo volta ao normal.

 

O maior problema à saúde é o estresse crônico. Se o processo se torna repetitivo, não há tempo do organismo se recuperar e ao longo do tempo irão causar sérios problemas de saúde.

 

Entre os problemas de saúde causados pelo estresse, temos:
• Obesidade: aumenta o apetite, compulsão e erros alimentares
• Sistema imunológico- torna a pessoa mais susceptível a resfriados e outras infecções
• Sistema digestivo – gastrite, distúrbios intestinais como síndrome do cólon irritável
• Sistema nervoso – ansiedade, depressão, distúrbios do sono (insônia, sonolência excessiva), apatia, diminuição da memória, tonturas
• Sistema cardiovascular- aumento da pressão arterial, palpitações, dor no peito
• Outros – perda de libido, impotência, cansaço fácil, queda de cabelo

 

Como saber se está estressado?

 

Normalmente, o diagnóstico é feito quando se afastam outras causas para os sintomas apresentados já há algum tempo. Usualmente, esses sintomas são de leve intensidade e de longa data.

O que fazer?

 

Nem sempre é fácil afastar o fator causador do estresse. A chave está muitas vezes em saber conviver com o mesmo. Adotar uma vida mais saudável pode não afastar de todo o estresse, mas certamente vai ajudá-lo a suportar de maneira mais adequada e com menos danos à sua saúde. Procure ter uma atividade física, evite fumar e ingerir grandes quantidades de álcool. Procure fazer algo que gosta para relaxar, procure apoio emocional entre a família e amigos. Contudo, caso os sintomas persistam ou piorem, você deve procurar ajuda especializada. Converse com seu médico, ele saberá lhe indicar um tratamento mais adequado.

Hipertensão Arterial - Compreendendo a pressão arterial

20 de agosto de 2009

Todo mundo tem e precisa da pressão arterial. Sem ela, o sangue não consegue circular pelo corpo. E sem circulação sanguínea, seus órgãos vitais não recebem oxigênio e nem nutrientes para eles funcionarem normalmente.

 

Quando seu coração bate, ele propulsiona o sangue através de suas artérias e cria pressão nelas, levando a um fluxo sanguíneo permanente. Se você é saudável, suas artérias são elásticas. Elas se alargam quando o coração propulsiona sangue através delas.

 

Seu coração bate em torno de 60 a 80 vezes por minutos sob condições normais. Sua pressão sobe nas contrações e cai quando seu coração relaxa entre os batimentos. Sua pressão pode mudar de minuto a minuto, com mudanças de postura, exercício, sono, etc.

 

Dois números são registrados quando se mede a pressão arterial, como 115/85. O número maior representa a sua pressão sistólica, a pressão nas suas artérias quando o seu coração bate. O número menor representa a pressão enquanto seu coração relaxa entre os batimentos (pressão diastólica).

 

Podem ser necessárias algumas medições ao longo do tempo antes que seu médico faça um diagnóstico definitivo de sua hipertensão. Dependendo de suas doenças associadas, de seu histórico prévio ou de sua família, o seu médico pode julgar níveis pressóricos intermediários como pré-hipertensão e adotar condutas de controle e acompanhamento.

 

O que causa hipertensão arterial?

 

A pressão arterial alta, também chamada de hipertensão arterial, não é tensão nervosa. Pessoas que têm pressão alta não precisam ser nervosas, ansiosas, tensas ou impulsivas. Na realidade, você pode ter hipertensão e não saber. A hipertensão geralmente não causa sintomas, daí porque é tida como doença silenciosa. 

 

Cerca de 90-95% dos casos de hipertensão não têm causa conhecida, mas alguns fatores aumentam suas chances de desenvolver esta doença. Estes são chamados de fatores de risco.

 

O que você deve evitar para prevenir a hipertensão arterial?

 

• Obesidade
• Comer bastante sal
• Uso regular de álcool, principalmente em quantidades moderadas
• Sedentarismo
• Estresse emocional – este difícil de ser mensurado, uma vez que varia de pessoa para pessoa, de circunstância para circunstância.

 

O que não depende de você para evitar a hipertensão arterial?

 

• Idade – em geral, quanto mais velho maior a chance de desenvolver hipertensão, principalmente após os 35 anos. Homens tendem a desenvolver mais cedo do que as mulheres.
• Hereditariedade – se você tem parentes de primeiro grau, você tem mais chance de desenvolver
• Raça – os negros tendem a ter mais hipertensão e de forma mais severa

 

Você sabe quando sua pressão está alta?

 

Ao contrário do que você pensa, NÃO. Através de estudos, se sabe que a hipertensão geralmente não causa sintomas. Na verdade, muitas pessoas têm pressão alta por anos até descobrir. Daí porque pode ser tão perigosa.

 

A única maneira de você descobrir se é hipertenso é ter sua pressão arterial medida por seu médico ou outro profissional de saúde.

 

Complicações

 

• A hipertensão aumenta a chance de infarto agudo do miocárdio e principalmente derrame cerebral
• Pode causar insuficiência cardíaca
• Representa a principal causa de insuficiência renal crônica
• Pode levar à retinopatia com comprometimento visual

 

Mesmo em sua forma leve, a hipertensão é progressiva e perigosa se não tratada.

 

O que pode ser feito quando se tem hipertensão arterial?

 

Apesar do avanço da indústria farmacêutica e da disponibilidade de um arsenal relativamente grande de drogas para controle da hipertensão – os anti-hipertensivos, a mudança do estilo de vida – dieta e atividade física continuam sendo de suma importância para o controle da doença e prevenção de complicações.

 

O tratamento se baseia em:
• Dieta
• Redução de peso
• Atividade física
• Medicações

 

E sobre o tratamento com medicação?

 

Uma boa parte das pessoas necessita de medicação para ajudar a controlar a sua hipertensão arterial. As medicações normalizam a pressão arterial na maioria dos casos. Alguns pacientes necessitam testar mais de uma medicação até que o médico encontre a melhor medicação (ou medicações) para cada caso. 

 

Saiba dados importantes sobre as suas medicações:
1. nome 
2. para que você usa
3. com que freqüência 
4. por quanto tempo
5. forma de uso – horário, dose
6. como armazená-las
7. se interfere com outras medicações prescritas por outros médicos
8. se é necessário evitar comidas, bebidas
9. efeitos colaterais mais importantes
10. em caso de esquecer dose, o que fazer
11. em caso de gravidez, se pode ser usado

 

Algumas medicações podem dar efeitos colaterais, embora na maioria das pessoas nada de significativo seja observado. As medicações anti-hipertensivas têm sido usadas há décadas com segurança e mostram se efetivas mesmo depois de anos de uso. A hipertensão é uma doença crônica sem cura. Não desanime de ter que ser tratado pelo resto da vida. Com a hipertensão bem controlada, você pode levar uma vida tranqüila, reduzindo riscos de derrame, infarto, insuficiência renal e cardíaca.

 

Conheça a campanha educativa da Sociedade Brasileira de Cardiologia para o Dia Nacional de Prevenção e Combate a Hipertensão Arterial:
http://prevencao.cardiol.br/campanhas/hipertensao.asp

Perder peso com saúde

20 de agosto de 2009

Perder e manter peso pode ser um grande desafio. Vários estudos sugerem que uma vez que você ganhe peso extra, seu corpo trabalha para mantê-los. As causas para isso são várias e complexas, desde genéticas até ambientais. Você já pode ter tentado várias vezes perder peso, porém sem sucesso mantido.

Olhe ao seu redor, você não é um caso isolado e nem o mundo conspira contra você. Atualmente, mesmo em países menos desenvolvidos como o Brasil, uma quantidade cada vez maior de pessoas está com sobrepeso ou obesidade. Por outro lado, cada pessoa é diferente e existem fatores únicos individuais que devem ser levados em consideração num planejamento de perda de peso. Para manter sucesso em longo prazo, você precisa encontrar a melhor estratégia que se adeque a você e seu estilo de vida.

A despeito das queixas, dos motivos que sabemos serem vários, a questão básica é: para perder peso, é necessário ingerir menos calorias que você costuma ingerir e se exercitar mais.

Parece simples aparentemente, mas o grande problema está em colocar isso em prática. Sabemos que não é fácil, entretanto, é senso-comum que esta é maneira de maior sucesso para uma vida saudável e a manutenção de peso para a vida inteira. Ninguém, nem o melhor médico, a melhor nutricionista, a melhor equipe multidisciplinar, pode fazer mais por você do que você mesmo para perder peso. Eles podem tratá-lo e aconselhá-lo e você deve ter essa orientação. Entretanto, somente você pode fazer as escolhas diárias para levar uma vida mais saudável.

Por que engordar é tão fácil?

Ao contrário do que se pensa, o ganho de peso é gradual e MULTIFATORIAL. Há geralmente uma combinação de fatores:
• Aumento das porções (quantidade)
• Aumento da ingestão de alimentos muito calóricos mesmo que em pequenas quantidades
• Comer fora de casa
• Ter uma vida menos ativa

Influências culturais, sociais e comerciais têm nos levado a ingerir, experimentar e comprar cada vez mais calorias, mesmo que embutidas sob rótulo de produtos dietéticos. Para se manter magro é necessário comer menos, escolher alimentos mais nutritivos e iniciar atividade física.

Algumas dicas para perder peso de forma saudável

1. Pense de forma inteligente

Pensar de forma inteligente ajuda a se esquivar das armadilhas das promessas de perda de peso rápida, de uso de “medicações milagrosas”, “dietas mirabolantes”.

• Tente encontrar as situações, os motivos porque você escapa da dieta. 
• Tente se imaginar magro e como você vai se sentir e o que vai acontecer com sua saúde, das coisas que você vai poder fazer e que já não faz – isso ajuda a dar mais força de vontade.
• Não desanime diante de um escape. Seja positivo e reinicie imediatamente sua dieta
• Seja realista – não se dê metas impossíveis, em prazos igualmente difíceis. Faça planejamento por etapas. Lembre-se que quanto mais rápido perder maior a chance de reganhar igualmente rápido
• Prepare-se para o inesperado: programe-se para eventos sociais, situações de exposição a saída da dieta. Aprenda a saber dizer não.
• Seja persistente
• Informe-se mais sobre perda de peso saudável

2. Coma melhor

Você não precisa pensar no que engorda ou não engorda. Todo alimento tem a capacidade de engordar mais ou menos a depender da quantidade, forma de preparo, etc.

• Escolha melhor os alimentos – coma mais o que engorda menos e menos o que engorda mais.
• Uma boa dieta não restringe a alimentação a um só grupo alimentar, ex; proteína
• Evite dietas com plano alimentar muito restrito, sem variação de cardápio, com combinações fixas
• Seja criativo com as opções de cardápio
• Calcule calorias
• Tenha metas – uma boa dica é perder cerca de 10% de seu peso, p. ex: perder 8 kg se está com 80 kg.
• Escolha uma estratégia de perda de peso
• Fracione a dieta – coma pequenas porções em mais vezes
• Diminua o consumo de bebidas alcoólicas. Se não bebe, não comece. Se bebe, restrinja o uso. A bebida alcoólica de qualquer espécie é fonte de calorias, pobre em nutrientes. 
• Aumente o teor de fibras de sua dieta – alimentos integrais
• Coma mais vegetais e frutas
• Diminua a ingestão de gorduras saturadas, trans e colesterol
• Evite refrigerantes
• Tome sucos com moderação, geralmente eles são hipercalóricos
• Coma devagar, mastigue bem os alimentos
• Compre apenas o que interessa na dieta, evite comprar em horários de refeição (não compre com fome)
• Planeje uma dieta que possa durar um tempo indeterminado. Dietas muito restritivas podem até levar a perda de peso rápida, mas dificilmente você conseguirá manter peso em longo prazo. 
• Lembre-se que para manter o peso perdido, você não deve retomar a rotina anterior. 
• Evite o efeito “ioiô”.

Lembre-se: não há fórmula mágica.

3. Movimente-se mais

O exercício ajuda a:
• Parar de fumar
• Controlar a pressão arterial
• Aumentar o HDL (bom) colesterol
• Ajuda a prevenir e controlar o diabetes
• Dá mais energia
• Melhora a auto-estima e a auto-imagem
• Aumenta a resistência à fadiga
• Ajuda a relaxar e se sentir menos tenso(a)
• Melhora a qualidade do sono
• Ajuda a perder ou controlar o peso

Muito dos benefícios do exercício podem ser sentidos independentemente da perda de peso gerada. Os estudos sugerem que as pessoas que têm uma vida mais ativa, têm maior chance de manter o peso perdido em longo prazo.

Escolha o exercício que mais se alia a seu estilo de vida e gosto pessoal.

E as crianças?

A melhor maneira de evitar a obesidade é ensinando a comer desde cedo. Muitas crianças ainda magras se tornarão futuros obesos. Ensinar a seu filho comer bem é prepará-lo para ter uma vida mais saudável e com menor possibilidade de engordar.

• Tente dar a elas o maior número de refeições em casa, principalmente com você presente. Essa é a melhor maneira de acompanhar e ter a oportunidade de enfatizar a necessidade de uma dieta saudável.
• Conheça o ambiente de seu filho: saiba o que serve na lanchonete da escola, o que ele come no lanche da escola ou de casa, o que ele come na casa de parentes e colegas.
• Deixe sempre frutas disponíveis para lanche.
• Estimule a prática de atividade esportiva.
• Limite o tempo em frente à televisão, computadores e videogames. 
• Seja o exemplo.

Administrando seus medicamentos

20 de agosto de 2009

Sempre que estou doente preciso fazer uso de medicamentos?

Não. Nem sempre o diagnóstico de uma doença envolve o uso de medicamentos para seu controle ou cura. Muitas doenças podem ser tratadas, se não sempre, pelo menos no início com mudanças no estilo de vida do indivíduo (dieta, atividade física). Outras doenças serão acompanhadas a princípio, e só iniciado tratamento quando for necessário.

O medicamento só é usado nos casos mais graves?

Não necessariamente. Os medicamentos serão prescritos sempre que o benefício seja estabelecido através de pesquisas científicas e quando seu uso não seja acompanhado de risco maior para o paciente. Em alguns casos, o uso precoce de medicamentos pode ser essencial para evitar complicações futuras ou agravamento da doença de base. Em outros casos, o uso de medicamentos constitui o pilar fundamental do tratamento, como por exemplos infecções bacterianas. Assim, sempre esclareça com seu médico sobre a finalidade do uso do medicamento no seu caso.

Quando iniciar o uso de medicamentos, vou me tornar dependente e meu organismo não vai poder ficar sem usar?

Não. Quando há indicação do uso de determinado medicamento, não existe a dependência e sim a necessidade. Assim, para o controle da doença é necessário o uso daquele medicamento. Uma vez suspenso, a alteração voltará a se manifestar, pois é preciso o uso do medicamento para controle. Muitas vezes, o médico o prescreveu porque as chances de respostas sem aquele medicamento se esgotaram ou vão ser remotas. Em muitos casos o uso de medicamentos será então por tempo indeterminado, ininterruptamente.

Posso relaxar na dieta e atividade física já que estou usando o medicamento?

Não. Embora o uso de medicamentos ajude em muito o controle de determinadas doenças mesmo quando se peca na falta de dieta e na atividade física, o uso de medicamentos NÃO prescinde a necessidade de se ter uma vida mais saudável, praticando atividade física e tendo uma boa alimentação. Muitas vezes, a adoção destas medidas evita o aumento da dose ou do número de medicamentos utilizados. Lembre-se ainda que o medicamento serve para tratar determinada doença e não evita o aparecimento de outras.

O sucesso do tratamento depende de um esforço que envolve médico e paciente

Na grande maioria das vezes, para que o tratamento seja efetivo é necessário o comprometimento do paciente. É importante estar informado, consciente de seu diagnóstico e manter uma boa relação com sua equipe médica. Tenha uma posição ativa no seu tratamento, perguntando a respeito da sua doença, do melhor tratamento. Uma vez que concordou com o tratamento, se comprometa com o mesmo. Tome exatamente conforme prescrito, não omita doses e não pare apenas porque se sentiu melhor. Se desenvolver algum efeito colateral, alguma queixa que antes não tinha, converse com seu médico a respeito. Pode ser necessário ajustar a dose ou até encontrar um outro medicamento.

Toda vez que tenho algum efeito colateral devo suspender o medicamento?

Não. Todo medicamento pode ter efeito colateral. O uso de medicamento se baseia no maior benefício com menor risco. Toda vez que o benefício superar o risco, o uso de determinado medicamento na Medicina está recomendado. Obviamente, o médico deve optar de acordo com o caso, pelo medicamento de menor risco. Em alguns casos, isso nem sempre é possível e pode ser necessário o uso daqueles com maiores efeitos colaterais, porém com melhor resultado. Em outros casos, efeitos colaterais importantes, embora raros, podem advir, sendo necessário a interrupção imediata do medicamento.

Questões a serem feitas à sua equipe médica

Para que serve?
Por que estou tomando?
Por quanto tempo? Qual o melhor horário? Quantas vezes ao dia?
Devo tomar em jejum ou pode ser após a alimentação?
Vai melhorar sintomas ou resultados?
Tem algum problema em relação aos outros medicamentos que faço uso?
Se esquecer de tomar uma dose, o que faço?
Devo evitar algum tipo de alimento ou bebida?
É necessário fazer algum exame de controle em uso do medicamento? E se sim, tomo a medicação no dia do exame?
Quais são os efeitos colaterais mais importantes?

Como otimizar seu tratamento

• Seja informado, saiba seus diagnósticos.
• Tenha sempre uma lista das medicações que usa, assim como a dose e os horários – isso facilita a escolha do medicamento a ser iniciado por sua equipe médica.
• Procure simplificar a forma de uso de seus medicamentos. Tomar uma quantidade variada de medicamentos em diferentes horários pode tornar mais difícil a aderência e facilitar o esquecimento. Converse com seu médico a respeito de simplificar os horários, tomando juntos sempre que possível. 
• Lembre-se de tomar seus medicamentos da forma prescrita. Muitas vezes o uso inadequado além de insatisfatório, não adiantando para o resultado desejado, pode ser prejudicial. Lembre-se ainda que alguns medicamentos somente causam efeitos colaterais quando usados de maneira inadequada. 
• Não suspenda o tratamento apenas porque teve melhora dos sintomas.
• Discuta com seu médico sobre o custo de seus medicamentos se eles estiverem acima de seu orçamento e veja se há possibilidade de troca por outro mais em conta. 
• Não tome medicamentos prescritos para outra pessoa mesmo tendo os mesmos diagnósticos. Lembre-se cada caso é um caso.
• Não forneça sua prescrição para alguém com a mesma doença pelo mesmo motivo acima.
• Não tome bebida alcoólica enquanto estiver em uso de medicamento a não ser que o seu médico libere. 
• Observe o prazo de validade, a procedência e a forma de armazenamento dos medicamentos. A maioria se torna inativa ou pode até ser prejudicial para uso. Despreze-os sempre que tiver alguma dúvida a respeito de algum dado destes.

Como proceder diante do infarto ou derrame

20 de agosto de 2009

Preciso me preocupar com ataque cardíaco, parada cardíaca ou derrame?

Sim, eles podem ocorrer com qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar. A doença cardiovascular é a causa mais comum de morte em países desenvolvidos e tende a aumentar a incidência com a idade.

Muitas pessoas não reconhecem precocemente os sinais de um ataque cardíaco ou parada cardíaca. Mesmo aqueles portadores de doenças de risco ou parentes deles não conseguem reconhecer em tempo de uma atitude mais agressiva que mude o prognóstico. Reconhecer é vital. Muitas pessoas morrem antes de ter os primeiros socorros e poderiam, com os recursos disponíveis hoje, sobreviver se eles ou alguém próximo soubessem como agir numa emergência.

O que acontece num infarto?

O fluxo sanguíneo de parte do músculo cardíaco está reduzido ou paralisado. Isto acontece quando uma ou mais artérias responsáveis estão entupidas por um coágulo ou estreitadas por espasmo. Se a circulação é interrompida e o oxigênio não é fornecido por alguns minutos, o músculo cardíaco sofre um dano permanente e começa a morrer. Por esta maneira, os sinais de alerta são importantes.

O tempo é crucial. Quanto maior for o retardo no reconhecimento e, portanto, atitude pronta, maior a chance de dano irreversível e óbito.

Conhecendo os sinais de infarto

Alguns ataques cardíacos são tão súbitos e intensos que os sintomas são muitas vezes facilmente reconhecidos pela dor intensa, o desmaio, o aperto no coração.

Outros são fulminantes, não deixando muitas vezes chances de atitude. Porém, alguns se instalam lentamente, com dor leve ou apenas desconforto que podem ir piorando gradativamente. Frequentemente, essas pessoas demoram a perceber o que está acontecendo. Em alguns casos, há sintomas que podem ser confundidos com de outras doenças. Lembre-se, que quanto maior seu fator de risco (idade, doenças associadas, sedentarismo, tabagismo), maior a necessidade de excluir, mesmo em sintomas leves, o ataque cardíaco.

• Dor no peito – a maioria dos casos têm dor no peito que dura alguns minutos ou que vai-e-vem. Pode ser como uma pressão desconfortável, dor, aperto ou opressão.
• Dor, desconforto ou dormência em outros locais – como nos braços, costas, pescoço, mandíbula ou estômago
• Falta de ar – mesmo sem dor no peito
• Outros sinais – sudorese fria, náuseas, vômitos e visão turva

O que fazer?

Não espere para avaliar. Não espere ter todos os sintomas. Observe o tempo, quando os sintomas começaram, isso será perguntado a você. Chame uma ambulância de serviço de emergência médica ou em caso de demora ou não ter, dirija-se a uma emergência hospitalar. Evite ir dirigindo a não ser que não tenha outra opção. Se for você que está presenciando alguém nesta situação, tome a mesma providência.

O que acontece num derrame?

O derrame, ou AVC, acontece quando há deficiência de fluxo sanguíneo e oxigenação insuficiente do cérebro. Sem oxigênio, as células cerebrais não funcionam e morrem dentro de minutos. Dependendo da parte cerebral atingida, deficiência e morte podem ocorrer. 
Derrame é uma emergência médica e deve ser reconhecida e tratada prontamente.

Conhecendo os sinais de derrame

• Dormência súbita ou fraqueza da face, braço ou perna, especialmente de um dos lados do corpo;
• Confusão súbita, fala ou compreensão difíceis;
• Perda súbita de visão em um ou ambos os olhos;
• Dificuldade súbita de andar, tonturas, perda de equilíbrio e coordenação;
• Dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente

Em alguns casos, alguns destes sintomas acontecem por um curto período de tempo e desaparecem. Isto pode está relacionado a um ataque isquêmico transitório. Esses ataques são muito importantes, pois sinalizam um risco grande de derrame e devem ser considerados também emergência médica.

O que fazer?

Não espere para avaliar. Não espere ter todos os sintomas. Observe o tempo, quando os sintomas começaram, isso será perguntado a você. Chame uma ambulância de serviço de emergência médica ou em caso de demora ou não ter, dirija-se a uma emergência hospitalar. Evite ir dirigindo a não ser que não tenha outra opção. Se for você que está presenciando alguém nesta situação, tome a mesma providência.

LEMBRE-SE – NÃO DEMORE!

Tabagismo

20 de agosto de 2009

Segundo a OMS, existem no mundo 1 bilhão e 200 mil fumantes. O mais preocupante é que a despeito do conhecimento dos riscos do tabagismo, esse número tem aumentado em diversos países, com aumento da população feminina e jovens. O cigarro é responsável por 4,9 milhões de mortes/ano, cerca de 10 mil mortes/dia. Só no Brasil o número de óbitos por ano chega a 80 mil.

O tabagismo está relacionado com o aumento da incidência de inúmeros casos de câncer (pele, pulmão, boca, laringe, esôfago, bexiga, rim e útero) e de outras doenças (catarata, envelhecimento precoce, perda da audição, abortamento espontâneo, deterioração dos dentes, enfisema pulmonar, osteoporose, infarto, derrame, úlcera gástrica, infertilidade masculina e psoríase)

É importante frisar, que a despeito de outros hábitos de vida saudáveis que você possa ter como uma dieta adequada e atividade física regular, o fumo continua a seu um fator de risco independente e importante.

E o tabagismo passivo?

Os danos do tabaco se estendem até para aqueles que nunca sequer colocaram um cigarro na boca, mas que convivem diariamente com alguém que fuma. Veja alguns dos efeitos já conhecidos:

Em adultos – maior risco de doenças relacionadas com o tabagismo de acordo com o tempo de exposição. É relatado um risco 30% maior de câncer de pulmão e 24% maior de infarto do miocárdio do que em indivíduos normais.

Em crianças – aumento do número de resfriados, otites e doenças respiratórias

Em bebês – maior risco de doença pulmonar e risco maior de morte súbita infantil

Conselhos de como parar e diminuir o risco

1. tenha um objetivo – sem motivação, não se consegue parar. O desejo tem que vir do indivíduo.
2. marque uma data – evite ser num período de estresse.
3. não adianta fumar menos ou trocar por cigarros de baixo teores, o objetivo é parar – o dano do fumo não é só em relação ao número de cigarros e nem apenas da dose de nicotina. Algumas vezes, os cigarros com baixos teores não satisfazem e será preciso fumar mais para alcançar a dose de nicotina a que se está acostumado. 
4. trace a sua meta – não existe melhor maneira. Cada um pode parar de fumar através de alternativas diferentes. 
5. evite café e bebidas alcoólicas que incentivam o uso de cigarro
6. conheça os seus motivos para parar – encontre a sua motivação e procure lembrar-se dela toda vez que sentir vontade de acender um cigarro
7. conheça os tratamentos disponíveis – deixar de fumar não é fácil para a maior parte das pessoas (há dependência da nicotina física e mentalmente). Você pode tentar largar sem ajuda, mas se precisar de apoio, recorra a especialistas que possam receitar medicamentos. 
8. melhore sua saúde como um todo – melhore sua dieta, inicie uma atividade física, aprenda técnicas de relaxamento, durma pelo menos 8 horas por noite e beba mais água.

E se recair?

Não desanime. As recaídas são mais freqüentes no primeiro ano. Basta apenas um cigarro para estragar tudo. Mas se mesmo com todos os cuidados, você voltar a fumar, não desista, pesquisas sugerem uma média de quatro tentativas por pessoa antes de parar definitivamente. Sendo assim, como tantos outros, você também pode parar de fumar.

Uso de esteróides anabolizantes

20 de agosto de 2009

Os esteróides anabolizantes são hormônios naturais ou sintéticos que estão relacionados com o hormônio masculino – a testosterona. Alguns homens por serem portadores de deficiência deste hormônio necessitam fazer uso dos mesmos para evitar conseqüências desta deficiência. Porém, a indicação de uso destas substâncias é infinitamente menos freqüente do que seu uso na prática.

Por sua característica de promover crescimento muscular, redução de massa gorda e aumento da força, os esteróides anabolizantes eram vendidos indiscriminadamente como suplementos para fisicultores e atletas profissionais em busca de melhora de desempenho físico. Com a proibição do uso dos mesmos devido aos graves efeitos colaterais, passaram a ser usados de forma ilegal principalmente por adolescentes e indivíduos, homens e mulheres, em busca de perfil físico “ideal”.

Todos os esteróides anabolizantes são andrógenos, portanto, eles conferem características masculinas como aparecimento de pêlos pelo corpo e voz grossa. Entretanto, eles também podem ser convertidos em hormônio feminino, o estrógeno, levando ao aparecimento de mama em homens.

Infelizmente, todos os dados disponíveis em centros de controle de doenças e prevenção têm relatado o aumento do uso abusivo destas substâncias. Como a maior parte destes hormônios são ilegais, são produzidos, então, por laboratórios não vigiados, adquiridos em boa parte via internet, não sendo regulados. Assim, eles podem estar contaminados, falsificados ou indevidamente dosados.

Quais os riscos?

O uso de esteróides anabolizantes pode ter efeitos graves e de longa data no organismo. Quanto maior a dose, piores serão os efeitos adversos. Alguns destes efeitos são reversíveis, enquanto outro não. Em adolescente em crescimento o maior risco é a diminuição da altura final por parada do crescimento.

Como reconhecer o uso dos mesmos?

Pais, treinadores e profissionais de saúde devem estar alerta para o aparecimento de mudanças no físico de uma pessoa em uso de anabolizantes. Geralmente, as mudanças são mais rápidas do que aquelas observadas em situações normais:
• Rápido ganho de peso
• Aumento da acne
• Mudança do perfil físico, como aumento da massa muscular peitoral, em pouco tempo
• Aumento de mamas em meninos
• Menor aumento de mamas em meninas
• Diferença de tom de voz rapidamente
• Aparecimento de pêlos faciais em meninas
• Alteração de comportamento – comportamento mais agressivo

Efeitos colaterais mais importantes:

Em homens:
• comportamento mais agressivo
• aumento de mamas
• calvície
• diminuição da produção de esperma
• diminuição dos testículos

Em mulheres:
• voz rouca
• aumento do clitoris
• aparecimento de pêlos faciais
• perda de cabelo
• diminuição dos ciclos menstruais
• diminuição das mamas

Em ambos:
• sintomas psicológicos
• aumento da pressão arterial
• anormalidades hepáticas e de coagulação
• aumento do LDL-colesterol (colesterol ruim)
• diminuição do HDL-colesterol (colesterol bom)
• acne severa
• complicações relacionadas ao uso de substâncias injetáveis (infecções locais, transmissão de doenças se compartilhar mesma seringa, etc)

O que fazer?

A melhor arma é a informação. Não adianta negar os efeitos positivos dos esteróides anabolizantes, mas discutir sobre os riscos permanentes e graves. Além disso, orientar sobre a possibilidade de adquirir o corpo almejado com uma nutrição adequada e atividade física bem orientada.

Idade Vascular Por: Maristela Magnavita - cardiologista (CRM 9834)

20 de agosto de 2009

“Idade Vascular”

 

*"O homem é tão velho quanto suas artérias” - Thomas Sydenham

 

O espessamento médio-intimal carotídeo (EMIC), medido pela ultrassonografia de carótidas, permite estimar a carga aterosclerótica e comparar a “idade vascular” com a idade cronológica do indivíduo, contribuindo para melhor predizer seu risco cardiovascular.Já foi demonstrado que o componente “idade”, do escore individual de risco de doença cardiovascular de Framingham, pode ser modificado, incorporando a “idade vascular”, estimada pela carga aterosclerótica, derivada da medida do EMIC.A ultrassonografia com Doppler colorido das artérias carótidas avalia as carótidas comuns, bulbos carotídeos e as artérias carótidas internas e externas, quanto à presença de aterosclerose. É uma técnica não-invasiva e altamente reprodutível para quantificar a carga aterosclerótica. No exame, pode-se encontrar placas ateroscleróticas grandes e oclusivas, nos estágios mais avançados da doença vascular, ou placas menores e não oclusivas, nos estágios precoces. Também é possível existir, apenas, o aumento do EMIC, que é o precursor da placa aterosclerótica, sendo, portanto, o estágio muito mais precoce da doença aterosclerótica.A aterosclerose carotídea tem correspondência com o grau de aterosclerose coronariana, por isso é aceito que as artérias do pescoço fornecem uma “janela” para as artérias coronárias. Maiores EMIC estão relacionados com prevalência aumentada de angina, infarto, acidente vascular cerebral, ataque isquêmico transitório e doença vascular periférica. Além disto, o EMIC é preditor independente de futuros eventos cardiovasculares, incluindo infarto, morte súbita e acidente vascular cerebral.Os valores de normalidade do EMIC já são conhecidos, através de grandes estudos populacionais, que forneceram classificação em percentis, conforme idade, gênero e raça, permitindo situar em faixas de normalidade, pouco ou muito acima da média.Reconhecendo o EMIC como método validado e as evidências científicas já demonstradas, a V Conferência de Prevenção da American Heart Association concluiu que o EMIC pode ser utilizado clinicamente para esclarecer risco de doença arterial coronariana e recomendou a avaliação do EMIC para pacientes com mais 45 anos, que precisem esclarecimento adicional do seu risco de doença cardiovascular, visando à instituição de medidas preventivas.Referências:Greenland P, Abrams J, Aurigemma GP, Bond MG, Clark LT, Criqui MH, et al. Prevention Conference V: Beyond secondary prevention: identifying the high-risk patient for primary prevention: noninvasive tests of atherosclerotic burden: Writing Group III. Circulation 2000;101:E16-E22.Howard G, Sharrett A, Heiss G, Evans G, Chambless L, Riley W, et al. Carotid artery intimal-medial thickness distribution in general populations as evaluated by B-mode ultrasound. Stroke 1993;24:1297-1304.Chambless LE, Folsom AR, Clegg LX, Sharrett AR, Shahar E, Nieto FJ, et al. Carotid wall thickness is predictive of incident clinical stroke: the Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) study. Am J Epidemiol 2000;151:478-87.Bots ML, Hoes AW, Koudstaal PJ, Hofman A, Grobbee DE . Common carotid intima-media thickness and risk of stroke and myocardial infarction: the Rotterdam Study. Circulation 1997;96:1432-7.Bond M, Barnes R, Riley W, et al. for the ARIC Study Group. High-resolution B-mode ultrasound scanning methods in the Atherosclerosis Risk in Communities Study (ARIC). J Neuroimaging 1991;1:68-73.Stein, JH. Carotid intima-media thickness and vascular age: You're only as old as your arteries look. J Am Soc Echocardiogr 2004;17:686-689.Gepner AD, Keevil JG, Wyman RA, Aeschlimann SE, Korcarz CE, Busse KL, Stein JH. Use of carotid intima-media thickness and "vascular age" to modify cardiovascular risk prediction. J Am Soc Echocardiogr 2006; 19:1170-1174.* Texto inédito para o Portal Procardíaco..

Abra seu corpo Por: Tatiana Achcar

20 de agosto de 2009

Abra seu corpo *
Estique-se com alguns exercícios fáceis e práticos que podem ser feitos antes, durante ou depois da sua jornada diária de trabalho

Por: Tatiana Achcar

Alivia a região lombar

Esta postura alivia as dores e a pressão na região lombar e evita o encurtamento muscular da perna, bastante comum em quem fica muito tempo sentado. Deite no chão, levante uma perna, passe um cinto no pé, estique a perna e contraia o músculo da coxa. Mantenha o quadril alinhado, não deixe um lado da cintura virar mais que o outro. Mantenha a posição por um minuto e troque a perna. Você está alongando a musculatura posterior da coxa, glúteo, pernas, joelho e tendão.

Abre o peito

Alonga as pernas, a lombar, a parte lateral das costas e do pescoço, abre o peito e leva os ombros para trás. Para entrar na postura, deixe os pés na largura do quadril, incline o corpo em direção à parede apoiando as mão e contraia a musculatura das coxas. Empurre a parede, afaste os ombros das orelhas, gire os braços ligeiramente para fora, deixe a testa e o queixo paralelos ao chão. A postura ajuda a aliviar dores na lombar e cria espaço entre o pescoço, as orelhas e o ombro, diminuindo a tensão.

Relaxa o pescoço

Este exercício descansa o coração, ajuda a diminuir a pressão arterial, relaxa ombros e pescoço e é bastante indicado para tratar insônia e má digestão. Dobre cobertores, sente sobre eles e deite, mantendo os ombros apoiados e a cabeça no chão. Apoie os pés em livros ou em cobertores dobrados para os calcanhares ficarem alinhados com a parte posterior das pernas. Respire profundamente, estique os joelhos, mantenha o queixo na direção do peito e relaxe o pescoço.

Alinha todo o corpo

Encoste toda a parte posterior do corpo na parede, inclusive os calcanhares, mantenha os pés juntos, cruze os polegares, abra bem os dedos e levante os braços. Deixe firmes os músculos da coxa, encoste a lombar na parede, sem contrair o abdome, e leve o queixo ligeiramente em direção ao peito. Estique os cotovelos. Permaneça por 30 segundos e troque o cruzamento dos dedos. Fortalece os músculos das coxas e cria espaço entre o pescoço e os ombros, aliviando as dores na região.

* Matéria publicada originalmente na Revista Vida Simples.

Qual a diferença entre suco, néctar e refresco? Por: Yuri Vasconcelos

20 de agosto de 2009

São várias. A principal está relacionada ao teor do suco de fruta presente na bebida. O suco, como o próprio nome sugere, é um produto composto por 100% de fruta in natura. “Segundo determinação do Ministério da Agricultura, ele não pode conter aromas ou corantes artificiais e a quantidade máxima de açúcar adicionada é de 10% de seu volume”, afirma Gisele Camargo, do Instituto de Tecnologia de Alimentos de São Paulo.

Existem algumas exceções a essas regras, como, por exemplo, os sucos de frutas tropicais, nos quais a polpa de fruta pode ser diluída em água potável numa proporção mínima de 35 % de polpa, dependendo do sabor. Já o néctar tem uma concentração menor de suco, que varia de 20% a 30% conforme a fruta. E, ao contrário dos sucos, pode receber aditivos, como corantes e conservantes.

O refresco por sua vez, tem um teor ainda menor de polpa de fruta. No caso do refresco de limão, esse percentual é de, no mínimo, 5%; no de maracujá, 6%; e no de maçã, 20%. Do ponto de vista nutricional, o suco é a bebida mais rica dos três, pois contém maiores quantidades de vitaminas e sais minerais. Para que o consumidor saiba exatamente o que está comprando no supermercado.

O Ministério da Agricultura obriga os fabricantes a estamparem no rótulo se a bebida é suco, néctar ou refresco.

* Matéria publicada originalmente na Revista Vida Simples.

Refeição em família faz bem para a saúde? Por: Yuri Vasconcelos

20 de agosto de 2009

Sim. Um estudo recém-divulgado pela Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, constatou que crianças que comem na companhia dos pais tendem a consumir alimentos mais nutritivos, como frutas e verduras, e ainda correm menos riscos de desenvolver hábitos nocivos à saúde, como fumar ou consumir drogas e álcool.

Para a nutricionista Cecília Quaresma, adepta da antroposofia, o resultado da pesquisa não chega a ser uma novidade e confirma algo que há muito se sabia. “Fazer refeições em família aprofunda o vínculo, fortalece a relação entre pais e filhos e aproxima as pessoas. Isso traz melhoria da saúde física, mental, social e espiritual de todos”, diz.

Atitudes positivas costumam surgir nas refeições em conjunto, como a atenção com o outro, o sentimento de compartilhar e a fraternidade. “Isso faz diferença na educação de uma criança”, afirma. Ao mesmo tempo, quando se alimentam junto com seus filhos, os pais sabem o que os pequenos estão comentando e podem orientá-los quanto aos alimentos mais saudáveis. “Outro aspecto que não pode deixar de ser considerado é que as crianças, principalmente nos primeiros sete anos de vida, aprendem muito por imitação. Se os pais se alimentam bem, essa atitude acaba sendo um grande referencial para elas, diz Cecília.

* Matéria publicada originalmente no Boletim Externo do Instituto Procardíaco

Além do arco-íris Por Lívia de Almeida

20 de agosto de 2009

Lembra a história da menina Dorothy no clássico O Mágico de Oz, que sai de sua terra natal em busca de um lugar sem problemas, muito além do arco–íris? Todos nós já imaginamos a vida assim, como um cenário ideal, num filme colorido, em que nossos desejos se realizam sem a menor dificuldade. No entanto, às vezes, você não faz nem idéia de como chegar lá. E pior: a jornada sempre tem percalços. O Homem de Lata está enferrujado. O Espantalho busca a felicidade. Após a farra consumista do final de ano, o Leão tem vontade é de sair correndo. Você passou o ano anterior sem exercícios, comendo sem cuidado e o bem-estar parece distante. Ou seja, a vida em preto-e-branco, o caos de um furacão. Como aqueles quatro amigos, você pode botar o pé na estrada e tentar encontrar o Mágico de Oz, que atenderá a todos os seus pedidos, ou lembrar que os tesouros mais preciosos estavam o tempo todo mais perto do que se imaginava.

O HOMEM DE LATA

COMO PENSA O ESPANTALHO?

CORAGEM DE LEÃO

E AÍ, DOROTHY?

 

 

O HOMEM DE LATA

Cenário real

A gente sempre arruma desculpas para adiar a visita ao médico ou para mudar hábitos do dia-a-dia. “O brasileiro não é muito disciplinado: esquece da consulta, tem medo de achar algum problema”, diz o gerente de Oftalmologia do Hospital Cema, Pedro José Cardoso. O médico e escritor Drauzio Varella toca na questão em seu site: “Sabemos exatamente o que fazer para não passar fome naquela semana, como reservar algumas horas para dormir, trabalhar ou fazer sexo, mas somos incapazes de modificar o mais elementar de nossos hábitos mesmo sabendo que as conseqüências poderão ser fatais. Não me refiro apenas a mudanças radicais como largar de beber, deixar de fumar ou de ter relações sexuais desprotegidas com múltiplos parceiros, mas especialmente aos comportamentos rotineiros: comer um pouco mais do que o necessário, passar o dia sentado, esquecer de tomar remédios e de fazer controles periódicos de saúde”.

O que você precisa saber?

Segundo o Censo do IBGE, no ano 2000 já havia 25 mil centenários cadastrados no Brasil. Para fazer parte deste grupo e envelhecer bem (ou, pelo menos, tentar), teremos que planejar as mudanças necessárias. Mas não é só isso: é preciso também criar metas realistas, para que a expectativa não seja alta demais e a gente acabe frustrado. Samia Simurro, psicóloga e vice-presidente da ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida), explica que existem diferentes estágios de amadurecimento para uma mudança: “Existe uma fase de pré–contemplação, quando a pessoa visualiza a mudança; a fase de contemplação, quando ela se informa; e a de ação, que marca o momento da mudança, na qual criamos estratégias para que a decisão funcione”.

E agora?

Trate da saúde do seu corpo antes que ele resolva reclamar. Um exemplo clássico é aquela famosa visita ao dentista apenas quando a dor de dente não pode mais ser ignorada. “A prevenção é o meio mais eficaz, mais barato e menos invasivo de investimento num sorriso bonito e saudável”, diz a dentista Andréa Dahdal. “Cuide de seus dentes na frente do seu filho, e faça isso com prazer. No futuro, ele vai gostar de ir ao dentista cuidar da saúde da boca”, afirma. Outra dica de prevenção, tão importante e tão simples quanto escovar os dentes e passar fio dental, vem do otorrinolaringologista Leandro Franchi: “Respirar nos grandes centros quer dizer respirar um ar poluído, com dificuldade; então, devíamos lavar o nariz com soro fisiológico, com a ajuda de uma seringa, todos os dias”.

A cada momento precisamos fazer escolhas, rever decisões, desde as mais simples até as mais complexas, projetando o futuro que realmente queremos. José Roberto Borin, assim como todos nós, nunca soube quanto tempo de futuro ainda poderá desfrutar, mas levou um susto quando seu irmão morreu de câncer e sua mãe teve um AVC isquêmico. Fumante desde os 15, sedentário, com histórico de diabetes na família, ele tremeu: “E agora?” Hoje seus filhos sempre sabem onde o pai está às 7 da manhã, em pleno domingo: correndo atrás da saúde e do bem-estar no parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo. É que Borin está se preparando para encarar os 87 km da Ultramaratona de Comrades, na África do Sul. Mas não pense que ele resolveu ser uma pessoa saudável da noite para o dia; levou algum tempo: “Em 99, eu entrei para o primeiro programa antitabagista do Banco do Brasil e parei de fumar. Aí, engordei. Então resolvi caminhar meia hora por dia junto com a Fátima, minha mulher. Passei para uma hora por dia. Só que dava um tédio... Comecei a trotar, a fazer uma corridinha de 1 minuto e andava 1 minuto, intercalava. Tomei gosto, e a corrida foi substituindo a caminhada”. Sempre com acompanhamento médico para conferir sua evolução, José Roberto Borin acredita que o mais importante mesmo foi ter chegado aos 53 anos com disposição e alegria de viver. “O meu conceito de vida foi mudando: eu criei um grupo de amigos, é um esporte que espairece a minha cabeça e eu posso interagir com gente de tudo quanto é idade e condição social.” Só não vale não fazer

 

COMO PENSA O ESPANTALHO?

Cenário real

Todos buscam a felicidade, mesmo sem saber onde ela se encontra. Mães que trabalham fora cobram, de si mesmas, mais tempo com os filhos; executivos estão sempre em débito com as empresas; profissionais liberais são dependentes de seus telefones celulares. Ninguém parece estar satisfeito com o próprio corpo, com a conta bancária, com o tempo livre disponível, com o sentimento de solidão. Casamentos se desfazem, parentes e vizinhos brigam. Às vezes, conseguimos aplacar o estresse e a ansiedade comprando pequenos prazeres, que nos dão um alívio passageiro. Outras vezes, tudo perde o sentido e adoecemos: a Organização Mundial de Saúde calcula que 20% da população mundial já sofreu ou vai sofrer de depressão em alguma fase da vida.

O que você precisa saber?

Que não há uma resposta pronta e definitiva sobre o que é felicidade, porque ela se manifesta de forma diferente para cada um. Filósofos e poetas, em épocas diversas, tentaram defini-la. E pesquisadores buscam decifrá-la: Jorge Oishi, doutor em estatística pela Universidade Federal de São Carlos, (SP), assessorou um projeto de pesquisa, em 2004, com 6000 entrevistas em 74 municípios paulistas intitulado Mapa da Felicidade: “Sentimos, na análise dos dados, a importância dos relacionamentos interpessoais”. Além disso, um dos fatores que apareceu com força e que chama a atenção nos resultados da pesquisa (em 3º lugar) foi a importância da religiosidade ou espiritualidade como principal mola propulsora da felicidade. “Considerando que uma pessoa religiosa tem muito mais probabilidade de ser sociável, é bom saber que esse número de pessoas está aumentando, principalmente entre os jovens”, explica Jorge Oishi.

No livro O Amor Companheiro – A Amizade, Dentro e Fora do Casamento, o psicanalista Francisco Daudt mostra que a nossa espécie tem uma característica formidável chamada neotenia, que significa podermos continuar com qualidades da infância pela vida afora - como a imaginação, a curiosidade, a capacidade e o gosto de aprender, de se deslumbrar, de se encantar. Mas, em primeiro lugar, é preciso respeitar-se. Isso vale também para os enamorados que só andam grudados e querem saber, a todo instante, o que o outro está pensando: “Não deixe que a instituição do casamento seja maior do que vocês dois, como indivíduos; dane-se o senso comum que pede que vocês andem de mãos dadas no shopping”.

E agora?

O escritor americano Joseph Campbell (1904-1987), um dos maiores estudiosos de mitologia e história das religiões (inspirador, inclusive, do cineasta George Lucas na concepção de Guerra nas Estrelas), dizia que o que estamos procurando não é um sentido para a vida, mas a experiência de estarmos realmente vivos, de forma que a realidade exterior tenha ressonância no interior do nosso ser. Djair Guilherme e Claudia Pucci tinham sempre a sensação de que o que estavam fazendo era apenas “uma gota no oceano”. E sofriam de solidão nas principais fases de transição da vida diante das dificuldades de cada etapa. Encontraram sua maneira sua de viver dentro do Movimento Humanista, criado na década de 70 por um argentino chamado Silo (Mario Luis Rodrigues Cobos) para estudar as causas e as alternativas ao sofrimento do homem. Entre seus princípios, está considerar o ser humano como valor central, a nãoviolência ativa e a não-discriminação. “Temos práticas de trabalho pessoal, de meditação e retiros. E temos frentes de ação, onde organizamos grupos para desenvolver atividades”, conta Claudia. Djair começou ensinando a mexer na internet e criando projetos de reciclagem e doação de computadores. Mas bem podia ser a criação de uma publicação independente ou um grupo de teatro - na periferia ou em um bairro chique da cidade. Eles explicam que essa necessidade de reconhecer seu próprio valor e sua força existe em todo lugar. Hoje, casados, querem educar o filho Pedro dentro dessa mesma postura: “Quando você sabe que está construindo alguma coisa, isso é um alimento espiritual muito forte, é revolucionário”.

 

CORAGEM DE LEÃO

Cenário real

Apesar da expectativa de vida chegar aos 72 anos, apenas 16% da população brasileira já se preocupa com um plano de previdência, segundo o consultor financeiro e autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, Gustavo Cerbasi. “Segundo dados da Serasa, 50% dos inadimplentes são jovens de até 30 anos”. Ou seja: é preciso pensar agora no seu amanhã.

O que você precisa saber?

Que nossa relação com o dinheiro diz muito sobre o que a gente pensa sobre segurança, as ambições e desejos que cultivamos, a nossa auto-estima. Você sabe onde gastou os últimos 100 reais? Despesas pequenas, que a gente costuma desprezar, abocanham um bom montante, na ponta do lápis. Quanto ficaram os filmes que você devolveu à locadora sem ter assistido? Por falar nisso, já reparou como nosso convívio familiar e social está quase sempre mediado pelo consumo? Quando a gente quer uma pausa no trabalho ou vai folhear uma revista, faz o quê? Vai tomar um cafezinho na padaria. Sábado à noite é dia de sair para comer fora; programa de pai é levar a criançada ao cinema do shopping. Às vezes é preciso ter coragem para ousar: que tal uma reunião em que cada amigo traz um prato? Ou levar o filho para dar uma volta no parque? Agora, não precisa exagerar também: depois de equilibrar as contas e guardar um percentual para a futura aposentadoria, não é pecado se dar o direito de alguns luxos quando sobra um dinheirinho na conta: gastar em um jantar romântico, criar uma nova poupança para a viagem sonhada, dar uma renovada no guarda-roupas. “É dessas oportunidades que vem a verdadeira sensação de bem-estar financeiro. Consumir sem culpa. Recarregar as pilhas”, afirma Cerbasi.

E agora?

Faça uma planilha simples, anotando todos os seus gastos, para decidir o que pode ser cortado do orçamento. Mas não transforme isso numa nova burocracia para a vida porque, daí, as chances de se cansar e desistir são grandes. Para começar, uma hora ao final de cada mês é o suficiente. Agora, se você descobrir que gasta mais do que ganha, não tem jeito: declare guerra às dívidas. Segundo Gustavo Cerbasi, o ideal é ter, na poupança, três vezes o seu consumo mensal. Quem tem uma reserva de emergência estaria preparado para eventuais surpresas e tem tempo para retomar a vida normal. Portanto, cuidado com as compras a prazo, porque elas podem desequilibrar todo o seu orçamento. Hoje, o crédito está fácil e os juros são baixos... mas só para conseguir o financiamento. “Para o inadimplente, os juros podem chegar a 14% ao mês, num atraso”, diz Diógenes Donizete Silva, do Procon-SP. Então, é melhor guardar o dinheiro, esperar e pagar à vista. De preferência, negociando um desconto com o gerente da loja - porque os juros altos já estão embutidos no preço.

 

 

E AÍ, DOROTHY?

Cenário real

Segundo o Instituto Akatu, se os padrões de consumo e produção se mantiverem como hoje, em menos de 50 anos serão necessários dois planetas Terra para atender nossas necessidades básicas.

O que você precisa saber?

Uma boa parcela da população já aderiu ao consumo consciente de água, eletricidade e combustíveis. Uma torneira pingando significa 46 litros de água por dia indo pelo ralo, à toa. Por isso, é importante estar bem informado sobre o estado do nosso planeta. Ângela Antunes, diretora do Instituto Paulo Freire, que trabalha com educação sustentável, dá a dica: “Poderíamos nos perguntar quantas coisas boas aprendemos com pessoas diferentes de nós. Mas, também, lembrar quem (e o que) está ausente: o que está faltando - e para quem. Como podemos incluir mais pessoas na perspectiva do bem-viver?”A chave está no diálogo. E no aprendizado.

E agora?

A preocupação com o planeta passa pela conscientização de todo o seu círculo de conhecidos. Vai longe o tempo em que era considerado chato aquele que falava em sustentabilidade. Agora, é questão de sobrevivência. Gaste seu latim, forneça informações e dados para quem ainda não se convenceu de que defender o planeta é assegurar a vida das próximas gerações. Conversar e informar: eis uma receita sustentável para 2008.

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples.

Exercício físico para o paciente hipertenso Por Maristela Magnavita - cardiologista (CRM 9834)

20 de agosto de 2009

O tratamento medicamentoso é muito importante, mas um estilo de vida mais saudável é imprescindível. Entre os hábitos saudáveis, a prática regular de exercícios físicos é uma das maneiras mais eficazes para reduzir os níveis de pressão.

O exercício físico traz efeitos agudos imediatos e também por longo prazo. Sabe-se que após uma sessão de atividade física a pressão diminui e permanece abaixo dos níveis antes do exercício. Este efeito dura entre 14 e 22 horas. A realização de atividade física de forma regular promove adaptações da circulação e melhoria do sistema cardiovascular, ajudando a tratar e prevenir diversas patologias. Praticar exercícios físicos também ajuda a controlar a pressão arterial em situações de esforço e de estresse mental.

Deve-se ressaltar que é muito importante ter uma avaliação clínica-cardiológica antes do início dos exercícios e também o acompanhamento clínico do paciente hipertenso pelo médico.

Como realizar o exercício físico?

O hipertenso, preferencialmente, deve realizar atividade física do tipo aeróbia, com exercícios de longa duração, que envolva grandes grupos musculares, em movimentos repetidos, como andar, correr, pedalar ou nadar.

A duração do exercício deve ser de 30 a 60 minutos e com freqüência de três ou mais vezes na semana.

Para saber com que intensidade deve-se realizar a atividade física recomenda-se calcular a freqüência cardíaca (FC) de reserva (veja abaixo o cálculo).

Para os sedentários preconiza-se o exercício com 50% a 70% da freqüência cardíaca de reserva e para os já condicionados 60% a 80% da freqüência cardíaca de reserva.

FC de treinamento= (FC máx – FC rep) x % recomendada da FC + FC rep

FC máx = freqüência cardíaca máxima medida no teste ergométrico

FC rep= freqüência cardíaca de repouso medida após 5 minutos deitado

Não é proibido fazer musculação, ou seja, os exercícios de resistência muscular localizada, mas deve ser apenas como complemento do exercício aeróbio, com uma sobrecarga que não deve ser maior que 50% a 60% da contração voluntária máxima. 
O orientador físico é o profissional habilitado para a orientação e acompanhamento do treinamento físico, visando a aquisição dos benefícios da atividade. Porém, se não quer ou não pode ter um “personal trainer”, não deixe de fazer exercícios, ainda assim, os benefícios são enormes, pode ser caminhadas, esteira ou bicicleta.

Converse com seu médico!

Referências

V Diretrizes Brasieleiras de Hipertensão Arterial, 2006.

Laterza MC, Rondon MUPB, Negrão CE. Efeito anti-hipertensivo do exercício. Revista Brasileira de Hipertensão 2007; 14:104-11.

* artigo inédito escrito especialmente para o Portal Procardíaco.

Afinal, quem é você? por Alessandro Meiguins

20 de agosto de 2009

Como seria uma vida sem espelhos? Sem registros de nossa própria aparência? Sem imagens, desenhos ou fotografias de nós mesmos? Sem que soubéssemos o contorno do nosso perfil, a proporção da boca diante das sobrancelhas e nariz? O comprimento das orelhas, a coloração dos olhos? Veríamos todo o mundo, mas não nos veríamos.

O que seríamos, sem nos vermos?

Ou, pelo contrário: como seria uma vida cheia de espelhos? Se só pudéssemos ver nossa face em todas as outras faces? Muitos e muitos registros de nós, da nossa expressão? Tudo que olhássemos seria mudado por nosso modo de ver a vida, pelo jeito de falarmos, pelo jeito de ouvirmos? Não veríamos o mundo, apenas a nós mesmos.

O que seríamos, só nos enxergando e mais nada?

As hipóteses acima não são apenas suposições delirantes e distantes, como parecem. Elas representam realidades concretas do nosso universo. Relembre, você já pode ter agido assim (eu admito que já o fiz, e faço). No primeiro caso, como e quando isso se daria? Nas vezes em que mal nos enxergamos, ou pouco nos conhecemos para delimitar com certeza nossos reais dons e vontades. Fases sem nitidez, clareza, quando as obrigações cotidianas parecem tomar conta de tudo... Na outra banda, há momentos em que só enxergamos o mundo – e nossas relações nele – conforme o que queremos, e distorcemos tudo a nosso bel-prazer. A realidade que se adapte!

Situações opostas, verdade, e nem sempre freqüentes, mas que mostram uma ínfima parte do imenso universo que forma a personalidade de cada um. Nela, essência, heranças, aspirações, desejos e sonhos se misturam a relações, máscaras, responsabilidades, dores, alegrias... No meio dessa salada completa do tamanho do (seu) mundo, está a resposta para a pergunta da reportagem que você irá ler nas próximas páginas. Uma pergunta que também ultrapassa toda e qualquer letra impressa.

Quem somos nós, afinal?

Genética de bamba!

Sem sombra de dúvida, ao chorar o bebê recebe tudo de que precisa. Leite quentinho, troca de roupa, balanço do chocalho, atenção, abrigo, amor. Basta chorar, ou pedir, e voilá, lá vem mamãe ou papai atender as necessidades. Aos poucos, inevitavelmente, esse cenário muda. O bebê se torna uma criança e começa a participar daquela outra vida além do berço, o mundo dos adultos. Tem hora para comer, para dormir, para brincar, para deixar de usar fraldas. Além disso, ela passa a reproduzir o que vê, o que ouve, o que compreende e apreende da vida familiar. Copia tudo, mesmo porque seus genes a ajudam nessa tarefa. Explicação: por muito tempo se definiu que a personalidade nascia na infância, nos primeiros sete anos de vida. Mas estudos recentes, de algo conhecido como genética comportamental, afirmam que desde o momento em que seus cromossomos X e Y determinam seu sexo, seu lindo olhar e seu jeito de gingar, eles também influenciam as características do seu “perfil de personalidade”, como relata o psicólogo americano Steven Pinker no livro Tábula Rasa. Bom humor seria hereditário, assim como ouvido musical ou aquela inclinação à leitura. Mas não é só isso, claro.

Somada aos genes, é nessa convivência familiar e na necessidade de interação que a personalidade embrionária dá seus primeiros passos. “Suco”, a criança diz, e às vezes trazem suco, às vezes não. Por que, ora bolas, só às vezes? E se gritar, vem? E se chorar? E se sorrir, ou beijar, ou abraçar? A criança testa os caminhos, percebe que alguns não funcionam. Até que compreende como fazer pontes com a realidade exterior – e como pedir um suco, uma bola e, incrível, que seu pai brinque com ela mesmo com aquela cara de cansado. Em outros momentos, a criança não entende nada, se assusta, fica com medo – e cria proteções, barreiras contra o mundo. Por que não podia rir alto naquela casa grande chamada de igreja? Por que ficar de castigo por subir na mesa e se pendurar no lustre? “Nesses momentos difíceis de relação com o mundo, montamos defesas para proteger e esconder as emoções. Nascem nossas máscaras”, diz a psicóloga e terapeuta corporal Maria das Graças Casarsa, especializada em Core Energetics, terapia focada em dissolver bloqueios emocionais utilizando o corpo como instrumento de diagnóstico.

Armadilhas internas

Mesmo com essa característica protetora, as máscaras são funcionais e nos ajudam a estabelecer formas de comunicação. Com elas, vestimos inúmeros códigos sociais. Nos adaptamos às regras de comportamento do ônibus escolar, do trânsito estafante, do vôo intercontinental. Registramos nossa identidade, usamos carteira com documentos, pagamos as contas (quase) em dia, conversamos com clientes, vendemos nosso peixe, enviamos e-mails, paqueramos, amamos, brigamos. “A personalidade com máscaras não tem um caráter negativo, pois essa estrutura apresenta o indivíduo, com seus dons e suas aspirações, ao ambiente social”, explica Elizabeth Zimmermann, presidente da Associação Junguiana do Brasil.

Mas no quesito “quem somos nós?” é preciso dizer que esses instrumentos da persona têm sua contra-indicação. Seriam um pouco intrometidos e surgiriam mesmo quando não fossem convidados para a cena. Para completar, durariam por toda a vida. Quer um exemplo? Esse é clássico. Lá está você levando aquela bronca da(o) esposa(o), mesmo quando você é que está com a razão. Em vez de retrucar, dialogar, debater, se encolhe, assustado, pois foi assim que você se safou quando levava um pito de igual porte da(o) sua (seu) mãe (pai), nos idos da infância. A máscara já não é mais útil, mas aparece mesmo assim. Imagine que isso aconteça muitas e muitas vezes, até o ponto – seja na idade que for – em que você cria uma imensa máscara, para tudo e para todos. Antes de qualquer agressão, melhor se defender, não? Ficar em uma bolha emocional, auto-isolante das fortes emoções do mundo. E incapaz de mostrar a si mesmo, tão automatizado que estaria. Como os peixes que são vendidos em feiras, nadando presos em sacos plásticos com água. E agora? É isso? Isolado e acabou? Talvez seja melhor abrir a couraça, não? “Quando começamos a sentir as amarras que algumas máscaras trazem, começa o processo de reconstrução de sua personalidade, de uma forma mais aberta às emoções. E começamos a expressar a nós mesmos de forma mais verdadeira”, diz Maria das Graças Casarsa.

Espelho, espelho meu

Mas como descobrimos essas tais amarras? Existe algum tipo de manual para achar nossas travas, nossos escudos? Na fala de todos os especialistas consultados, as dicas são simples. De certa forma, o espelho vai nos ajudar. A princípio, deixe de lado o que está no banheiro e use um tirado da sua imaginação. Quando não se sentir bem e sua relação consigo mesmo não estiver tão boa, reveja suas atitudes, como se estivesse vendo um filme. Como naquele dia em que, digamos, você queria tanto ter terminado o relatório, mas foi protelando o trabalho até ser tarde demais para fazê-lo durante o expediente. Levou o trabalho para casa, mas no meio do caminho encontrou uns amigos, parou e resolveu deixar para o outro dia, antes da primeira hora. Então a noite dá lugar a uma nova manhã, mas a cama estava daquele jeito, no ponto, e nada de você levantar cedo. Começa o expediente, e lá vai você duplamente atrasado inventar para a chefia que teve um problema em casa, mas que logo termina tudo. Nesse exemplo trivial, a máscara está nas mentiras que você mesmo se prega. E nas desculpas esfarrapadas que inventa para si e para os outros sobre seu desempenho profissional.

E, em se tratando dos outros, pode acreditar que suas relações podem ser de extrema valia para você se enxergar melhor. Sem exageros ou mansidão. Se todo mundo fala que você é organizado, talvez valha a pena dar crédito a isso. Você pode ser, sim, dessa forma. Mas a questão maior que envolve as máscaras é se você é organizado para os outros verem e falarem disso e você abrir sua cauda de pavão, ou se você é organizado de verdade. Aliás, tudo que faz parte do seu universo exterior vai, de um jeito ou de outro, refletir uma parte de você. No outro extremo das suposições, o carro bagunçado e sujo pode ter múltiplos significados. Um, você está sem dinheiro e tempo para lavar a máquina. Pronto, sem drama. Dois, você não liga para sujeira e é bagunçado por natureza. Ok, tudo certo. Três, você entra em crise com aquela bagunça, que parece dizer que toda sua vida está uma zoeira. Existem mais opções, claro. Anote a sua. E, quando possível, bata um papo com alguém que possa ouvi-lo com um pouco de isenção. Para mim, um diálogo desse tipo aconteceu de surpresa, mas foi importantíssimo. Conto no próximo parágrafo.

Em análise

Já passa de 12 anos que Marcelo conversa, sem parar, com pessoas de todos os tipos. Faz parte da sua rotina, e além de tudo é algo que lhe dá prazer. Escuta com paciência, anota os trechos mais importantes, espera a deixa correta e fala. Muito, por sinal. Sempre com o mesmo tom de voz, com olhar de amigo, gesticulando de forma animada. Afinal, ele é médico e está lá com os ouvidos atentos e a verve inspirada para ajudar, cuidar. Precisa ser franco o tempo todo, e assim o é com apenas uma exceção. Um assunto que ele menciona para poucos (“porque poucos entendem”, como ele diz), mas que percebe em todos: as pessoas se apegam às suas próprias aflições. E olhe que ele não está falando de doenças ou sintomas físicos, mas de um modo de viver a vida em desarmonia e criar repetidas vezes problemas e inquietudes. Foi isso que ele me mostrou, sobre mim mesmo. Estava lá na minha ficha, pude conferir, estupefato. Após oito anos de consultas, retornos, abandonos, freqüências e tratamentos, eu voltava ao consultório para repetir as queixas. Uma dor aqui, outra acolá, todas causadas pelo mesmo jeito de viver. Pelo jeito que criei ou, até, pelo jeito que eu sou – e isso é difícil de admitir.

Ao olhar suas anotações, cheias de frases que pontuaram minhas consultas, percebi que não havia remédio que pudesse melhorar minhas dores, a não ser eu mesmo. Mas por quais motivos criara um modus vivendi que me trazia preocupações, dores, ansiedade? Isso veio ao encontro de muitas leituras que fiz para esta reportagem, e a resposta me atingiu em cheio, dando nó nas entranhas. “Todos temos uma propensão a nos auto-enganar. Ela reside na capacidade que temos de sentir e de acreditar de boa-fé que somos o que não somos”, diz Eduardo Gianetti em Auto-engano. Ou, em outras palavras, podemos muitas vezes buscar mudanças e até o autoconhecimento, sem nunca arredar pé da estaca zero. Conhecer a si mesmo exigiria um pouco de isenção, para não dizer humildade, para ver nossos defeitos. E depois muita vontade para mudá-los. “Vontade para viver bem”, como disse o médico Marcelo Jovchelevich. Nesse momento, lembrei-me da teoria de uma pessoa que considero de bem com a vida, o precursor da ioga no Brasil, professor Hermógenes, que inventou o termo “egoesclerose”. Dessa forma ele classifica como “iludidas” as pessoas que se vêem muito acima do que são.

E isso é preciso ser dito, caro leitor. Se você vai pesquisar a si mesmo, pode ser que se dê conta de comportamentos e vícios emocionais que não lhe agradem. Eu com certeza não gostei de muitos insights que tive durante a pesquisa desse assunto. Tanta coisa nada bacana em mim, bem diferente do que eu projetava no espelho, do que via de cima do pedestal. A boa nova lhe falo pessoalmente, sem recorrer a experts: tropeçar nesses entraves me trouxe mais para o chão, e a vida ficou mais real. Com muito mais poesia e sabedoria, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) deixou registrado, em seu clássico Além do Bem e do Mal, um consolo para esses momentos de descoberta: “Quando a alma jovem, martirizada por puras desilusões, finalmente se volta desconfiada sobre si mesma (...), como se enraivece então, como se vinga por sua demorada auto-obcecação, com se ela tivesse sido uma cegueira voluntária! (...) Nessa transição (...) compreendemos que tudo isso era ainda juventude!” Ou seja, muita calma nessa hora! A palavra maturidade, não importa o número de velinhas que sopre em seu aniversário, ajuda na exploração interior. “Identificar quais emoções tentamos esconder por trás das máscaras, como vergonha, medo, orgulho, é o primeiro passo”, diz Maria das Graças. “Quando descobrir algo, trabalhe a questão sem pressa. Não se trata de passar de ano, é seu processo de reforma, de encontro. Faça no seu ritmo”, orienta a psicóloga.

Encruzilhadas

Sem tanta parcimônia, algumas defesas que temos simplesmente evaporam após intensas experiências que não nos deixam opções, a não ser sentir “pra valer” a vida. Como nos emblemáticos ritos de passagem – o nascimento, o casamento, a morte, o renascimento –, cheios de vivências tão transformadoras. Não era exatamente o que Tiche Vianna buscava, mas para ela o gravíssimo acidente de carro que sofreu dez anos atrás trouxe um incrível renascimento. A morte rondou sua vida, e por um tempo ela “quase não retornou” do longo coma. Quando acordou, veio resoluta: para continuar a viver, faria de cada instante uma experiência urgente e imprescindível. “Eu simplesmente não tive escolha. Fui obrigada a aumentar a intensidade do que vivia, ou estaria morta”, diz. Nesse novo batismo, ela pôde enfrentar inúmeras barreiras internas – principalmente porque ela é bastante familiarizada com o tema. Tiche ensina a seus alunos da companhia de teatro Barracão, em Campinas, como desenvolver suas próprias máscaras. Até por saber bem como foi difícil remover algumas barricadas emocionais, Tiche faz questão de se manter inquieta, sem se acomodar. “O mais importante para mim foi reconhecer os passos que dei na vida, assim como os que não tive coragem de dar. Com isso, aprendi que sem riscos não há vida.”

Outro inquieto com quem pude conversar foi Federico Marmori, um italiano simpático que nasceu em Roma, tem casa em Paris e faz doutorado na China. Prefere comer pouco, mas sua família não vê sentido nisso. A cada visita que faz a seus tios passa, praticamente, todo seu tempo com eles à mesa, seja por um dia, um fim de semana ou mais. Pão, vinho e saladas em demasia não o impedem de ser submetido a um ou dois pratos (enormes) de pasta fumegante, com muito molho, em cada uma das refeições. Federico não se importa, chega a ser um momento nostálgico para ele, que mudou todos os hábitos familiares em nome de uma saúde equilibrada. Tudo começou em uma viagem que fez ao Nepal, quando tinha 18 anos (hoje ultrapassa os 50, sem definir em quanto). “Foram meses e meses andando por estradas lamacentas, experimentando provações. Para conseguir comida e abrigo, me comunicava através de sinais. Muitas vezes dormi ao relento, observando as estrelas, e a solidão sem fim daquela jornada mudou minha vida completamente”, conta.

Até hoje, quando começa a falar de experiências de vida, Federico sempre cita essa viagem – feita há mais de 30 anos. E complementa: “Um dia, faço de novo. Foi ali que descobri quem eu era, adquiri os hábitos que me norteiam e decidi estudar plantas medicinais”. Através de uma simples escolha – realizar uma longa viagem –, Federico traçou um novo molde para sua vida, diferente do que recebera na educação paterna, e que se mantém firme e forte, apesar dos apelos. Que não vêm só da família, diga-se de passagem. Influências e sugestões recebemos de todos os lados, da mídia e da indústria da propaganda. Existem muitas propostas de alienação, que passam pelas roupas que precisamos vestir para estar na moda e chegam aos restaurantes a que precisamos ir para sermos vistos e comentados. “É preciso olhar para sua própria vida e construir seus próprios significados. O cultivo da própria personalidade é uma iniciativa que irá ajudar na construção da realidade que você decide viver, e não a que os outros lhe impõem. Um cidadão de bem, aliás, deve ajustar a sincronia da sua vida a si mesmo”, diz Marcos Ferreira, membro do Conselho Nacional de Psicologia.

A receita

Bem, aqui estamos a poucas linhas do fim da reportagem. Se eu conseguisse arriscar uma só dica que fosse a campeã para a investigação da persona, eu falaria que mudar a freqüência seria a chave para vermos aquilo que, muito provavelmente, está escrito na nossa cara. Em correspondência a isso, mover a câmera da nossa percepção por dentro, por fora, em nós e nos outros. Rever nosso “fundo das emoções”, questionar a beira rasa dos hábitos diários. Anotar gostos, desgostos, afetos, preferências, manias, gírias, cacoetes. Experimentar dizer diferente, falar de outra forma, sentir o que se sente. Aceitar nossas semelhanças, valorizar nossas particularidades. Em suma, ver, de verdade. “Ousar saber quem se é para poder repensar a vida e tornar-se quem se pode ser”, como afirma Gianetti em seu livro citado anteriormente.

Mas eu, definitivamente, abro mão de saber qual seria o caminho das pedras nessa busca tão pessoal. Prefiro que pensemos juntos em um enorme painel. Onde você pudesse colocar todas as fotos que tem de você mesmo (e as que já perdeu ou rasgou ou xingou e jogou fora). Junto a elas, não economize: anexe as imagens de pessoas importantes de sua vida. Isso, deixe o mural completo, sem faltar nada nem ninguém. E faça de conta que ele existe, digamos, em alguma parede da sua casa. Uma que estivesse no seu caminho quando fosse deixar o recinto, ir para a rua e encarar a labuta. Todos os dias você escolheria uma foto. Em um dia, você olharia para a parede de fotos e seria, novamente, uma criança a jogar bola com os moleques da rua. Noutro dia, voltaria a ser parte da turma da faculdade, cantando a pleno pulmão um dos hits daquela época.

E em um belo dia, sem mais nem menos, você seria apenas o ponto zero, o que não está escrito, o que não foi feito nem fotografado ainda. Seria o ator principal da sua próxima imagem, aquela que você construísse, com consciência, para si e para o exame do mundo. Enfim, um dia, seria você o autor da sua própria identidade, da sua própria vida. Dono da sua imagem.

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples.

Esporte em família por Roberta De Lucca e Priscilla Santos

20 de agosto de 2009

Virou bordão dizer que as crianças não brincam mais na rua devido à falta de segurança nas cidades e que a diversão está sendo substituída pelos videogames. As afirmações infelizmente são fato e se transformaram em problema mundial. Porém, não podemos nos esquecer de que os exercícios físicos são ingrediente essencial para a vida, a saúde e a sociabilidade tanto dos pequenos quanto dos mais crescidos. Então, por que não unir o útil ao agradável e começar a mexer o corpo junto com seus filhos? Isso sim é que é dar exemplo. E, quem diria, comprovado cientificamente. Uma pesquisa feita na Universidade de San Diego, Califórnia, concluiu que filhos de mães ativas têm duas vezes mais chances de serem ativos do que os de mães sedentárias. Essa probabilidade salta para três vezes e meia quando se trata de o pai ser o cheio de energia e para quase seis quando ambos praticam atividades físicas. Mais do que servir de referência, quando os pais também entram na brincadeira estão agarrando a oportunidade de passar mais tempo com os filhos, de conversar, rir e superar dificuldades juntos. O que só faz o relacionamento ganhar em força e cumplicidade. “Hoje, os pais trabalham fora, estão sempre correndo. É legal reservar um horário para praticar atividades juntos. Dizer ‘a partir de agora, todo sábado vamos jogar futebol’, ou ‘todo domingo vamos andar no parque’. Você acaba criando uma tradição na família”, diz a psicoterapeuta Betina Serson, de São Paulo.

Quer mais argumentos? Ao contrário do que se possa pensar, a educação física na escola não supre a necessidade de exercícios para uma criança. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos concluiu que, nessas aulas, apenas 20% do tempo é dedicado à prática de exercícios. O restante é gasto com chamada dos alunos, formação dos grupos, explicações da prática. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que as crianças pratiquem ao menos uma hora de atividades físicas, de nível moderado a vigoroso, cinco vezes por semana. Portanto, apenas o colégio não dá conta do recado. É aí que os pais entram. Confi ra a seguir que tipos de atividades físicas você pode praticar com seus filhos, de acordo com a idade deles, e mãos à obra.

0 a 6 anos

O estímulo ao corpo começa quando os filhos ainda são bebês. “Nos primeiros meses de vida, os pais devem mexer pernas e braços da criança e incentivá-la a se movimentar quando ela começa a engatinhar, pegar objetos e dar os primeiros passos”, diz Mauro Guizelini, professor da Faculdade de Educação Física da Uni - FMU. Esse roteiro se repete até cerca de 2 anos, quando a criança adquire autonomia motora. Daí até os 6 anos, ela descobre e aperfeiçoa aptidões como andar, correr, saltar, arremessar, rolar, equilibrar. Além de fortalecer a musculatura e o crescimento dos ossos, essas ações estimulam os ciclos hormonais do organismo, regulando o crescimento e a qualidade do sono e da atividade. “Nessa fase, a criança não tem padrão motor para praticar esportes com seriedade, mas é um período muito rico, de alfabetização do movimento”, diz Arnaldo José Hernandez, chefe do Grupo de Medicina do Esporte do Hospital das Clínicas de São Paulo.

QUE FAZER:
- Natação para pais e bebês, praticada de forma recreativa. A criança faz força para se manter boiando, batendo os braços e as pernas e trabalha a respiração. 
- Ioga para mães e bebês a partir dos 3 meses de idade. O pequeno fica apoiado na mãe enquanto ela pratica posturas de ioga que fortalecem os músculos usados no parto. Ele também faz posturas, manipulado pela mãe. 
- Brinque de pega-pega, amarelinha, esconde-esconde. A partir dos 4 anos, a criança já entende regras básicas. Introduza a queimada, o rouba-bandeira. 
- Use um minigol ou uma rede de vôlei baixa. A criança não vai aprender a jogar vôlei, mas vai saber que tem de arremessar a bola para o lado de lá da rede. Atenção: não adianta só diminuir o tamanho dos equipamentos e submeter seu filho a regras e exigências além de sua capacidade.

6 a 12 anos

A criança está apta a aprender os princípios dos esportes. “Ela já assimila atividades mais programadas, porque desenvolveu um vocabulário de movimentos”, diz Hernandez. Mas não especialize seu filho em uma só modalidade esportiva até os 12 anos. “O ser humano precisa ter múltiplas experiências para desenvolver todas as habilidades. Isso é saúde em atividade física”, afirma Guizelini. É importante deixar seu filho escolher que tipo de atividade ele quer praticar, como e até em que momento. “Ninguém melhor do que a própria criança para orientar a brincadeira e o instante de parar”, afirma a educadora Jany Pereira, do Museu de Educação e do Brinquedo da USP. A liberdade de escolher praticar tênis, por exemplo, e mudar de idéia dois meses depois também é fundamental.

Lembre-se sempre: a criança não pode ser obrigada a praticar uma atividade de que não gosta, só para satisfazer os pais. Aliás, é esse um dos motivos para meninos e meninas abandonarem o esporte e se tornarem até mesmo sedentários. E não coloque em seu filho a expectativa e o peso de que ele seja um grande atleta. O primeiro passo para ter um campeão em casa é não visualizá-lo quando o pequeno pede para ir a uma escola de futebol. Embora sonhe em ser um Kaká da vida, a criança só começa a aprender um esporte para valer a partir dos 12 anos, em média (modalidades específicas, como ginástica olímpica, começam mais cedo). “Embora grande parte das atividades feitas antes dessa idade seja pura curtição, elas são fundamentais para o desenvolvimento humano”, diz Hernandez.

O QUE FAZER:
- Comece a ensinar o jeito de pegar na raquete de tênis ou de bater um pênalti, por exemplo. Mas sem regras. “É comum os pais dizerem que é para chutar assim ou arremessar assado. Mas, nessa faixa etária, é difícil para a criança ter uma técnica perfeita”, diz a pediatra e médica do esporte Ana Lúcia de Sá Pinto. 
- Parta para os esportes de quadra quando a criança estiver por volta dos 8 anos, idade em que começa a entender melhor as regras. Como a diferença de altura ainda é grande, vôlei e basquete, por exemplo, valem mais como brincadeira. 
- Jogue pingue-pongue, esporte considerado intergeracional. 
- Corra e ande de bicicleta. As modalidades individuais são bacanas porque não há atrito entre os jogadores, o que, com a diferença de tamanho e força entre adultos e crianças, aumentaria o risco de o pequeno se machucar.

12 a 18 anos

Seu filho já pode respeitar as regras do esporte e levar a prática mais a sério, seja para ter boa forma ou para competir de verdade e levar isso adiante na idade adulta. É bom ficar de olho para que o treinamento dele seja adequado, de acordo com seus limites. É o caso de checar com um especialista se vocês podem seguir a mesma planilha de corrida, por exemplo. Em caso negativo, melhor irem juntos ao parque e se encontrarem somente ao final do treino.

Mas, se a atividade for saudável e prazerosa nunca se esqueçam de que vocês estão entre família e todos querem passar bons momentos juntos , não esmoreça logo agora. Estudos feitos na Universidade de San Diego, Califórnia, apontam que os adolescentes que praticam atividades físicas têm 35% de chance de se tornarem adultos ativos. Já para os sedentários, pobrezinhos, só há 2% de esperança de que eles saiam da inércia.

E prepare-se, porque vem pela frente muita agitação. Nessa fase da vida, não tem jeito: é mais fácil os pais acompanharem os filhos que os filhos se renderem às práticas dos pais. “O adolescente necessita de uma atividade com maior desafio, que lhe proporcione uma dose de adrenalina. Raramente você vai convencer um garoto a fazer caminhada com os pais”, diz Luís Carlos de Oliveira, instrutor de pesquisas do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs).

O QUE FAZER:
- Esportes de aventura: skate, arvorismo, tirolesa, rafting e escalada urbana são exemplos. Equipamentos para tirolesa e paredes de escalada são encontrados em academias e centros esportivos nas cidades. Faça um diagnóstico com um profi ssional de educação física antes de iniciar as atividades para ver se você ou seu filho precisam de alguma preparação prévia. 
- Parta para as provas de aventura, que acontecem no meio rural e envolvem diversas modalidades esportivas, como caminhada, corrida, natação e até canoagem. Embrenhados no mato, vocês terão que traçar planos e estratégias para chegar à reta final. “É uma oportunidade de criar uma equipe com o pai, a mãe e os filhos, o que solidifica a relação da família”, diz Ana Lúcia de Sá Pinto. 
- Não estão a fim de tanta emoção? Escolham o esporte que mais agrade a todos. A habilidade e a coordenação motora estão mais parecidas do que nunca. Que tal convencer o filhão a jogar aquela pelada com você e seus amigos?

NÃO SE ESQUEÇA DE:

ALONGAR-SE E AQUECER-SE PARA PREPARAR O CORPO PARA OS EXERCÍCIOS. Isso é essencial em qualquer idade ou seja, é válido também para seu filho, desde pequenino. Faça sempre movimentos lentos com os braços e pernas, durante cinco a dez minutos. No caso dos bebês, os pais é que devem movimentá-los. As crianças maiores podem correr ou andar de bicicleta de cinco a dez minutos antes de iniciarem uma prática esportiva. É importante que os dois se alonguem também ao fim da atividade.

OFERECER ÁGUA À CRIANÇA DURANTE OS EXERCÍCIOS. “Não espere que ela tenha sede e peça água. As crianças têm uma facilidade maior para se desidratar”, diz a pediatra Ana Lúcia de Sá Pinto. Nos dias muitos quentes, a temperatura do corpo pode se elevar, causando mal-estar e até febre no fim do dia. Isso vale para todo mundo: hidrate-se você também.

USAR ROUPAS LEVES E ADEQUADAS AO TIPO DE ATIVIDADE E À TEMPERATURA DO DIA. Cuidado redobrado com as crianças, que têm maior dificuldade para manter a temperatura do corpo. “Em um dia de frio, a criança não pode estar agasalhada demais nem com pouca roupa. Se o termômetro marca 12 graus e ela está de short, o risco de ela perder muito calor é grande e ela pode apresentar hipotermia”, diz Ana Lúcia. Aquele velho conselho de mãe “cuidado com a água gelada” , acredite, tem sua razão de ser. Se faz muito frio e a temperatura da piscina ou da lagoa está lá embaixo, melhor deixar o programa para outro dia.

ESTAR SEMPRE ABERTO PARA NOVAS ATIVIDADES. Os especialistas dizem que uma pessoa pode adquirir qualquer habilidade, independentemente do momento da vida. Então junte a mulher, os filhos e o vovô e vá se divertir com sua família.

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples.

Terapia em foco por Roberta de Lucca

20 de agosto de 2009

Uma gota a mais e o copo transborda. A metáfora sobre algo que não conseguimos conter desenha a imagem do que acontece nos momentos em que não damos conta de resolver sozinhos um problema que incomoda bem lá dentro da gente. Ao atingirmos essa situação-limite, a água escorre e nos vemos no impasse de matar, morrer ou de nos fingirmos de mortos. Matar é buscar soluções. Morrer é se deixar aniquilar por ela. Fingir de morto é olhar para o lado, agindo como se a coisa não fosse com você. Eis aí três possibilidades do que cada um de nós, como indivíduos (na mais pura acepção da palavra, “aquilo que não se divide”), podemos fazer com nossas vidas quando algo não vai bem em nosso íntimo. Tudo é questão de escolha, e essa opção determina como viveremos e quem seremos para nós e para os outros.

Dentro dessas possibilidades, vamos falar da parcela que encara sua verve Bruce Willys em Duro de Matar e parte para o combate. Calma, ninguém vai sair por aí batendo nas pessoas que nos causam problemas, nos decepcionam ou representam o que gostaríamos de ser e não somos. Ir à luta tem um sentido mais pessoal, de mergulhar em uma jornada que nos colocará em confronto com nosso maior desafiante: nós mesmos.

Na batalha, é importante contar com a expertise de um bom navegador que ajude a interpretar as coordenadas do trajeto até o entendimento de por que o copo transbordou. Esse companheiro de jornada estudou o funcionamento da mente humana e seus meandros, e, quem sabe, nos fará chegar ao registro da torneira para evitar um novo transbordo. Assim define-se o terapeuta, palavra que nomeia psicanalistas, psiquiatras, psicoterapeutas e outros profissionais que trabalham com técnicas de autoconhecimento (vale explicar que os termos “terapia” e “terapeuta” usados nesta reportagem referem-se a profissionais com formação acadêmica e cursos de especialização em estudos da mente). É com eles que contamos quando não conseguimos evitar que a gota letal cause sofrimento emocional. Ao pedir socorro e nos lançarmos ao desafio de fazer terapia, embarcamos numa viagem ao inconsciente aquele local dentro de nós que guarda o que somos, como nos tornamos o que somos, o que queremos ser e o que podemos ser.

O começo: Freud

Existe ainda muita gente que vê a psicoterapia como tratamento para malucos ou para pessoas sem capacidade de lidar com seus próprios problemas. O ranço é antigo, do tempo em que a subjetividade era malvista pela ciência. Remanescentes desse pensamento acreditam que um antidepressivo como Prozac na mão vale mais que boas palavras. Mas quem aposta na fala como instrumento de expressão sabe que entrar num consultório e se entregar a um momento “esta é sua vida” com um desconhecido é uma forte ferramenta para tirar o pedregulho do sapato. “A verbalização para descrever fatos e estados emocionais ajuda a processá-los e a torná-los palatáveis”, afirma o psiquiatra e psicanalista Plínio Montagna. Ao contar o que sente, a pessoa se ouve e amplia a consciência de si própria.

Graças ao médico austríaco Sigmund Freud, que formulou os princípios da psicanálise na década de 1890, hoje sabemos que é possível entender a mente humana e mudar aspectos de nossa conduta que incomodam tanto no relacionamento com os outros quanto conosco mesmos. A partir da “descoberta” do inconsciente, Freud revelou ao mundo que muitos transtornos mentais não são mero resultado de doenças. Conteúdos guardados em nosso interior, oriundos de sentimentos inconscientes reprimidos na infância por nossos pais, moldam a figura que somos hoje.

É bom para quem?

Tal entendimento garantiu conhecimento não só para o tratamento de doenças psíquicas resultantes de distúrbios do inconsciente, como também para que uma pessoa como eu ou você possa se conhecer melhor e entender por que o calo dói quando pisamos (ou somos pisados) de determinada maneira. O costume é alguém buscar ajuda porque se sente incapaz de resolver seus incômodos e, em raros casos, para se conhecer melhor. Mesmo na primeira situação, é quase inevitável não continuar a terapia, pois conforme se enxerga com mais clareza, mais o paciente quer se aperfeiçoar é como polir uma escultura para que ela fique cada vez mais bela.

No campo das doenças mentais, a psicanálise contribui para humanizar bastante o tratamento. Hoje, uma pessoa esquizofrênica toma medicamentos prescritos por um médico psiquiatra e tem apoio psicoterapêutico. Transtornos alimentares, bipolares, déficit de atenção e depressão, entre outros, precisam do critério médico para concluir o diagnóstico. “Às vezes, o limite da avaliação de uma depressão para um transtorno bipolar é tão tênue que só a experiência médica pode detectar a doença”, diz o psiquiatra Frederico Navas Demétrio, coordenador do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O olhar afinado também sinaliza quando tudo pode ser resolvido só com psicoterapia. Muitas vezes, a conversa é mais eficaz que o Prozac. Antidepressivo lançado com estardalhaço em 1986, a tal pílula da felicidade aumenta a serotonina do cérebro, deixando as pessoas mais alegres. Fácil de administrar, até um ginecologista pode receitá-la para aliviar sintomas de distúrbios hormonais. O problema é o mau uso e a auto-enganação (o famoso efeito placebo). “O efeito pode ser efêmero: quando tomo, sorrio, quando o efeito passa, entristeço”, afirma a psicoterapeuta e professora do Instituto Sedes Sapientiae Maria Helena Mandacarú Guerra.

Existe melhor técnica?

Depois de Freud, um mundo de vastas possibilidades se abriu além da fronteira da doença e hoje existe terapia para todo tipo de paciente. Parece meio amplo? E é. “Se considerarmos todos os tratamentos do campo do autoconhecimento, indo do xamanismo à psicanálise, existem mais de 500 modalidades. Mas a maioria não tem embasamento mais científico, no sentido do entendimento da mente humana”, afirma o médico psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia, José Toufic Thomé. Levando em conta esse critério, a psicanálise e a psicoterapia praticadas por psicanalistas, psiquiatras ou psicólogos têm melhor embasamento para a análise humana.

Geralmente, a pessoa chega a um terapeuta por indicação de um amigo ou parente. Ela não está interessada na técnica, só precisa de alguém que a ajude a entender o que está acontecendo e para isso não há idade; a necessidade pode surgir em qualquer época da vida. “Existem bons profissionais em todas as linhas. Não há uma escola terapêutica de amplitude absoluta. O importante é a empatia paciente-psicoterapeuta e que o profissional tenha boas referências, seja membro de uma associação ou sociedade de classe reconhecida”, diz Maria Helena Guerra. Outro componente decisivo apontado por muitos entrevistados desta reportagem é que o bom psicoterapeuta nunca diz o que o paciente deve fazer. “Ele auxilia a pessoa a navegar em suas emoções e a se compreender”, diz a psicoterapeuta Adriana Dorgan.

A confiança essencial

Uma boa indicação, portanto, é o começo do caminho para se chegar a alguém que tenha tato e técnica para orientar a navegação por águas ora turbulentas, ora cristalinas do inconsciente esse “mar” que guarda a chave dos nossos mistérios, desde os aceitáveis até os inimagináveis. “Fazer terapia é um ato de coragem, porque as descobertas podem ser viscerais”, afirma o médico psiquiatra e psicanalista Durval Mazzei Nogueira Filho. Chegar a esse patamar de escarafunchar a ferida com bisturi depende de o paciente querer ir mais além da resolução do problema imediato.

Também é importante estar bem acompanhado. “O paciente tem que sentir que o terapeuta está com ele”, diz Adriana Dorgan. Quando isso não acontece, é como um carro patinando na lama. “Durante anos fiz terapia com a mesma psicóloga, mas quando ela começou a dizer que minhas dúvidas com relação à minha sexualidade eram viagem da minha cabeça, parei a análise. Procurei outro terapeuta e conquistei autonomia para assumir minha homossexualidade”, diz Felipe (o nome foi trocado a pedido do entrevistado).

Fala que eu te escuto

Nem todo mundo se dispõe a conversar com o psicanalista três ou quatro vezes na mesma semana, deitar no divã e falar o que lhe vier à mente assim, de chofre. Esse é o molde clássico da sessão de psicanálise elaborado por Freud, que resiste ao tempo e ao bolso de alguns clientes.

O ambiente costuma ser básico: a poltrona do analista e o divã. Nesse cenário quase asséptico, o paciente fala sobre aquilo que pensa, seus incômodos, suas angústias. “Nos encontros com o profissional, a idéia é reestruturar e reinterpretar, à luz do que está acontecendo, as distorções do passado que estão presentes no dia-a-dia”, diz a psicanalista Anna Verônica Mautner.

A ausência de contato visual no processo de livre associação, como é chamada a técnica de deitar e falar, é fundamental para o sucesso da jornada. “Um não controla a reação do outro com o olhar, permitindo ao paciente abandonar a vigilância consciente e se entregar à expressão verbal”, afirma a psicanalista Celina Giacomelli. Assim aflora o sintoma daquilo que faz mal. O passo seguinte é compreender o que mantém esse sintoma.

Às vezes, esse processo de deixar fluir o verbo ganha um componente extra, de certo modo emocionante, quando o terapeuta segue a linha criada por Jacques Lacan nos anos de 1930. O psicanalista francês concebeu o tempo lógico, colocando abaixo a regra freudiana de que a sessão teria 50 minutos. O analista literalmente corta o papo na hora em que achar pertinente. “As pessoas falam muito, e a fala pode vir disfarçada. O psicanalista interrompe o paciente para que ele se ouça e entenda que precisa deixar de usar álibis”, diz Durval Filho. Depois do corte abrupto, o analisado engole seco e vai embora com suas últimas palavras latejando na cabeça no estilo “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

Proximidade

Olhos nos olhos, poltronas frente a frente e mesinha auxiliar com uma caixa de lenços de papel. O cenário, parecido com uma sala de visitas, é o mais comum nos consultórios. Nesse ambiente de proximidade, o paciente dialoga com o terapeuta. Na conversa com um adepto das teorias do suíço Carl Gustav Jung, ex-discípulo de Freud que, em 1913, cunhou o termo “psicoterapia analítica” para determinar seu método de trabalho, a análise leva em conta não apenas as questões internas e individuais do paciente, mas também fatores externos, disseminados pelo consciente e pelo inconsciente coletivo da humanidade.

Características familiares e contexto social e cultural ativam elementos do inconsciente, contribuindo para moldar quem somos. Por isso Jung acreditava que não basta entender o problema. A compreensão é racional, e as pessoas têm que entrar na emoção contida naquela vivência. Ao viver a descoberta, a pessoa libera a sensação que estava presa. “O paciente tem a possibilidade de se transformar pela consciência de seus complexos e da iluminação dos seus bloqueios e fraquezas”, afirma o psiquiatra e psicoterapeuta Eliseu Labigalini Junior.

Corpo e mente

Se a mente fala, o corpo faz igual e antes mesmo da fala. O bebê se expressa com gestos, olhares, caretas e sorrisos. Ao crescer, essa espontaneidade fica mais contida, mas o vocabulário corporal permanece latente aos olhos de quem sabe ver. Respiração acelerada ou curta, suores, ombros para frente, a maneira de cruzar braços ou pernas, tudo isso e muito mais denunciam aspectos internos do que passamos, estamos passando ou nos tornamos. A partir da observação desses sinais, o psicólogo austríaco Wilhelm Reich elaborou um trabalho na década de 1920 que culminou no surgimento da terapia corporal.

Implacável, o terapeuta analisa tudo o que se passa com o paciente. “Antes de verbalizar, as pessoas sentem. Por isso é importante observar e traduzir essas sensações”, diz o terapeuta corporal Rubens Kignel, que dá cursos de especialização no Brasil, Itália, França e Japão. Durante a conversa, tudo pode acontecer de um convite para o paciente deitar num divã king size e levantar as pernas para o alto até pular em uma cama elástica.

O dinamismo também tem lugar no psicodrama, outra técnica que faz a pessoa resgatar o momento que incomodou como se estivesse encenando uma peça de teatro. “Ele revive o que aconteceu e também se coloca no lugar do outro. A inversão de papéis faz com que a pessoa aprenda a responder de maneira inovadora a situações que já viveu”, afirma a diretora do Instituto Psico-Social e Educacional da Associação Brasileira de Psicodrama, Maria Aparecida Fernandes Martin.

O casal, a família

Como a maioria de nós não vive em uma caverna, longe de tudo e de todos, nossas ações refletem na vida dos outros e vice-versa principalmente no universo familiar, onde estabelecemos ligações mais intensas. Não há como negar que o sucesso de qualquer relação interpessoal depende do esforço de ambos, especialmente quando o assunto é casamento. Aqui a seara às vezes é tão complicada que só recorrendo à bóia para se safar do afogamento. Daí o surgimento da terapia de casais, geralmente procurada quando a dupla chega ao clímax da crise.

Na análise, o que entra em cena é o “nós”. Marido ou mulher podem buscar ajuda individual, mas, quando estão juntos na sala do psicoterapeuta, o que se discute é a terceira pessoa da relação. “O terapeuta não é conselheiro matrimonial, e sim um intérprete das falas. Ele ajuda o casal a aprender a conversar e a se ver”, diz Louise Madeira, especialista em família.

Por outro lado, uma crise abafada pode desencadear problemas nos filhos, que começam a apresentar mau rendimento escolar ou dificuldade de relacionamento. Foi assim que a secretária executiva Valentina Ceresatto foi aconselhada pela terapeuta de sua filha a procurar ajuda após a morte do marido. Valentina não queria que a menina a visse triste e ativou seu lado de mulher forte. Mas a adolescente pensou que a mãe não estava ligando para o que aconteceu, e começou a ter um comportamento estranho. “Eu a levei para a terapia e logo a psicóloga percebeu que era eu quem precisava cuidar do meu sofrimento”, diz.

Terapia breve

Sofrimento é o que desencadeia o processo da gota d’água, pegando as pessoas no contrapé e até em situações inusitadas. Imagine que uma promoção pode gerar tamanha insegurança no felizardo que ele precisa de auxílio para superar o choque e tocar a vida. A perda do emprego ou a notícia de uma doença grave também ativam o gatilho do transbordo. Para casos decorrentes de eventos específicos, a terapia breve é um santo remédio.

Chama-se breve porque tem uma data estabelecida para começar e terminar. O contrato entre paciente e terapeuta estabelece o número de sessões necessárias para a resolução da questão, chegando a uma média de 20 encontros. “O objetivo é auxiliar a pessoa a se adaptar àquela nova realidade”, diz a professora do Instituto de Psicologia da USP Kayoko Yamamoto. A publicitária Valéria (nome fictício) apostou em alguns encontros psicoterápicos para driblar a depressão pós-parto. “Achei que eu não seria capaz de criar um bebê com os cuidados necessários. A terapeuta me fez ver que a criança não é um ET e me ajudou a superar meus medos”, afirma.

Como foi dito lá no início, fazer terapia é lançar-se ao desafio de resolver um problema urgente ou aventurar-se a descobrir mais sobre si mesmo. O mergulho nos labirintos do inconsciente, que revela quem somos, pode fazer toda a diferença para determinar quem desejamos ser. Terapia não tem garantia ou prazo de validade porque as pessoas mudam, porque a vida muda. E, posto que é mudança, nem todo mundo aceita ser igual durante toda uma vida.

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples.

Faça avaliação antes de começar a correr Por Juliana Saporito

20 de agosto de 2009

Começar a correr, assim como a praticar qualquer atividade física, requer disposição, disciplina e consciência de que a técnica não pode ser deixada de lado. E o primeiro passo a se tomar – e que vai definir cada etapa seguinte – é a avaliação física.

“A avaliação vai analisar as partes cardiorrespiratória, muscular e postural, definindo os treinamentos de quem está começando a correr”, explica a diretora técnica do Projeto Correr e treinadora do E.C Pinheiros, Eliana Reinert. “Além de ajudar a estabelecer metas e identificar as necessidades e deficiências físicas de cada um, será possível traçar uma plano direcionado, garantir ganho de performance e evitar lesões”, complementa.

A avaliação física ideal é composta por diversas etapas, todas importantes. Deve começar com um exame cardiorrespiratório – pode ser um eletrocardiograma ou um teste ergo-espirométrico, por exemplo. Também é indicado que se faça um hemograma completo. “Estes passos servirão para comprovar que o aluno está clinicamente apto a praticar exercícios físicos sistematicamente”, diz Eliana.

O próximo passo é a avaliação física propriamente dita, realizada com um professor de educação física, treinador ou personal trainer. Ela definirá os parâmetros da freqüência cardíaca do aluno, a postura em movimento e a adaptação ao esforço. Outras análises adicionais, como a da flexibilidade, a do tipo de pisada e a da capacidade de recuperação pós-esforço também são muito importantes para que se realize um treinamento promissor e direcionado.

Após a avaliação, o aluno passará a seguir um programa de treinos específico, fracionado e gradativo. Da mesma maneira é definido um plano alimentar, sob a supervisão de um profissional da área (nutricionista). Ele vai ajudar a intensificar o trabalho físico e muscular, além de garantir a evolução da performance, do condicionamento físico e de promover a melhora na estrutura muscular.

“Evoluir nos treinamentos com saúde, equilíbrio e atingir os objetivos, a partir daí, é uma questão de tempo. Logo o iniciante estará pronto para competir em provas do circuito e para descobrir todo o seu potencial de superação”, finaliza Eliana Reinert.

* Artigo publicado originalmente na Revista O2.

Como se alimentar fora de casa Por Karina Tourinho (Nutricionista do Instituto Procardíaco)

20 de agosto de 2009

SANDUICHE – PREFIRA O PÃO INTEGRAL, PROTEINA MAGRA (frios de peru ou frango; ricota; filé de frango; atum ou ovo), E ACOMPANHAMENTOS COMO VERDURAS, LEGUMES, MILHO E ERVILHA.

SALGADINHOS - Prefira os assados e fique longe das frituras.

PRAIA – Se possível faça uma refeição antes de sair. Assim, dá para mais tarde comer um sanduíche de pão integral, um suco ou um refrigerante diet ou sorvete.

VIAGENS - Se tiver que comprar alguma coisa, prefira frutas, iogurtes desnatados, barra de cereal e sanduíches de pão integral.

SORVETES – Prefira os de fruta e evite os de coco e ameixa.

CAFÉ DA MANHÃ EM HOTEIS - Evite ovos mexidos, bacon, bolos, tortas e croissants. Dê preferência a frutas, sucos, chás, pães integrais, raízes, leite ou iogurte, queijo branco, frios mais magros (como peito de peru, por exemplo).

PIZZARIA - Evite pizzas com muitos ingredientes. Prefira opções do tipo palmito, rúcula com tomate seco, marguerita, mussarela de búfala, frango (s/ catupiry), atum.

Cuidado com pizza quatro queijos, ela pode fornecer 400kcal por fatia!

Para um número crescente de pessoas, comer fora de casa não é apenas uma questão de prazer. Portanto devemos ter atenção ao que estamos escolhendo...

Restaurante a la carte - A primeira dica saudável é dispensar o couvert. Principalmente se o couvert for constituído de croissants, pães de queijo, pães com manteiga e patê. Se consumir, dê preferência a legumes frescos, picles, amendoim e azeitona. Caso consuma pães e torradas no couvert, procure compensar o aporte calórico evitando batatas, massas, arroz, risotos e outras fontes de carboidratos durante a refeição.

Outra recomendação é pedir para fazer adaptações para tornar as preparações menos calóricas, como substituir a batata frita, por cozida ou sautê, trazer o molho da salada separado, trocar a maionese por iogurte. Prefira o vinagre balsâmico, shoyo, azeite de oliva ou mostarda.

Não exagerar nos carboidratos: o correto é escolher apenas um, isto é, ou se come massa, ou arroz, ou macarrão, ou farinha ou pão.

Pratos a la creme, à piemontesa, à belle meunière, passados na manteiga, empanados ou gratinados são muito gordurosos. Prefira vegetais, legumes sautê e purês.

As massas com molho de tomate e sem recheio são as mais indicadas. Evite as preparações com molho branco, queijos gordurosos (catupiry, prato, mussarela, provolone), embutidos (presunto) e nada de abusar do queijo ralado. Quando optar por massas com recheio prefira os mais leves, como ricota, espinafre, cogumelos, abóbora etc.

Quanto as carnes, prefira as bovinas magras, como baby beef, alcatra, coxão mole e lagarto; o lombo suíno sem gordura; o frango sem pele; e peixes em geral. E evite sobrecarregar a refeição com molhos gordurosos.

A sobremesa - dê preferência as sobremesas a base de frutas, que são mais leves (salada de frutas, creme de frutas com iogurte, sorvete de frutas, mouse de frutas). Evite tortas e doces recheados e cheios de creme de leite, leite condensado e manteiga.

Restaurantes self-service ou por quilo

Nestes restaurantes corremos sempre o risco de consumir grandes volumes de alimento devido à variedade de oferta. Em contrapartida devido à grande variedade de saladas e preparações, os restaurantes self-service possibilitam perfeitamente o consumo de uma dieta de baixas calorias, variada e completa em nutrientes. Basta saber escolher e resistir às muitas tentações calóricas ao longo do trajeto das bandejas.

Para evitar o exagero, escolha dois ou três itens do cardápio e não deixe de incluir entre eles uma salada de legumes, hortaliças e verduras. Mas tendo o cuidado para escolher molhos leves, e não molhos a base de maionese ou creme de leite. Prefira o vinagre balsâmico, shoyo, azeite de oliva, iogurte ou mostarda.

Entre as opções quentes, não coma tudo o que estiver disponível. Escolha, com bom senso, somente uma combinação. Por exemplo: arroz, feijão e carne ou arroz e estrogonofe. Jamais faça composições com mais de uma fonte de proteína animal ou de carboidratos.

Peixe, frango ou carne, o que importa mesmo é a escolha da carne mais magra, sem gordura aparente, sem pele, sem molhos e sem recheios.

Diante de diferentes tipos de massa, prefira as sem recheio, do tipo espaguete ou nhoque, tendo cuidado na escolha dos molhos e não abuse do queijo parmesão.

O arroz, se for recheado, só com legumes.

As leguminosas como o feijão, lentilha, ervilha ou grão de bico devem ser servidas sem carnes secas e/ou calabresas.

A ingestão de sal é sempre maior quando comemos fora de casa. Sabendo disso, evite adicionar sal à salada e abra mão de frios, como presunto e queijos amarelos, azeitonas, alcaparras e preparações gratinadas. No caso dos hipertensos, esses cuidados devem ser redobrados.

Se for beber alguma coisa, opte pelos sucos ou água e evite os refrigerantes (mesmo os diet ou light).

Evite frituras, como pasteizinhos, bolinhos etc.

Para sobremesas, prefira frutas in natura ou saladas de frutas. Deixe o doce ou o sorvete para o final de semana.

O peso do prato não é tão importante, um prato mais pesado pode ser muito mais saudável e menos calórico do que outro mais leve.

Lembre-se: É importante observar as condições de higiene do estabelecimento, incluindo a aparência e higiene dos funcionários.

* Artigo escrito especialmente para o Portal Procardíaco

Ansiedade Por Eugenio Mussak

20 de agosto de 2009

Em uma recente viagem de avião para Salvador, não pude deixar de acompanhar o curto diálogo de um casal sentado nas poltronas do outro lado do corredor. Ela estava aparentemente apreensiva com a decolagem, e seu acompanhante a repreendeu dizendo algo como:“Relaxe, você precisa parar de ser tão ansiosa”. Entretanto, algum tempo depois,em pleno vôo, ele volta a falar, agora sobre ele mesmo: “Estou realmente ansioso para chegar e tomar um bom banho de mar”.

Esse pequeno episódio me deixou pensando sobre a ambivalência dos sentimentos humanos, especialmente sobre a ansiedade, pois esta havia sido mencionada duas vezes, em curto espaço de tempo, e de duas maneiras totalmente diferentes.Na opinião dele, a ansiedade dela era ruim, injustificada e devia ser dominada. Já a dele era compreensível, justificada e aceitável. A primeira era a ansiedade causada pelo prenúncio do medo, a segunda pela expectativa do prazer. Na verdade, ambas as ansiedades encontram justificativa no tempo, que demora a passar. Ela queria que a viagem terminasse logo para que também terminasse o medo de avião. Ele queria chegar logo para ir para a praia.

Uma coisa é uma coisa...

E outra coisa é outra coisa... Para início de conversa, é bom separar a ansiedade do transtorno de ansiedade.A ansiedade pura e simples é a manifestação fisiológica de um estado de atenção, ligado ao instinto de preservação da vida. A ansiedade é a expectativa da decisão de fugir ou lutar diante de um perigo iminente. É um estado anterior ao estresse. Como nosso ancestral estava praticamente o tempo todo exposto ao perigo, seu estado de alerta estava sempre ligado. A qualquer momento ele poderia ser atacado, e então teria que decidir o que fazer para salvar sua vida. A primeira decisão costumava ser a de fugir, e, se não fosse possível, lutar. E essa decisão precisava ser tomada em instantes. O sintoma de que o sistema de alerta está sempre ligado é o que podemos chamar de ansiedade. E isso não só é normal como é desejável.

Já o transtorno de ansiedade não é fisiológico, é patológico e faz sofrer. Quando uma pessoa desencadeia um sentimento de ansiedade desproporcional à causa, ou até na ausência desta, dizemos que ela está sofrendo de um transtorno de ansiedade. E isso é mais comum do que se pensa. De certa forma, todos nós já experimentamos essa situação, que só se torna preocupante quando é recorrente e constante.

Os transtornos de ansiedade costumam ser diagnosticados e tratados não como oscilações emocionais, e sim como estados de fobia, por estarem sempre ligados a algum tipo de medo.O mais expressivo é exatamente chamado de transtorno do medo, em que a pessoa passa a confundir a ansiedade com o medo até transformar totalmente a primeira no segundo, e começa a temer coisas e fatos que normalmente seriam tratados até com algum desdém. Como o futuro é desconhecido, passa a ser também temido, e há quem sinta medo do próprio medo. Pelo desconforto que ele causa, o medo passa ser temido. Como um uróboro, a serpente que come sua própria cauda, o medo se alimenta dele mesmo.

Medo do medo

Há também as variantes desse transtorno, ligados a situações específicas. O transtorno agorafóbico, por exemplo, está ligado ao medo de estar em locais públicos, longe da proteção do lar e dos familiares. Ágora significa praça em grego, local aberto, desprotegido. Essa ansiedade é tão insuportável que leva a pessoa a isolar-se do mundo e não querer sair de casa. Quando ela sai, experimenta palpitação, sudorese, agitação, sensação de perigo próximo. Esse é o primeiro passo em direção à síndrome do pânico.

Há a fobia social, um tipo de transtorno em que a vítima sente-se permanentemente vulnerável ao julgamento dos demais. Como isso causa insegurança e sofrimento, ela evita o contato com outras pessoas, especialmente as desconhecidas. E, ao fazer isso, reforça a certeza de que é melhor ficar afastada. Fobias outras aparecem cá e lá, com alguma freqüência. Certamente você já ouviu falar de alguém com acrofobia (medo de altura), ou claustrofobia (medo de lugares fechados), ou mesmo aracnofobia (medo de aranhas). São medos específicos que se manifestam no cotidiano por uma grande sensação de desconforto e que podem prejudicar o andamento normal da vida. Quando isso acontece, é bom não brincar. O tratamento especializado é necessário.

Ok, você pode não ter nenhuma dessas fobias e mesmo assim viver ansioso. Sim, porque você tem aquele gene ancestral que diz que você tem que estar atento para decidir diante do perigo, e o dito-cujo está a um passo. Só que, em geral, esse passo não é dado, e você até preferia que ele acontecesse para acabar logo com isso. Mas coisas demoram a acontecer. Ufa, que ansiedade! A vida moderna tem menos perigos físicos, mas tem vários perigos emocionais, que exigem atenção, também.

E, como se não bastasse, temos que ficar o tempo todo lidando com a decisão, que é, como vimos, a mãe da ansiedade. Costumo dizer que, para mim, um dos grandes locais geradores de ansiedade é a sorveteria. Diante dos meus olhos há pelo menos 30 sabores a escolher, mas eu só tenho direito a dois. Ó dúvida cruel! O conselho é: escolha logo – e a ansiedade passa à primeira lambida.

O grande mal-estar

“É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e as admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida.” Essa frase parece dar a grande pista para a compreensão da ansiedade moderna. A busca de coisas a serem admiradas e a impossibilidade de conseguir todas.Trata-se da frase que abre um dos livros mais importantes escritos por Freud – O Malestar da Civilização. E o velho mestre não deixou por menos. Generalizou logo para toda a humanidade, incluindo ele mesmo.

Segundo o psicanalista vienense, todos vivemos constantemente sendo assolados por três ameaças: a natureza, as outras pessoas e nós mesmos. A natureza, que significa o meio ambiente em que estamos, que tem seus perigos próprios, como as intempéries, os movimentos, as feras. As outras pessoas, pois estas querem em primeiro lugar cuidar de seus próprios interesses, mesmo que seja à nossa custa. E nós mesmos, porque não conseguimos satisfazer nossos desejos e porque temos compreensão da finitude da vida e da decadência física de que seremos vítimas.

Diante desse quadro um tanto pessimista – bem próprio do Sig, aliás –, chegamos à conclusão que estamos condenados à ansiedade, pois o que nos foi dado é um paradoxo existencial. Queremos curtir a natureza e a cidade, mas as tememos.Desejamos a companhia de pessoas, mas sabemos que elas poderão ser causa de aborrecimento. Esperamos realizar coisas que dependem de tempo e queremos que este passe depressa, mas ele é o mesmo que, ao passar, nos envelhece.

as, como sempre, nem tudo está perdido. Sem querer ser o otimista inconseqüente, a Pollyana que só vê o lado bom das coisas, vale lembrar que o próprio Freud apontou caminhos. Por isso escreveu a obra, porque queria jogar uma luz sobre as trevas do sofrimento existencial. Para ele, o grande caminho é também o único: o autoconhecimento.

É claro que há medidas paliativas, aquelas tomadas na expectativa da solução imediata.Eu,por exemplo, na vigência de uma ansiedade que incomoda, respiro fundo.Respirar fundo é raro, no dia-a-dia, você já havia percebido? Respirar fundo ocupa a mente por alguns instantes, causa uma sensação de prazer, oxigena os tecidos, diminui a freqüência cardíaca, põe as coisas no lugar, em resumo.Não adiantou muito? Respire mais uma vez!

Respirar fundo é um pequeno exercício reconfortador.Mas há outros, maiores, mais poderosos, que deveriam ser realizados regularmente, e são todos parentes do famoso respirar fundo. Esporte, exercício físico, ioga, hobbies, artes, cinema, música, comida, namoro, risada, sexo. Tudo o que dá prazer e serve para equilibrar a balança, pois no outro prato está uma legião de causadores de ansiedade.

É isso mesmo, o equilíbrio que é quebrado, mas que se recompõe. Ninguém é de ferro que possa se expor a perigos constantes sem momentos de trégua para recarregar as baterias. Causas para a ansiedade temos muitas. Precisamos também de causas para a paz interior.

10 dicas para espantar a ansiedade

• Organize-se: Quando as coisas estão em seus devidos lugares, colocamos menos energia em resolver o cotidiano.

• Priorize: Faça primeiro o que é mais importante.

• Confie: De pouco adianta suspirar pelas coisas que são de responsabilidade de outros. Aprenda a confiar mais nas pessoas.

• Valorize: Atenha-se ao que realmente tem valor, como a amizade, a saúde e a ética, e não às picuinhas, à inveja, às fofocas.

• Diversifique: Não ponha toda sua energia em uma só atividade. Trabalhe, sim, mas também namore, pratique seus hobbies etc.

• Relaxe: A partir do relaxamento muscular chegamos ao relaxamento mental.

• Divirta-se: O bom humor, o riso e a alegria são antídotos poderosos contra a ansiedade. Não leve a vida tão a sério.

• Compartilhe: Quando dividimos nossas ansiedades com alguém de confiança, passamos a compreender melhor os motivos.

• Medite: Reserve momentos para ficar em silêncio, sem fazer nada.

• Cuide-se: Orientação psicológica ajuda a conviver com as dificuldades da vida.

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples

O amanhã começa hoje Por Erika Sallum

20 de agosto de 2009

O amanhã começa hoje *
Traçar um roteiro para sua vida parece complicado? E para você aposentadoria é um palavrão? Descubra que é possível (com sabedoria, bom humor e equilíbrio) ter uma vida muito legal. Para sempre.

Você tem o hábito de planejar seu futuro? Pensa em como ter uma vida sempre boa? Costuma guardar um valor fixo por mês para usufruir quando ficar mais velho? Se a resposta às três perguntas foi sim,meus parabéns: você é um dos poucos a fazer isso aqui no Brasil,onde as pessoas até poupam para comprar um carrão dos sonhos, mas dificilmente economizam para a cada vez mais longa terceira idade.

Um estudo recente elaborado pela Universidade de Oxford e encomendado pelo banco HSBC ao Harris Institute revela dados interessantes sobre a (falta de) visão que o brasileiro tem do futuro. Entre os 20 países pesquisados, o Brasil é um dos povos que menos poupam para a velhice, que menos fazem cálculos das necessidades futuras e que menos procuram ajuda para isso. Na pesquisa, apenas 24% dos brasileiros disseram já ter guardado dinheiro para a aposentadoria, contra 66% dos norte-americanos e 53% dos ingleses. Enquanto 60% dos habitantes dos Estados Unidos já calcularam suas necessidades futuras, somente 29% dos brasileiros afirmam ter feito o mesmo. Em contrapartida, 52% dos nossos conterrâneos acham que é o governo que deve bancar a aposentadoria entre os norte-americanos, 16% têm a mesma opinião e, no México, esse número cai para 6%.

Os dados acima comprovam uma verdade preocupante e que revela muito sobre nossa alma e nossas precariedades: o Brasil tem uma enorme dificuldade em pensar a longo prazo. Somos umas das sociedades mais imediatistas do planeta, onde o aqui e agora costuma importar muito mais do que o amanhã. Entre o “isto já” ou o “aquilo depois”, quase sempre o brasileiro fica com a primeira opção.

Visão do futuro

Autor do livro O Valor do Amanhã, o economista Eduardo Giannetti apelidou esse comportamento de “miopia temporal”,uma anomalia em que tanto o indivíduo como a sociedade vêem com muita intensidade aquilo que está próximo, mas não conseguem ter a mesma clareza em relação aos seus interesses futuros. Em poucas palavras, temos uma gigantesca incapacidade de cuidar do nosso próprio amanhã. “O Brasil é muito impaciente, é como uma criança que não consegue esperar pelo almoço para ganhar o doce”, afirma Giannetti. “Esse comportamento se reflete em todas as esferas: dos governantes que não apresentam um projeto decente para a educação, algo essencial para as gerações futuras, ao brasileiro de classe média que não quer nem pensar na sua aposentadoria.”

Em seu livro, Giannetti faz uma profunda análise de como o conceito de juros não se restringe apenas ao mundo da economia, podendo ser encontrado tanto numa comunidade de esquilos como no momento exato em que um jovem decide usar drogas. Tudo, segundo ele,obedece à lógica dos juros, em que as ações de hoje têm um impacto positivo ou negativo no futuro, dependendo de nossas escolhas.

“As trocas no tempo são uma via de mão dupla”, escreve o autor.“A posição credora pagar agora, viver depois é aquela em que abrimos mão de algo no presente em prol de algo esperado no futuro. O custo precede o benefício. No outro sentido, temos a posição devedora viver agora, pagar depois. São todas as situações em que valores ou benefícios usufruídos mais cedo acarretam algum tipo de ônus ou custo a ser pago mais à frente.”Ainda de acordo com Giannetti, essa eterna tensão entre presente e futuro é uma questão que permeia a existência dos seres vivos na Terra, do esquilo que guarda obsessivamente todas as nozes que encontra pela frente, como se sempre esperasse pelo pior, ao jovem drogado que, ao destruir os neurônios por causa da maconha ou cocaína, comete uma “exploração intrapessoal” ou seja, explora o velho que ainda será em prol de um prazer imediato.

O dia seguinte

Com sua miopia temporal, o Brasil afunda-se em juros. Quer tudo para já, como um viciado em crise de abstinência. Aqui há uma tirania da juventude, em que se supervaloriza o novo e o belo em detrimento do velho.A velhice e, por conseqüência, a aposentadoria são para nós um problema que preferimos aprisionar no armário e fazer de conta que não existe.

Obviamente não somos assim por acaso. Nossa história e até nossas características geográficas são alguns dos fatores que contribuíram para que hoje sejamos, por assim dizer, tão infantis.Vivemos em um país quente, onde não há grandes problemas se não pouparmos para o inverno. “Ao contrário da Europa, aqui nunca precisamos ficar guardando para a época de frio, já que as temperaturas não caem muito”, analisa Giannetti. Há que se levar em conta também a escravidão, cujas seqüelas ainda se fazem sentir. Durante séculos, os escravos não tinham direito a sua própria vida e, para eles, não havia amanhã. Pensando na história recente, o longo período de inflação e instabilidade pelo qual passamos décadas atrás deflagrou uma espécie de pavor coletivo do dia seguinte, em que era preciso comprar tudo o mais rápido possível antes que os preços subissem.

Esses e muitos outros fatores ajudam a entender por que temos tanta aversão a planejar nosso próprio futuro. “Ser idoso no Brasil é como estar amaldiçoado. Nos Estados Unidos, por exemplo, eles têm perspectivas para a aposentadoria e sabem que, quando ela chegar, irão para a Flórida ou outro lugar quente curtir a vida”, diz Ruth Lopes, psicóloga e professora do Programa de Gerontologia da PUC-SP,que estuda a velhice. “Já aqui, o melhor que pode acontecer a quem parou de trabalhar é ficar mofando na casa do filho.”

Um país que envelhece

Não pensar no futuro distante quando se vive, com sorte, uns 40 e poucos anos pode ser compreensível. Mas, quando a perspectiva é morrer só bem depois dos 70, a situação muda de figura. Pois é isso que vem ocorrendo no Brasil: estamos envelhecendo cada vez mais. Ou melhor: cada vez mais pessoas morrem mais tarde.

Segundo os dados mais recentes do IBGE, em 1940 a expectativa de vida no Brasil era de 38,5 anos. Em 1980 passou para 60 anos e em 1998 saltou para 68 anos. Em 2003, pulou para 71 anos. Calcula-se que em 2020 irão existir no mundo cerca de 1 bilhão de pessoas com mais de 60 anos, o equivalente à população inteira do planeta no ano de 1820.

“Os avanços da medicina e a ambição da indústria farmacêutica mudaram o curso natural da vida”, afirma Pablo Ruben Mariconda, filósofo e professor de filosofia da USP.“Estamos morrendo mais tarde, mas nem por isso somos mais felizes. Não sabemos muito bem ainda como lidar com nossa própria velhice e com essa nova massa de idosos no mundo.”

Antigamente, o funcionário de uma empresa que se aposentasse aos 47 anos não tinha muito mais tempo de vida e, longe do trabalho, ficava em casa, alimentado seu tédio, sem grandes crises.Hoje uma pessoa que se aposenta com a mesma idade tem grandes chances de viver até uns 80 anos. Ou seja: tem pela frente, no mínimo, mais umas três décadas.É muito tempo para ser vivido de forma precária.

É quase uma obrigação de cada um de nós que esse tempo a mais disponível hoje graças à expectativa de vida maior seja usado para alguma atividade produtiva (uma segunda carreira, um trabalho voluntário, uma atividade artística), ser feliz, se encontrar com outras pessoas e ter uma existência absolutamente tão gratificante quanto a de qualquer outro período da vida.

Por tudo isso, preparar com antecedência o corpo, a mente e, claro, o bolso para a velhice virou pré-requisito básico para quem não quer passar grande parte da vida atrofiado numa poltrona apenas esperando a morte chegar.

Equilíbrio total

Ter 60 anos ou mais hoje é bem diferente do que no passado. Polêmicas à parte, a medicina preventiva e os cosméticos ajudaram as pessoas a envelhecer melhor. Não nos garantiram, é fato, a felicidade, mas nos deram ferramentas para deixar nossos corpos mais preparados para a senescência. Visto por esse ângulo, aposentar-se nos anos 2000 é bem menos sofrido que nos anos de 1940, quando o conceito de qualidade de vida ainda nem havia sido criado.

“Um simples check-up, em qualquer idade, é capaz de detectar um probleminha que, no futuro, poderia se tornar algo grave”, afirma Flávia Campora, médica geriatra do Hospital das Clínicas de São Paulo.“Tem gente que me procura querendo fórmulas de antienvelhecimento. Já começou errado: não existe nada que breque esse processo. O que se deve buscar é envelhecer bem.”

Ser saudável não é ficar livre de doenças, mas estar em harmonia em vários aspectos da vida. Um aposentado de 70 anos que tem problemas de colesterol, mas se trata com remédios, faz caminhada, curte a família e está bem de cabeça é mais saudável que um empresário estressado de 40 anos que só pensa em trabalhar e não encontra tempo nem para si nem para sua mulher e filhos.

A bilionária indústria cosmética pode criar os cremes mais milagrosos do mundo, mas a melhor receita para chegar com dignidade aos 60, 70, 80 ou 90 anos é uma só: equilíbrio. Alimentar-se com moderação o que não significa só comer aquele franguinho atropelado e salada, mas também ter prazer com aquele bolo de cenoura com chocolate da sua tia que você adora. Fazer sempre exercícios físicos. Mas nada de exageros, pois a rotina de quem se exercita como um atleta sobrecarrega o corpo e faz mal à saúde. Sim, nada de cigarro, bebida ou vícios que destruam o corpo. E, claro, procurar evitar situações de estresse.“Em qualquer idade, uma pessoa pode decidir levar uma vida mais saudável. Sempre há ganhos com isso. Mas sem dúvida tem mais chances de envelhecer melhor quem se cuida desde cedo”, diz a geriatra Flávia.

O comprador José Manuel Pinheira, de 48 anos, faz exercícios desde os 12. Adora esportes e, por causa do hobby, tem um condicionamento melhor do que muito rapaz de 20 e poucos. Participa, sem radicalismos, de competições amadoras, o que lhe ajuda a atenuar os efeitos da pressão no trabalho. “O esporte é um prazer que levarei comigo até o fim da vida. Quando me aposentar, provavelmente não terei mais o mesmo corpo de hoje, mas sei que estarei bem o suficiente para seguir os exercícios no meu ritmo”, conta.

Programe seu futuro

Cuidar do corpo só não basta. Estar atento às finanças é importantíssimo para assegurar uma aposentadoria estável, em especial num país de economia tão imprevisível como o Brasil. Em vez de valorizar a mão-deobra experiente,o mercado de trabalho cruelmente a rejeita, fechando as portas aos mais velhos. Por isso é essencial fazer um pé-de-meia.

Isso não significa que você tem de virar um esquilo obcecado que só pensa em armazenar nozes. Fazer planos para o futuro não dá esse trabalho todo. Pelo contrário: ajuda a encher nossa vida de motivação. “Planejamento é equilíbrio. É viver bem hoje para viver bem amanhã”, diz o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor do bestseller Dinheiro Os Segredos de quem Tem e especialista em mostrar a seus clientes como uma boa estratégia de vida pode render ótimos frutos.

Segundo Cerbasi, os planos para a aposentadoria começam cedo, assim que entramos no mercado de trabalho. A escolha da profissão já é um passo importante: quem é feliz na carreira costuma ter mais dedicação e obtém retorno mais rápido. “Muita gente percebe que não gosta do que está fazendo, mas tem medo de mudar. Quando se é iniciante, normalmente os rendimentos não são aquela maravilha. Perder um pouco agora em prol de algo que vai render mais no futuro é uma decisão sábia”, diz ele. “Quem gosta de sua profissão pode se aposentar, mas ainda se manter cheio de idéias. Pode, por exemplo, virar um consultor de sucesso e ajudar os outros na mesma carreira.”

O caso da chef de cozinha Patrícia Fernandes Turna, de 31 anos, ilustra bem isso. Formada em psicologia, ela resolveu mudar radicalmente de carreira depois de alguns anos cuidando de pacientes. Ouviu seu coração, fechou o consultório e foi fazer faculdade de gastronomia, uma paixão antiga. Hoje é chef de um restaurante em São Paulo e se diz muito mais realizada, em todos os sentidos.“Vou envelhecer mais feliz com minha carreira. Não tinha sentido eu passar anos trabalhando em algo que não me satisfazia plenamente.”

Outra dica de Cerbasi: jamais terminar o mês apenas pagando as contas. O ideal é guardar algum dinheiro sempre no mínimo, 10% dos rendimentos mensais. Respeitar essa decisão deve ser um compromisso muito sério consigo mesmo. Faça um balanço do que entra e sai da sua conta. Imponha algumas regras: se gastou muito com roupas em um mês, procure segurar a onda nos seguintes.

Fazer um plano de previdência privada pode ser interessante, porém o mais importante é aprender a cuidar do seu dinheiro.“Descubra seu talento para lidar com investimentos. Tem gente que prefere apostar em imóveis ou arriscar na Bolsa. Não importa: investir o que se poupa é fundamental”, diz ele.

Cerbasi ainda aponta duas receitas praticamente infalíveis para quem quer começar agora a pensar no futuro: não esqueça seus sonhos e hobbies e tenha uma vida simples. Sabe aquele seu sonho de fazer faculdade de biologia que foi abandonado quando você achou que viveria melhor como administrador? Guarde-o com carinho na sua memória, porque é possível colocá-lo em prática quando você se aposentar.Atividades como tocar um instrumento, aprender uma língua diferente ou mesmo se dedicar a uma ONG podem ser planos deliciosos para uma terceira etapa da vida.

E, acima de tudo, cultive hábitos e prazeres simples. “Se você acha que será feliz somente quando tiver muito dinheiro, lamento dizer que isso é pura ilusão. A felicidade se constrói no dia-a-dia, a cada momento”, escreve Cerbasi em seu livro. Visitar um amigo, dar um beijo numa pessoa querida, fazer uma declaração de amor são atos que não requerem o bolso cheio de verdinhas, mas que podem render bons momentos e grandes recordações para sempre. Se você aprendeu essa lição desde cedo, está muito mais perto de curtir uma aposentadoria bacana do que aquele cara que gasta rios de dinheiro com uma casa na praia que nunca tem tempo de usufruir justamente porque está se matando para manter um nível de vida alto, às vezes distante da realidade.

Adorar a vida

Por tudo isso, fecho esta reportagem com a história de uma pessoa que conheci recentemente: Vito Mariella, um italiano de 71 anos que mora em Nova York.Vito é ciclista há 30 anos e pedala sua bicicleta por duas horas, como um menino, todos os dias num parque perto de casa. Conta piadas sem parar, mesmo quando está pedalando numa subida. Desde que se aposentou, dedica-se à pintura, a segunda paixão de sua vida, depois do ciclismo. Após os treinos, diariamente compra ingredientes frescos para sua mulher preparar almoços especiais. Se ele sente saudades do tempo em que era empresário? “Talvez sim, mas não perco tempo com isso. Diga-me o que sou hoje, não o que fui.Adoro a vida.”

Perguntei a Vito o que ele pensa de aposentadoria. A lista desse septuagenário-moleque só tinha coisas boas: paz, risada, bicicleta, pintura, piadas... Pense nessas palavras nenhuma delas evoca algo sombrio ou temível. Cabe a você decidir qual caminho deve seguir para se tornar uma pessoa mais feliz na velhice ou em qualquer etapa da vida.

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples

Transferência de culpa Por Eugenio Mussak

20 de agosto de 2009

No começo do século 17, os habitantes da região italiana da Toscana já estavam se acostumando com as esquisitices de um sujeito chamado Galileu Galilei. Ele era bamba em matemática e física e andava obcecado por entender os mistérios do Universo. Uma passagem curiosa a seu respeito é aquela em que ele subia a torre inclinada de sua cidade natal, Pisa, e ficava jogando coisas de tamanhos e formas diferentes, tentando entender por que e como caíam. Diz a lenda que, após uma dessas experiências, Galileu observava pensativo os restos de um ovo estatelado na calçada da praça dos Milagres quando foi interpelado por uma velhinha que lhe perguntou o que estava fazendo. “Estou tentando entender por que este ovo caiu da torre”, disse ele. “Eu sei por que ele caiu”, emendou a mulher. “Porque você o soltou.”

Essa história engraçada coloca juntas as duas causas que costumam desencadear os fatos da natureza e também da vida humana: a causa que determina e a causa que predispõe. O que determinou a queda do ovo foi a ação da gravidade; o que permitiu que isso acontecesse foi o fato de Galileu ter aberto a mão e soltado o ovo. Da mesma maneira, sempre há uma causa externa e uma causa interna para os fenômenos que acompanham a vida humana. O correto é dar crédito merecido a ambos os fatores, mas nós temos uma imensa tendência a valorizar um e minimizar o outro, de acordo com nossas conveniências. Nossas conquistas costumamos atribuir às nossas virtudes; já nossos fracassos não têm nada a ver com nossos defeitos, e sim com fatos alheios a nós, verdadeiras traições do destino.

Na semana em que escrevi este artigo, pude observar pelo menos três fatos que ilustram bem essa tendência de autopreservação: um querido amigo chegou com uma hora de atraso a um compromisso que tinha comigo e, após cumprimentar-me, passou a culpar o trânsito por seu atraso, e não sua já conhecida e folclórica despreocupação com os horários e com o tempo dos demais. Outro, investidor da Bolsa da Valores, perdeu dinheiro com a dança dos números e imediatamente atribuiu o prejuizo à “mão invisível do mercado” e não a sua análise incorreta das tendências. Nesses acontecimentos, eu fui o espectador, mas há pelo menos um em que fui o grande protagonista. Estou entregando este artigo com atraso e, quando a equipe de VIDA SIMPLES me ligou, suavemente, cobrando, eu comecei logo a dizer que ainda não tinha entregue porque estava viajando, os aviões andam atrasados, o excesso de trabalho estava me matando etc. etc. É o mesmo que dizer: “A culpa não é minha. A culpa é de minha vida, e eu não tenho controle sobre ela”. Pode?

Você é meu inferno

Cada pessoa tem seus próprios planos na vida. Para realizá-los, vai executando ações que modificam o mundo a seu favor. Até aí, tudo bem. O problema é que todos fazemos isso e, claro, sempre haverá a possibilidade de que aquilo que alguém faça para atingir seus objetivos entre em conflito com o projeto de outra pessoa. É por isso que o filósofo Sartre dizia que “o inferno são os outros”. Mesmo levando em consideração o mau humor do existencialista francês, temos que aceitar que ele tinha lá alguma razão, mas também não podemos deixar de atribuir a esse pensamento uma carga de transferência de responsabilidade. Às vezes as pessoas criam seus infernos particulares e atribuem a autoria a outrem.

Todos já vivemos situações em que foram as atitudes de alguém o namorado, o chefe ou o presidente da República que acenderam o fogo da panela de pressão de nossa paciência. Ok, concordo! Mas muitas vezes fomos nós mesmos que riscamos o fósforo, e os outros apenas entraram com a palha seca. Ou vice-versa.

Ninguém está livre de ter esse comportamento transferidor de responsabilidade. O problema é que ele pode se transformar em um padrão. Quem jamais, ou quase nunca, admite ter construído seus insucessos, carrega consigo os sentimentos de frustração, de impotência e de injustiça. Frustração porque vê seus planos falharem. Impotência porque, como não se atribui a culpa, sente-se incapaz de agir sobre seu próprio destino. Injustiça porque não se considera merecedor do infortúnio, uma vez que, em sua opinião, não é ele o autor do mesmo.

A psicologia, que está sempre buscando explicar o comportamento humano, cunhou a expressão “projeção” para explicar essa tendência de transferir responsabilidades que todos temos, em graus variados. E colocou a projeção em um grupo de comportamentos chamados “mecanismos de defesa”. A parte da estrutura psicológica chamada ego muitas vezes recusa-se a reconhecer impulsos de seu vizinho, o id. Essa é a parte da mente humana mais primitiva, regida pelo impulso do prazer, e que busca a satisfação imediata das necessidades e o apaziguamento das tensões. Obedecendo a esses impulsos primitivos, muitas vezes fazemos coisas, ou deixamos de fazer, que nossa própria moral reprovaria. É quando entra o ego, que é regido pelo princípio da realidade.

Quando adultos, não podemos mais simplesmente cair no choro e sapatear quando somos contrariados ou repreendidos. As crianças fazem isso porque são comandadas pelo id. Nos adultos, o ego assume o comando e a responsabilidade. Entretanto, às vezes o golpe é muito forte para um ego ainda não totalmente estruturado. Nesse caso, ele projeta a culpa para fora de si, isentando-se e, claro, incriminando alguém. Freud explicou!

Inocente ou impotente?

Dizem que essa tendência de transferir responsabilidades é maior entre nós, latinos. O economista argentino Fredy Kofman, que é professor nos Estados Unidos, observou isso, e comenta que se interessou pelo assunto quando seu filho de 5 anos um dia dirigiu-se a ele dando origem a um diálogo bizarro, mas pra lá de esclarecedor:

— Pai, sabe aquele carrinho que você me deu ontem?
— Sim, o que tem ele?
— Pois é, pai. Ele quebrou.
— Como assim? Ele se quebrou sozinho? Então ele cometeu suicídio?
— Foi, pai. Bem diante de meus olhos. Foi horrível!

Pense em quantas vezes você mesmo, como o pequeno protagonista da história, transferiu a responsabilidade até para objetos inanimados. Eu, pessoalmente, tenho vários episódios, confesso. Quando estudei nos Estados Unidos, ainda muito jovem, consegui comprar um carro, um pequeno e econômico Ford Pinto. Certa vez, em uma das muitas freeways californianas, o valente carrinho de repente começou a tossir, sacudir-se todo, até que acabou parando. Motivo? Falta de gasolina. Maldição!, disse eu, sem saber exatamente a quem estava dirigindo o impropério.

Em menos de dois minutos um carro da polícia encostava ao meu lado, e quando o policial perguntou o motivo de estar parado em lugar proibido, eu disse algo como: “Eu não tive culpa. A gasolina acabou”. “Então de quem é a culpa?”, respondeu o agente da lei por trás de seus óculos escuros. Ele fez três coisas. A primeira deu-me alívio, a segunda vergonha e a terceira, prejuízo: levou-me até um posto de serviços para que eu providenciasse o combustível, passou-me uma descompostura por meu ato imprevidente de entrar numa freeway sem verificar o combustível e aplicou-me uma imensa multa.

Durante muito tempo eu me envergonhei do acontecido. Hoje o encaro como um imenso aprendizado. Naquele momento eu me achava inocente. Na verdade eu estava impotente. Aliás, esse é o preço da inocência a impotência. Se você deseja ter sua vida sob controle, o preço é outro a responsabilidade.

Transferir a responsabilidade aos outros traz um falso conforto momentâneo. Uma análise mais cuidadosa de qualquer acontecimento negativo em nossa vida sempre vai salientar nossa participação ativa no episódio. Muito mais do que gostaríamos de admitir. Seu namorado a deixou porque ele é um crápula ou porque você não investiu na relação nem em você mesma? O emprego não aparece porque o mercado de trabalho está ruim ou porque seu currículo não ajuda? Você não passou no vestibular porque a concorrência era muito grande ou porque você não estudou o suficiente?

É claro que sempre há, lembre-se, os fatores determinantes e os predisponentes a qualquer acontecimento. Pode ser que um fator determinante esteja fora de você, mas que você ajudou com um ou mais fatores predisponentes, isso lá você ajudou. Confesse! É verdade que o mercado está ruim, mas também é verdade que seu currículo não está ajudando. É real que o vestibular é difícil e concorrido, mas é ainda mais real que você não se preparou o suficiente. Todos sabem que os rapazes são inconstantes, mas todos sabem também que ele não foi estimulado a permanecer na relação com você, pela maneira como você se cuida e pela maneira como você o tratava. Só que ninguém diz nada.

Confessando as culpas

Em Québec, no Canadá, o jovem Otto cometeu um assassinato. Escondeu de todos, mas confessou o crime ao padre Michael Logan. Este guarda o segredo. Só que o inspetor Larrue, no decorrer das investigações, encontra indícios que incriminam o próprio padre, que é preso e encaminhado a julgamento.

Esse é o enredo de I Confess, um dos filmes menos conhecidos de Alfred Hitchcock. Bem ao gosto do velho cineasta, o filme mistura suspense com drama psicológico. Durante uma entrevista, em 1954, Hitchcock dizia que não havia gostado do resultado do filme, quando então foi interrompido pelo crítico André Bazin, que lhe disse ter percebido no filme essa forte característica humana de transferir a culpa para evitar a dor. O cineasta então se desconcertou e se surpreendeu com essa marca psicológica que ele mesmo não havia percebido em sua obra, a ponto de passar a usá-la outras vezes, como nos filmes Cortina Rasgada e Janela Indiscreta, outras de suas produções geniais.

No fim do filme, Otto confessa seu crime. É o que acontece com todos nós que, mais cedo ou mais tarde, acabamos confessando nossas culpas, culpinhas ou culponas. E não as confessamos, necessariamente, para os outros, e sim para nós mesmos, que é o que mais interessa ao nosso crescimento pessoal.

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples

Feito mágica Por Lia Hama

20 de agosto de 2009

Autor da famosa canção erótica “Je T’Aime,Moi Non Plus”, o boêmio compositor francês Serge Gainsbourg era a imagem do desleixo: cabelo desgrenhado, barba por fazer, um copo de licor Pastis na mão e um cigarro Gitanes na outra.O enfant terrible do pop francês fumava cinco maços de cigarro por dia, tomava porres homéricos e chegou a ser preso uma vez, por incendiar um restaurante. Em outras palavras, Gainsbourg era o caos feito pessoa.Dentro de casa, no entanto, ele tinha uma verdadeira obsessão pela ordem.Na residência número 5 da Rue de Verneuil, no bairro de St.-Germain, em Paris, tudo tinha que estar impecável, cada coisa no seu devido lugar, seguindo à risca as regras estipuladas por ele. Os cômodos da casa eram pintados de preto. A cor também estava presente no chão de mármore, na lareira, no sofá e no piano Steinbeck.Até o mordomo era negro. Para Gainsbourg, a cor preta tinha um efeito tranqüilizador. “Ele dizia que tinha uma bagunça tão grande dentro da cabeça que não conseguia tolerar a falta de ordem à sua frente. Ele teria enlouquecido”, conta Jane Birkin, durante anos musa e companheira do compositor, no livro Serge Gainsbourg – Um Punhado de Gitanes.

Assim como Gainsbourg, todos nós precisamos de um pouco de ordem na vida. Isso é o que torna nossa existência viável. É como os trilhos de um trem. Se não estiverem muito bem encaixados e ordenados, o trem descarrila. Agora, se estiver tudo no lugar certo, chegamos ao nosso destino final e, mais que isso, ainda apreciamos as paisagens que surgem durante o caminho. Parece tudo muito poético, mas sem nenhuma utilidade prática? Pois saiba que ela existe, sim, já que algo muito semelhante acontece em nosso cotidiano. Quanto mais nos organizamos (quanto mais os trilhos estão em ordem), mais ganhamos tempo, espaço, energia e liberdade para nos direcionarmos àquilo que realmente nos interessa (chegar ao lugar certo) e nos dá prazer (curtir a paisagem). É muito comum a gente reclamar de não ter tempo de ir ao cinema, realizar uma atividade física ou sair com os amigos, tamanha é a quantidade de trabalho, contas para pagar e obrigações familiares a cumprir. De fato, o mundo está cada vez mais exigente e complicado. Mas vai continuar dessa maneira. Portanto, o melhor a fazer é aprender a lidar com ele. E, com um pouco de organização, tudo fica mais fácil.

Por causa da bagunça,muitas vezes perdemos tempo, dinheiro e paz de espírito com coisas absolutamente desnecessárias. Quem nunca entrou em pânico por não conseguir encontrar um documento importante? Quem nunca teve que pagar multa – e ainda correu o risco de ter a linha cortada – por se esquecer de pagar a conta de telefone? Todo mundo já passou, uma vez ou outra, por situações como essas. Até aí, tudo bem. O problema é quando situações assim passam a ser tão freqüentes que tomam conta da nossa vida. “Os muito desorganizados sofrem muito. É como ter um vírus que vai se alastrando. Começa com um problema aqui, passa a afetar outra área ali, vai crescendo e, quando vê, a pessoa perdeu o controle da situação”, diz Kelley Lara, palestrante da OZ! Sistemas de Organização, que dá cursos e presta assessoria na área. No ambiente de trabalho, por exemplo, um dos custos da bagunça é a menor produtividade. O desorganizado demora mais para encontrar o que precisa em meio à montanha de papelada, correspondência velha e até lixo espalhado pela sua mesa. Por causa da bagunça (física e mental), muitas vezes ele tem que refazer uma mesma tarefa e não é visto como confiável pelo chefe, já que tem dificuldade para cumprir prazos. Pior ainda: vira alvo de gozações por parte dos colegas. “Tudo isso abala a auto-estima da pessoa, que fica ansiosa, insegura e se sente incompetente. Em casos extremos, pode levar à depressão”, diz Kelley. O contrário também pode ser dito: em muitos casos de depressão, as características de organização de cada pessoa lentamente se deterioram.

Mais energia

O que fazer então para colocar um pouco de ordem no dia-a-dia? E, afinal, o que significa se organizar? “Organizar- se é controlar a própria vida, escolher as prioridades, determinar o que é realmente importante e livrar-se do que é excessivo”, resume a expert norte-americana Donna Smallin, que escreveu três livros sobre o assunto, entre eles o Organize-se. É claro que não existe uma forma única de organização perfeita.Mas os especialistas dão algumas dicas que podem nos ajudar a vencer o desafio da bagunça. Você pode escolher as que são mais adequadas ao seu caso e adaptá-las de acordo com seu estilo. A solução perfeita, na verdade, é aquela que funciona melhor para você.

Os especialistas concordam que para se organizar é necessário planejamento. Com tantos estímulos disputando nossa atenção ao mesmo tempo, é muito fácil se dispersar e deixar o caos tomar conta de tudo. Mas, com planejamento, a gente poupa energia, direcionando-a apenas àquilo que é fundamental. Em termos práticos, isso significa reservar alguns minutos pela manhã para decidir o que fazer durante o dia. Para isso, basta fazer uma lista de tarefas. Simples, não? Isso evita aquele pânico tão comum de ter tantas “coisas a fazer” que a gente não sabe nem por onde começar e que é um convite à procrastinação, aquela característica de deixar tudo “para amanhã” (e esse amanhã nunca chega). Com uma visão geral do que é preciso fazer, você consegue estabelecer suas prioridades. Comece da tarefa mais importante até chegar à menos importante e vá riscando. Você vai se impressionar com a quantidade de coisas que é capaz de fazer em um só dia.

Periodicamente, coloque no papel seus objetivos de médio e longo prazo. Esses planos são sua carta de navegação, aquilo que vai ajudá-lo a manter o foco e a não gastar tempo e energia com o que não é fundamental. Com ele em mente, a cada dia você pode dar um passo a mais em direção à sua realização.Mas lembre-se: seja flexível e esteja preparado para fazer os ajustes que serão inevitáveis ao longo do percurso. Afinal, esses planos são apenas para nos auxiliar e não para nos deixar amarrados. Freqüentemente eles devem ser atualizados e, no caminho, muitos acabam sendo descartados.

Mais espaço

Não espere organizar tudo de uma vez só. Quem tem uma vida muito desorganizada não fez isso da noite para o dia e vai levar um tempo até conseguir colocá-la em ordem – e mais ainda para conseguir mantê-la organizada. Já no século 17 o filósofo francês René Descartes, autor do Discurso sobre o Método, falava da importância de, ao se estudar um fenômeno complexo, dividi-lo ao máximo em partes menores e mais simples, de forma a tornar possível entendê-lo. O mesmo método vale para arrumar nossa vida. Essa tarefa (gigantesca para muitos, sem dúvida) tem que ser feita aos poucos, realizando uma coisa de cada vez. Cada passo bem-sucedido é um estímulo para continuar nessa direção. 
Que tal começar arrumando seu quarto? Isso mesmo. Simples assim.O bê-á-bá. Já reparou como nos momentos em que precisamos nos concentrar, realizar um trabalho importante, em primeiro lugar arrumamos o espaço físico ao nosso redor para então seguir em frente com nossa tarefa? Isso não é à toa.“O caos físico gera desorganização mental e vice-versa. Ao organizar o nosso espaço, nós nos organizamos mentalmente também”, diz Kelley.É como a casa arrumadinha e pintadinha de preto do nosso amigo bebum Serge Gainsbourg, personagem do início desta reportagem. Ele precisava disso para não enlouquecer com a vida caótica que levava fora. Depois do quarto, passe para a cozinha, depois para a sala, o banheiro, o escritório, o carro e tudo mais que estiver ao seu redor. Mas vá aos poucos, claro, sem grande afobação. Ou seja: muitas vezes somos desorganizados porque, uma vez, deixamos uma pequena parcela de bagunça tomar conta de algum aspecto da nossa vida. Essa primeira centelha se espalha e pronto: a balbúrdia tomou conta. Aí, até como defesa, acaba sendo natural evitar o confronto com a desorganização.

Em casa ou no trabalho, livre-se da bagunça – o excesso de coisas sem as quais você pode viver melhor. “Tenha como meta cercar-se apenas de coisas que você usa e das quais gosta e desfaça- se de tudo aquilo que só ocupa seu valioso espaço”, diz Donna. Para simplificar a vida e torná-la mais produtiva, é importante aprender a descartar, a livrar-se do que é desnecessário. No caso de roupas, por exemplo, que tal separar aquelas que você não usa mais (e que só ocupam espaço no armário e juntam poeira) para dar a quem precisa? Elas também podem render um dinheirinho extra, se você vendê-las a um brechó.O mesmo vale para livros e revistas.Guarde os que são importantes para você e doe o restante para bibliotecas públicas ou para o consultório do seu dentista.Você também pode trocá-los por outros ou até mesmo vendê-los a um sebo.

Para algumas pessoas,descartar pode ser um processo difícil e até mesmo doloroso.Muitas vezes quem acumula possui vínculos emocionais com os objetos e não consegue se livrar deles. Minha mãe, por exemplo, mesmo agora que os filhos são adultos, ainda guarda boa parte dos objetos de quando eu e os meus irmãos éramos crianças. Até mesmo os cadernos escolares! “Você pode ajudá-la oferecendo uma troca”, me aconselha Kelley.“No lugar de guardar todos os seus brinquedos de infância, por exemplo, peça a ela que escolha apenas um ou dois, os mais significativos. O restante pode ser doado”, afirma.

Às vezes uma grande mudança vira nossa vida de cabeça para baixo. Foi o que aconteceu com a administradora de empresas Cristiane Berezin, 36, quando deu à luz as gêmeas Esther e Laura há um ano e meio. “Fiquei perdida”, conta. Com depressão pós-parto, ela ficou ainda mais abalada porque suas filhas tiveram uma inflamação nos bronquíolos.“Me senti culpada”, diz Cristiane, que na época já era mãe de uma menina hoje com 4 anos. Ela também recebia nos fins de semana os filhos do casamento anterior do marido. “De repente me vi com cinco crianças para cuidar,além do meu marido, da minha casa e do meu trabalho. Era muita coisa para mim”, afirma.Aos poucos, porém, a administradora foi colocando ordem no dia-a-dia de forma a ser capaz de lidar com tantas demandas diferente. Fez terapia e se mudou de São Paulo para Atibaia, em busca de uma vida mais tranqüila. Contratou uma babá e procurou dicas de organização em sites da internet. Pediu auxílio de um serviço especializado quando se mudou de casa.“Hoje, para me organizar, faço listas no computador das compras de supermercado, feira, farmácia e utensílios para as crianças. Quando acaba o pão, já marco na lista. Coloco etiquetas nas roupas dos bebês e ensino à empregada e à babá como manter tudo organizado. Delego funções e divido também as tarefas com meu marido”, diz. “Sem tudo isso, minha vida seria um caos. É claro que às vezes algumas coisas saem erradas, mas faz parte.”

Mais tempo

Na hora da arrumação, procure estabelecer nichos específicos para cada coisa. Escolha, por exemplo, um lugar para deixar sempre a chave de casa. Outro para guardar os documentos mais importantes. Compre uma pasta para colocar todas as contas.Mas preste atenção para que essa organização seja feita de forma prática, pois, quanto mais você complica, mais difícil será mantê-la. A organização serve para facilitar a vida e não para dificultá-la.

Além do “efeito organização interna”, colocar cada coisa em seu lugar (e mantê-la ordenada) ajuda a poupar tempo, esse bem tão desejado nos nossos dias. “Ao contrário do que muita gente pensa, organizar o espaço não é uma perda de tempo. É um ganho,pois você vai saber exatamente onde estão as coisas e não vai mais perder minutos preciosos ou até mesmo horas preciosas procurando-as”, afirma a psicóloga Sâmia Simurro, vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

Mais liberdade

É claro que regras demais são uma ameaça à criatividade, uma qualidade fundamental. No limite, podem até ser sinal de doença, como a do transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Portanto, não vamos exagerar. Ninguém aqui quer pregar o fim da espontaneidade. Afinal, a vida não teria graça nenhuma sem ela. Algumas das mais belas canções de amor do mundo não teriam sido criadas por Gainsbourg se ele tivesse levado apenas uma vida certinha, monótona e cheia de regras. Estamos falando de uma organização que, na medida certa, serve em grande medida para simplificar nossa vida. Trata-se, na realidade,de uma forma de libertação.Uma boa síntese disso é feita pelo filósofo Mario Sergio Cortella, professor da PUC de São Paulo.Diz ele: “Tenho uma razão muito simples para ser uma pessoa organizada: gosto muito de cultivar o ócio.Quanto mais organizado eu sou, mais tempo livre eu tenho para me dedicar àquilo de que mais gosto. Ou seja, ficar sem fazer nada e sem culpa”.Um ótimo motivo, não?

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples

Superação Por Eugenio Mussak

20 de agosto de 2009

Realmente, a capacidade de superar as adversidades da vida confere ao ser humano uma certa qualidade dos deuses. Os casos verídicos, como o da leitora Maria de Fátima, são o melhor meio para entendermos essa inigualável oportunidade de aprendizado e de engrandecimento que o destino nos dá. Há muitos exemplos na vida real, alguns notáveis, como o do pianista João Carlos Martins, que vai deixar dois legados para as futuras gerações: sua brilhante produção musical e sua imensa capacidade de superar a adversidade.

Martins começou a estudar piano aos 8 anos de idade e, após nove meses de aula, vencia, com louvor, o concurso da Sociedade Bach de São Paulo. Todos perceberam que estavam diante de um prodígio. O garoto desenvolveu uma rápida carreira de pianista internacional, dedicando-se à obra de Bach com devoção, a ponto de ser considerado o mais importante intérprete do célebre compositor desde Glenn Gould, o excêntrico canadense que se aposentava enquanto João Carlos despontava. Gravou a obra completa de Bach. Sua interpretação do “Cravo Bem Temperado” foi um fenômeno de vendas nos Estados Unidos, tocou nas principais salas de concerto do mundo, inaugurou, em Toronto, o memorial dedicado a Glenn Gould e por aí vai.

No auge da fama, aos 26 anos, sua outra paixão, o futebol, lhe pregou uma peça. Jogando uma partida com amigos no Central Park, em Nova York, caiu sobre o próprio braço e perdeu os movimentos da mão. Para qualquer pessoa isso já seria uma tragédia. Para ele, um pianista, era um desastre completo. Ou melhor: seria, se não fosse sua incrível capacidade de recuperação, apoiada por cirurgias, sessões dolorosas de fisioterapia, injeções na palma da mão. E o pianista voltou ao piano e às melhores salas de concerto. Não sem dor, mas com paixão.

Mas o destino não ficou satisfeito. Anos depois, em plena atividade, sofreu um assalto violento em Sófia, na Bulgária. A agressão afetou-lhe novamente as mãos, suas ferramentas de trabalho. Voltou às salas de cirurgia e de fisioterapia. E o pianista retornou ao piano mais uma vez. Até que, em 2002, a seqüela das lesões venceu e provocou a paralisia definitiva de suas duas mãos. O pianista se afastava do piano. E da música também? Não. Não ele.

Com 63 anos, idade de aposentadoria para os mortais comuns, João Carlos começa a estudar regência, e dois anos depois rege a English Chamber Orchestra em Londres. O que o move não é apenas o dom e o amor pela música, mas a força interior e a paixão pela vida. Sua história parece um filme. E virou um filme A Paixão Segundo Martins, o documentário franco-alemão da cineasta Irene Langemann.

Fui assistir à apresentação da Orquestra Bachiana regida por João Carlos na Sala São Paulo. Interpretaram a Nona Sinfonia de Beethoven, obra escrita quando o compositor já era surdo outro exemplo ensurdecedor (desculpe!) de superação. A apresentação daquela noite seria apenas irretocável, não fosse por dois detalhes: sendo incapaz de virar a página da partitura, o maestro teve que decorar todas as notas da obra. Regeu de cor. E ainda, no fim, após os aplausos da platéia, nos deu uma canja. Mandou que subissem um piano pelo elevador do palco e atacou a “Ária da Quarta Corda", de Bach, originalmente escrita para violino, em que o violinista usa apenas a corda sol para executar a bela melodia. João Carlos tocou-a no piano usando apenas os três dedos que lhe restaram. Eu sei que não era sua intenção, João, mas naquele momento todos nós nos sentimos pequenos diante de sua grandeza.

Crises boas ou ruins?

Crises são períodos amargos de nossa vida. Representam a quebra de um equilíbrio confortável e nos fazem sofrer. Não há duvida quanto a isso, mas... Olhando mais de perto, podemos encontrar dentro da crise o lado bom, que é o motivo que nos leva a promover as mudanças necessárias. Pense um pouco, caro leitor, se nunca lhe aconteceu algo que na ocasião parecia uma tragédia e que hoje você agradece porque foi o que o levou a tomar atitudes que transformaram sua vida para melhor. Eu, que não sou diferente de ninguém, tenho uma coleção de fatos que odiei quando aconteceram e que hoje agradeço.

Dizem que há dois tipos de crise: a maldita e a bendita. A diferença não está na qualidade de ambas, mas na reação que a pessoa tem a mesma crise provoca, em duas pessoas, efeitos diferentes, às vezes opostos. A psicologia ainda tem dúvidas sobre os motivos que levam uma pessoa a ser destruída por uma vicissitude da vida, enquanto outra aproveita a mesma oportunidade para se transformar em melhor. Ok, mas, na crise, menos psicologia e mais ação. Na dúvida, opte por reagir. É melhor perder lutando.

Capacidade de superar dificuldades, tragédias, dramas pessoais, todos temos. Alguns mais, outros menos, é verdade, mas perceba: essa capacidade é insuspeita, ou seja, não dá para antecipar a reação de uma pessoa diante da dificuldade. Há casos de pessoas consideradas frágeis, de baixa energia interior que, quando assaltadas por uma grande dificuldade, tiveram o botão da reação finalmente ligado. Sim, a pessoa pode ser salva pela crise. É o anjo da sorte piscando o olho, malicioso.

A filosofia explica. Essa qualidade que o ser humano tem de superar suas limitações foi vista de maneira diferente por dois filósofos: Schopenhauer e Nietzsche. O primeiro era um pessimista de carteirinha e achava que nada, ou pouco, podia ser feito para mudar o rumo das coisas. O segundo acreditava na capacidade do homem em “dar a volta por cima”, apesar de achar que isso não era para todos.

Não que Schopenhauer fosse um fatalista, daqueles que acreditam que o “destino está escrito e pronto”. Ele apenas achava que quando algo de ruim sucede na vida de alguém, isso se deve a forças externas muito maiores que as forças próprias dessa pessoa. Então, de pouco adiantaria lutar. Ele não era fatalista, mas, de certa forma, era conformista. O livro A Cura de Schopenhauer, de Irvin O. Yalom, leva o leitor, em função do nome, a achar que Schopenhauer é curado de alguma doença, mas não é isso. É o personagem central da trama que, em dado momento, “cura-se” da influência negativa de seu filósofo predileto e passa, finalmente, a acreditar no poder de superação do ser humano e no seu próprio.

Já Nietzsche nos legou a idéia da vontade de poder. Examinando a expressão em sentido inverso, podemos atribuir poder à vontade. “Tudo o que não me mata me fortalece”, teria dito o filósofo, dando a entender que possuímos o poder de superar nossas fraquezas e nossas dificuldades, e que são estas que acionam o gatilho que dispara tal poder. A força está em nós basta usá-la. Claro, para não trair seu jeito nietzschiano de ser, Nietzsche informa que nem todos conseguirão usar esse poder interior. Aqueles que o conseguirem serão objeto de admiração dos demais. Mas como saber quem será o eleito para usar o poder de superação antes de ser colocado à prova? Não há racionalidade que selecione os super-homens nietzschianos a priori.

Um beijo na realidade

Tenho um querido amigo chamado José Luiz. Talvez, se ele não tivesse sofrido um grave acidente na infância, não teria liberado a força que hoje coloca em tudo o que faz. Um certo dia, quando tinha 3 anos de idade, sua mãe de criação tentava derreter uma lata de cera de chão com gasolina e fogo, quando percebeu que perdia o controle do tamanho da labareda. A reação natural foi arremessar a lata pela janela, sem perceber que o menino estava brincando no quintal. O resultado foi a queimadura total de seu rosto. O menino foi salvo pela vizinha que abafou o fogo com um cobertor.

A vida que começou a ser vivida por José Luiz a partir de então tem os ingredientes de uma tragédia. Centenas de cirurgias, anos vividos na Santa Casa de Misericórdia de Santos, onde estudou parte do ensino fundamental em uma escola própria para crianças doentes, impedidas de frequentar as escolas comuns. Teve a infância e a juventude roubadas pelo destino contido em uma lata de cera.

A vizinha de José Luiz era uma mulher amorosa que ajudou a cuidar dele e, como era professora de violão, começou a dar-lhe aulas. E não é que o menino tinha talento? Touché, destino! Aos 16 anos ele compôs uma música que foi premiada em um festival local. Um dado bonito: o grupo de músicos que iria apresentá-la impôs a condição de que o cantor deveria ser o autor. Vidas são transformadas a partir de decisões, e a dele, naquele momento, foi a de vencer a vergonha e enfrentar a platéia. Sua auto-estima começava nessa data, e seu fabuloso processo de recuperação. Hoje, José Luiz Tejon é publicitário e jornalista, dirige uma empresa com 700 funcionários, é mestre em educação, escreveu sete livros, é professor em duas universidades, dá palestras no Brasil e no mundo e, claro, mantém sua banda de rock a Dinossauros Rock Band.

A amizade do Tejon é daquelas que só me fazem bem. Quando liguei para ele em busca de elementos para este artigo, me dei conta de que nunca antes o havia visto como uma pessoa diferente. Ele relata tudo com naturalidade, sem a emoção dramática dos fatalistas. Contou-me que trabalha como voluntário no IPQ Instituto Pró Queimados, porque dá imenso valor ao apoio da comunidade em que o acidentado vive. Quando lhe perguntei se todas as pessoas reagem como ele, disse-me:

Não, muitos usam sua condição para provocar piedade e esperar as benesses da inferioridade a paradoxal desvantagem vantajosa. 
O que, na sua opinião, estabelece a diferença de reação entre as pessoas diante da adversidade? perguntei.

A capacidade de beijar a realidade respondeu, sábio. Os que aceitam sua realidade usam a energia para a superação, e não para a revolta.

O Beijo na Realidade é o belo e instigante título de um dos livros de Tejon. Ao seu leitor, fica a pergunta: “Você beija sua realidade ou a esbofeteia?” sem esquecer que a reação será proporcional. Pois é... mais uma vez, a diferença parece estar no poder de beijar a face certa.

* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples

Tudo ao mesmo tempo agora Por Mariana Sgarioni

20 de agosto de 2009

A sensação de que as coisas passam muito rápido é cada vez mais real. A velocidade gera um bocado de ansiedade. Mas é possível tirar proveito destes tempos de correria.

 

Paulo César Farias é um sujeito pacato, sereno. Diferentemente do homônimo alagoano aquele outro, o tesoureiro de Fernando Collor e protagonista de um dos maiores escândalos políticos do Brasil , este nosso Paulo César é Paulinho da Viola, um cara avesso a correrias. Seu negócio é cantar quando solta sua voz doce, tem o dom de acalmar até os corações mais inquietos. “Me perdoe a pressa. É a alma dos nossos negócios”, diz Sinal Fechado, um de seus clássicos. A canção é o hino dos desencontros, da vida movimentada, dos sinais fechados que nos forçam a parar por, no máximo, três minutos. Da pressa que nos atordoa e nos obriga a fazer tudo rápido, para ontem. “O sinal... Eu procuro você...Vai abrir!!! Vai abrir!!!”

 

Quantas vezes você teve encontros parecidos com esse? E nem precisa ser no sinal pode ser no elevador, no corredor, entre um café e outro. Não dá tempo de falar muito. Não dá tempo de telefonar para aquele amigo que faz aniversário. Não dá tempo nem de almoçar, às vezes. E assim vamos moldando a vida. Já que o tempo não pára, é preciso fazer muitas coisas e no mais breve espaço de tempo. Como ninguém consegue, lá vem a ansiedade. Até o pacato Paulinho, quem diria, já foi parar no hospital com arritmia cardíaca numa crise de ansiedade. “Eu estava sem dormir direito. Dormi só duas horas e acordei cedo porque tinha um compromisso. No final do dia, estranhei o fato de não estar cansado. Minha respiração começou a ficar meio ofegante, estava sentindo uma enorme ansiedade”, contou, na época.Quem faz tudo rápido pode até parecer mais eficiente e esperto. Mas não é. Agilidade em excesso traz danos para a saúde física, mental e social. Mas o que fazer com a vida que nos cobra cada vez mais atividades e o tempo que parece escapulir pelos dedos? É o que você vai descobrir a partir de agora.Cada vez mais rápidoParece que o Natal foi ontem e já estamos caminhando para o final de ano de novo. Essa frase, campeã das conversas vapt-vupt de elevador (ou de sinais fechados), existe desde que o mundo é mundo. A impressão de que o tempo voa persiste desde que o homem começou a pensar no sentido da vida. No início da era cristã, o filósofo Sêneca (7 a.C.-65 d.C.), na obra Sobre a Brevidade da Vida, dizia que “finalmente, constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela [a vida] já passou por nós sem que tivéssemos percebido”. “Foge o irrecuperável tempo”, dizia o poeta latino Virgílio (70-19 a.C.).Sim, o tempo voa. A má notícia, caro leitor, é que tudo parece estar cada vez mais rápido mesmo. Há pouco mais de dez anos, a dupla de pesquisadores James Tien e James Burnes, do Instituto Politécnico Rensselaer (Nova York), provaram que percebemos hoje o tempo passar muito mais depressa do que no passado. Segundo eles, essa variação de percepção tem a ver principalmente com o crescimento das novas tecnologias, sobretudo com o chamado tempo real de transmissão de informações pela internet. “Isso quer dizer que cabem muito mais acontecimentos dentro do mesmo espaço de tempo, o que aumenta a sensação de velocidade”, afirma Tereza Mendonça, psicanalista do Instituto de Estudos da Complexidade do Rio de Janeiro.O lado bom é que é simplesmente sensacional ter acesso a informações com mais agilidade. Isso ajuda a impulsionar a vida e toda essa tecnologia foi criada para nos ajudar. Só precisamos aprender a usá-la com inteligência e não como uma fonte de angústia. Caso contrário, nosso cérebro entra em curto-circuito. Imagine se na época de sua avó ela conseguia, no mesmo instante, saber de notícias online, falar com alguém pelo celular, acessar a agenda eletrônica, ver e-mails, responder chamadas no messenger... Mesmo podendo fazer tanta coisa ao mesmo tempo, é bom lembrar que o dia continua tendo 24 horas, a hora 60 minutos e assim por diante. Está certo que essa contagem foi criada pelo homem (a natureza não tem ponteiros de relógio, lembra?), mas, nesse quesito, nada mudou nos dias atuais. O que aconteceu é que acumulamos funções. O que fazer, então?

 

A psicanalista Tereza Mendonça apropria- se de um conceito da biologia para dar uma idéia de como melhorar essa relação sem precisar fugir para o meio do mato. “Temos que colocar uma membrana seletiva imaginária entre nós e a vida. Já que muita coisa acontece ao mesmo tempo, o jeito é filtrar através dessa membrana, que, assim como uma membrana celular, só deixa passar aquilo que é bom para nós, o que nos favorece”, diz. “Desse jeito fica possível saborear o tempo de forma criativa, como uma experiência, e não como algo que nos escapa. O tempo fica algo maleável, que pode se estender.”Precisamos aprender a usar esse filtro por basicamente duas razões: primeiro porque, na vontade irreprimível de conseguir fazer tudo rapidinho, o monstro da ansiedade vem para nos assombrar e causar os mais diversos incômodos. Segundo porque, definitivamente, não dá para fazer (direito) mais de uma coisa ao mesmo tempo. Nossa atenção pode, sim, ser dividida. Mas isso não quer dizer que sejamos capazes de nos aprofundar. Vamos ver, a partir daqui, de que forma cada uma dessas razões mexem na nossa vida cotidiana.A ansiedadePara começo de conversa, ansiedade não é nada ruim. Não é doença, mas um estado emocional absolutamente normal do ser humano, assim como felicidade, paixão, dor, raiva. Precisamos de certa dose de ansiedade, inclusive, para nos mantermos vivos. Esse sentimento está ligado ao nosso instinto de proteção e sempre é ativado em nosso organismo quando nos vemos em uma situação de perigo. É um instrumento de alerta e reação. Ou seja: uma pequena dose de ansiedade antes de uma prova, de uma competição ou até de uma entrevista de emprego pode fazer bem.O problema é o exagero. Tanto que, atualmente, pelo menos 25% da população mundial já foi acometida por algum tipo de transtorno ansioso na vida. Transtorno quer dizer síndrome do pânico, as mais variadas fobias e outros males que imobilizam a vida da pessoa. Crises pontuais como uma taquicardia porque o trânsito não anda e você precisa chegar logo nunca foram contabilizadas oficialmente, mas dá para imaginar o resultado. Uma pesquisa feita em 2005 com 820 pessoas de Porto Alegre e São Paulo pela Isma-Brasil (International Stress Management Association) mostrou que 83% dos participantes afirmaram ter problemas de ansiedade.Mas o que acontece com um ansioso? Ele sofre e sofre muito. “Ninguém morre de ansiedade. Mas pode padecer de sensações horríveis, tais como tremores, suador, opressão e dor no peito, boca seca, palpitações, tonturas, entre outros sintomas muito incômodos que podem levar a pessoa ao hospital, como aconteceu com Paulinho da Viola”, afirma Tito Paes de Barros, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, autor do livro Sem Medo de Ter Medo. A ansiedade vem porque queremos chegar logo no futuro, rápido, saber o que vai acontecer daqui a pouco. “É como querer adiar a vida o tempo inteiro. Fazemos mil coisas para aproveitar o tempo e preparar o terreno para o futuro, um futuro que não chega nunca”, afirma Andrea Vianna, psicóloga do Amban (Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas de São Paulo).E tem mais: de que adianta viver correndo em função do futuro, sem aproveitar o presente, se ninguém sabe a hora da morte? Pois essa idéia de falta de controle é outro fator que acarreta ainda mais e mais ansiedade. Segundo Andrea, nessas horas de crise ansiosa, um bom exercício é parar um minuto e prestar atenção na respiração. Se ela estiver curta demais e centrada apenas no tórax, procure respirar pelo abdomen, puxando e soltando o ar em três tempos, como se tivesse uma bexiga cheia e vazia na sua barriga. É um primeiro passo para retomar o controle do próprio corpo.Vida aos pedaçosA segunda conseqüência preocupante da ansiedade é que, ao fazer tudo rápido, não dá tempo de nos aprofundarmos em nada. Só escancaramos ainda mais nossa sensação de urgência. Fica tudo na superfície, como se provássemos as coisas (e pessoas) aos pedacinhos. Já existe até um termo para isso: snack culture, ou “cultura aos pedaços”, em inglês. Cunhado pela revista americana Wired, o termo diz que vivemos uma época de entretenimento instantâneo, com produtos culturais feitos para serem consumidos rapidamente para que outros sejam logo produzidos. Não é à toa que já existem filmes de um minuto, livros para ler no intervalo da novela e sites com apenas trechos de músicas. Tanta superficialidade não deixa tempo para reflexão sobre o que se consome o lado bom da história é que nunca houve tanto acesso à cultura como atualmente.O problema é que a febre snack não atinge só a cultura, mas a vida como um todo inclusive a vida afetiva. O sociólogo polonês Zygmunt Baumann chama esse fenômeno de fluidez da existência contemporânea. “A vida numa sociedade líquido-moderna não pode ficar parada. Deve modernizarse ou então perece. É preciso correr. Ligar-se ligeiramente é uma ordem. Não importa o que aconteça, propriedade, situações e pessoas continuarão deslizando e desaparecendo numa velocidade surpreendente”, afirma em seu mais recente livro, Vida Líquida.É só pensar um pouco para reparar no quanto nossa cultura associa viver mais depressa com felicidade e inteligência. Um sujeito rápido é logo identificado como inteligente o lento já é taxado de burro. Isso é uma tremenda balela, mas é assim que temos enxergado o mundo. Prova disso é a pergunta de Albert Einsten a um aluno: “Por favor, você pode explicar este problema devagar porque não entendo as coisas depressa?”Se você chegou até aqui nesta reportagem é porque dedicou um tempinho do seu dia para uma reflexão. Então responda: que diferença faz a velocidade com que você responde a uma pergunta, desde que a resposta seja correta? A não ser que esteja se preparando para uma profissão como salva-vidas ou motorista de ambulância, você acha mesmo importante dar valor a essa mesma velocidade que causa ansiedade e superficialidade? “Forçar o vinho a envelhecer depressa, as árvores a crescerem rápido, apressar um chute na bola, forçar o amor a vir mais cedo, o amanhã a chegar hoje. Gostamos de andar rápido e vencer a corrida. O problema é que perdemos a grande vitória da desaceleração a ser conquistada”, diz o psiquiatra americano Edward M. Hallowell. Se a idéia é aproveitar o tempo, sossegue. Você vai viver mais do que seus avós a expectativa de vida do brasileiro cresceu mais de 8 anos nos últimos 23 anos. Se o homem vive mais tempo, o tempo não precisa lhe faltar. Como diz Paulinho da Viola, “coisas do mundo, minha nega”.* Artigo publicado originalmente na Revista Vida Simples.

Afinal, o que é uma alimentação saudável?

20 de agosto de 2009

Regimes, dietas milagrosas, recomendações alimentares desencontradas e pesquisas científicas cada vez mais numerosas, afinal, o que é mesmo uma alimentação saudável?

 

Para Karina Tourinho, nutricionista do Instituto Procardíaco, uma boa dieta pode ser definida em apenas três palavras: variedade, moderação e equilíbrio.

 

Segundo ela, na construção desse conceito deve-se considerar não apenas as restrições a alguns tipos de alimentos, mas também preservar a satisfação de comer. “O exercício do prazer, seja ele qual for, é fundamental para a saúde das pessoas”, assegura.

 

Na opinião de Karina, o conceito de alimentação saudável é amplo e abrange desde o suprimento adequado de nutrientes até os cuidados com algumas doenças cuja prevenção pode estar relacionada a hábitos alimentares corretos e saudáveis.

 

Para manter a saúde, esclarece ela, o corpo precisa de equilíbrio adequado de carboidratos, gordura, proteínas e pelo menos 13 vitaminas e 16 minerais essenciais. “O padrão alimentar do indivíduo, seja ele sistematizado ou não, segue critérios que variam de hábitos alimentares e socioculturais, nele incutidos desde criança, até tabus e preconceitos religiosos”, diz. Sendo a pessoa sadia ou doente, a alimentação deve ofertar elementos capazes de manter ou recuperar seu estado nutricional.

Para facilitar a compreensão do público, os nutricionistas costumam apresentar a distribuição dos alimentos em forma de pirâmide. Suas principais metas são obter consumo variado de alimentos, ingestão menor de gorduras saturadas e colesterol, maior consumo de frutas, verduras, legumes e grãos, além da ingestão moderada de açúcar, sal e bebidas alcoólicas.

 

Na base da pirâmide encontram-se os itens mais saudáveis, de consumo liberado, como cereais, pães, arroz, massas, frutas e vegetais. A partir do terceiro nível a freqüência ou a quantidade dos alimentos deve ser restringida; é o caso dos laticínios, carnes, aves,peixes,ovos,feijões e nozes. No topo estão gorduras, óleos e açúcares, cuja recomendação é ser ingeridos com bastante parcimônia.

De acordo com Karina Tourinho, a dieta mais adequada deve contar com acompanhamento profissional, pois as necessidades nutricionais não são iguais para todos: variam a depender das características físicas e o estilo de vida de cada indivíduo.

 

Alimente-se melhor

 

• Faça quatro ou cinco refeições por dia, ao invés de uma ou duas refeições em grande quantidade.
• Tome um bom café da manhã, rico em fibras, proteínas (por exemplo, iogurte, queijo) e carboidratos (cereais e pão integral).
• Faça um lanche no meio da manhã e da tarde (fruta, barra de cereal e suco).
• Dê preferência a peixe, aves sem pele ou carne magra, pois estes alimentos são pobres em gordura.
• Elimine a manteiga, a margarina comum e a maionese de sua dieta. Prefira queijo branco ou iogurte natural, ambos são pobres em gordura e em calorias.
• Miúdos, frios, embutidos e mariscos devem ser consumidos com moderação, devido ao seu alto teor de colesterol e gordura.
• Prefira produtos integrais no lugar dos alimentos refinados.
• Beba muito líquido.
• Coma devagar, mastigue bem os alimentos e procure sentir bem seu sabor.
• Se precisar emagrecer, evite dietas “milagrosas”, que promovem rápida perda de peso. Procure emagrecer com saúde.

 

* Matéria publicada originalmente no Boletim Externo do Instituto Procardíaco

Poluição e Doenças Cardíacas

5 de novembro de 2009

Poluição e Doenças Cardíacas

 

O problema da poluição tem se tornado uma das mais graves ameaças à qualidade de vida da população. Os efeitos da poluição sobre o coração são mais evidentes em obesos, diabéticos, idosos, hipertensos e portadores de altos níveis de colesterol “ruim” ( LDL).

 

Um estudo do Incor comprovou que, em dias de pico de poluição atmosférica em São Paulo, os agentes de trânsito sofrem aumento de pressão arterial, arritmias espontâneas e aumenta a coagulabilidade do sangue. Outros levantamentos também indicaram que o trânsito congestionado duplica o risco de infarto dos motoristas e que 20% das mortes na cidade são aceleradas por causa da poluição. Em 1985, foi testado o envelhecimento das coronárias de animais de laboratório em cidades isentas da poluição e em São Paulo, e houve uma significativa diferença entre os grupos.

Em pesquisa publicada pela revista da American Heart Association, as evidências da associação tornaram-se mais expressivas. Os resultados do estudo, que envolveu 772 pacientes com infarto agudo do miocárdio na cidade de Boston, demonstraram que houve um aumento de 50% a 70% no risco de eventos cardíacos em dias de maior poluição do ar.

 

Pesquisas realizadas por patologista da USP comprovaram uma elevação de 12% nas mortes de idosos em dias de alto índice de poluição. A conclusão da equipe de Saldiva é clara: as mortes decorrentes da poluição custam US$ 1,5 bilhão à sociedade, por ano, praticamente o mesmo custo de uma linha de metrô. Estes achados servem de alerta as autoridades para fiscalizarem a emissão de poluentes pela frota. Limitar-se a constatar que 20% dos veículos emitem 60% da poluição, sem calcular o impacto da falta de fiscalização na saúde, impede medidas de maior controle Segundo o especialista, bastaria cobrar dos motoristas o cumprimento da lei que torna obrigatório o catalisador para poupar centenas de vidas.

 

A fuligem (fumaça preta) que encontramos no ar que respiramos, mantém-se suspensa na atmosfera e pode penetrar nas defesas do organismo, atingiros alvéolos pulmonares e ocasionar: mal estar, irritação dos olhos, garganta, pele, dor de cabeça, enjôo, bronquite, asma, câncer de pulmão.

Para evitar os efeitos dos poluentes sobre o coração, você deve:

  • Procurar evitar as vias de alto tráfego no seu deslocamento diário,

  • Não pratique a sua caminhada ao longo das avenidas.

  • Evite o exercício nos parques entre 10 da manhã até as 4 da tarde para fugir do pico de ozônio.

  • Beba bastante água nos dias de maior poluição.

  • Deixe o seu carro em casa e ande a pé pelas ruas de menor movimento.

  •  

  • Veja como você também pode colaborar com o meio ambiente:

 

• Use o seu carro preferencialmente para longas distâncias. Em distâncias curtas, caminhe ou use bicicleta 
• Quanto menos gasolina ou diesel você queimar, mais estará contribuindo para melhorar a qualidade do meio ambiente. Faça sempre a manutenção geral de seu carro e mantenha o motor bem regulado, consumindo menos combustível e poluindo menos o ar 
• Quando estiver parado ou em engarrafamentos intensos, desligue o motor do carro 
• Prefira veículos a álcool ou biocombustíveis 
• Deixe o carro na garagem um dia por semana. A cada quilometro rodado, um automóvel lança no ar 430 gramas de CO2, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Se você deixar seu carro em casa um dia por semana, considerando que seu percurso seja de 20 km, deixará de emitir por ano cerca de 440 kg de CO2 na atmosfera 
• Procure dar preferência ao transporte público em seus deslocamentos. Se não for possível, dê carona a seus vizinhos e colegas de trabalho. 

 

Fonte:

http://jornal.cardiol.br/2009

http://prevencao.cardiol.br/campanhas/meioambiente/DiaMundialdoMeioAmbiente.pdf

A importância da hidratação no verão por Diogo Andrade

21 de janeiro de 2011

Chegou o verão! Estação agradável e cheia de magia onde passo a observar um aumento bem expressivo dos praticantes de exercícios físicos. Por um lado é muito bom, porém seria ainda melhor se grande parte conseguisse manter de forma regular, pois o que na realidade eu quero  é fazer um alerta aos praticantes de exercício do verão quanto aos riscos que  podem estar expostos, caso não sigam algumas rotinas básicas de hidratação, vestimenta, horário adequado, duração dos exercícios, principalmente em se tratando dessa prática estando expostos ao sol.

 Um dos aspectos mais importantes do exercício realizado em temperaturas mais elevadas diz respeito à hidratação, pois hidratar corretamente é fundamental para um bom funcionamento do nosso corpo durante o exercício e em especial no verão, devido a temperatura mais elevada, pois os níveis de hidratação deficientes geram stress terríveis ao nosso organismo, como aumento severo da Pressão Arterial, da Freqüência Cardíaca, da temperatura corporal, causando ainda redução de eletrolítros, sais minerais indispensável para um bom funcionamento orgânico, em especial da nossa musculatura.

 

Um nível ótimo de hidratação só é mantido em pessoas ativas se as mesmas realizarem a ingestão de líquidos suficientes antes, durante e após o exercício físico, pois a perda de líquidos é determinada pelo o consumo, pela frequência da ingestão dos líquidos, pelo esvaziamento gástrico e pela absorção intestinal. 

 

 Então o que fazer? 

 

  • A hidratação deve ser feita antes do exercício físico, se preconiza 2 horas antes do inicio entre 250 ml a 600 ml;

  • Hidratar a cada 15 a 20 minutos de exercício;

  • Procurar se exercitar logo no início da manhã ou a noite;

  • Fazer ingestão não somente de água mais também de bebidas esportivas para que possibilite ao corpo repor não somente água e sim sódio e potássio;

  • Atentar para vestimenta, roupas com tecido leve, que facilitem a perda de calor pelo corpo e,

  • Fazer uso de óculos, bonés e filtro solar. 

Com isto, tento mostrar o quanto é importante a ingestão dos fluidos adequados nos momentos certos, possibilitando o desempenho esperado sem por em risco a sua saúde.

 

Prof. Esp. Diogo Andrade
Diretor Técnico da Triação Assessoria Esportiva

A Disciplina do Corredor por Diogo Andrade

23 de janeiro de 2011

Quando um técnico prepara uma planilha, não se trata de mera sugestão: é uma maneira de o corredor otimizar sua performance de forma segura. Ela é montada de maneira individualizada para atender às características do respectivo de corredor levando em consideração uma vasta estratificação, como histórico do exercício, nível de aptidão física e, logicamente, seus objetivos. Mas muitos praticantes não seguem à risca sua planilha de treinamento, por ignorar ou não dar valor à sua importância. Por trás de cada semana de treino (microciclo) existe uma vasta matemática para que se possa determinar o volume semanal, as intensidades dos esforços a serem aplicadas, as estimativas de demandas energéticas e a associação de determinados treinos, que levam em consideração o tempo de recuperação (6h, 24h ou 72h) e determinarão o mais importante: o tempo adequado do ciclo de supercompensação.

 

A disciplina “exagerada” do iniciante merece destaque. Empolgado com o novo esporte ele segue à risca tudo o que lhe é passado. Isso dá ao treinador total controle no treinamento – funda mental pata se atingir o rendimento de forma segura. Ao recebermos orientações no início, ele não nos questiona se pedirmos para treinar entre 6km/h e 7 km/h – é assim que será realizado. Se a ordem é descansar, ele descansará. O novato respeita o volume de treino determinado e é dessa maneira que conseguimos grandes resultados.

 

Com o decorrer dos anos, o corredor adquire maior experiência. Ele passa a conhecer melhor seu corpo, fica mais “ousado” e começa a perder uma das suas grandes virtudes, a disciplina do treino. Muitos começam a fazer tudo ao contrário. Se pedimos que treine 20 Km em ritmo leve, ele corre 15 Km forte. Se a orientação for realizar o treinamento entre 150 e 160 batimentos cardíacos, vai bem acima disso. Quando a ordem é manter o pace a 5 min/km, faz a 4 min30s/km – achando que esta será a melhor forma para otimizar o seu rendimento. Mas talvez não seja, pois o treino além do programado (e necessário) pode desencadear um processo de supertreinamento. O aumento das cargas das cargas de treino (volume x intensidade) de uma forma não gradual e progressiva acaba não contribuindo para a melhora da aptidão física.  Na verdade, o organismo entra num estado crítico de fragilidade, causados por esses excessos.

 

O que o corredor deve entender é que, no seu programa de treino tudo deve ser feito no momento certo, respeitando as respostas fisiológicas e anatômicas do seu corpo. Por isso, se as cargas de treino em algum momento são aumentadas, mantidas ou reduzidas pelo técnico, é importante que o atleta respeite. Se ultrapassar seus limites, além de não obter benefícios atléticos, ele acaba pondo em risco sua saúde.

Fica um recado para quem está começando. Mude tudo que precisar para aumentar seu rendimento, porém conforme for ganhando experiência, preserve sua disciplina de iniciante. Ela é de grande valia. Para os devoradores de treino, não façam o treinamento além do programado. Guardem seu (des) empenho máximo para as provas.

 

Diogo Andrade especializado em psicologia do exercício pela Universidade Gama Filho. É diretor técnico da Triação Assessoria Esportiva.

 

Texto publicado originalmente na Revista 02 - em novembro de 2010.

Perguntas e respostas sobre o iodeto de potássio (IK) e câncer de tireóide

21 de março de 2011

1 - Por que a glândula tireóide precisa de proteção especial depois de uma liberação de material radioativo?

 

Resposta: A glândula tireóide precisa de iodo para produzir os hormônios que regulam a energia do corpo e o metabolismo. A tireóide absorve o iodo disponível a partir do sangue. A glândula não consegue distinguir entre o iodo (regular) estável e iodo radioativo, e vão absorver tudo o que puder. Nos bebês e crianças, a glândula tireóide é uma das partes mais sensíveis a radiação do corpo. A maioria das explosões nucleares liberação de iodo radioativo. Quando as células da tireóide também absorver o iodo radioativo muito, ele pode causar câncer de tireóide. Bebês e crianças pequenas estão em maior risco. O risco é muito menor para as pessoas acima de 40 anos. O câncer de tireóide parece ser o único tumor, cuja incidência aumenta após um lançamento de iodo radioativo. IK protege apenas a tireóide, mas é o órgão que mais necessita de proteção.

 

2 - O que é IK?

 

Resposta: Iodeto de potássio (IK) é a mesma forma de iodo usada para iodar sal de mesa. IK cheias da tireóide com iodo, evitando assim que o iodo radioativo de ser absorvido. Se tomado na hora certa, IK protege a tireóide de iodo radioativo de todas as fontes - do ar, alimentos, leite e água. IK é um medicamento sem receita médica que podem ser comprados pela internet e em algumas farmácias. IK é feita em formas de comprimidos e líquidos. Devidamente embalados, a vida de prateleira do IK é pelo menos cinco anos e, eventualmente, enquanto 11 anos. Se acidentalmente tomar uma pílula muito velho, ele pode não funcionar totalmente, mas não vai te machucar.

 

3 - Qual é a prova de que IK funciona?

 

Resposta: Após o Chornobyl 1986 (anteriormente chamado de "Chernobyl"), acidentes nucleares, dos ventos soprou uma nuvem radioativa toda a Europa. Cerca de 3.000 pessoas expostas à radiação que já desenvolveram câncer de tireóide. A maioria das vítimas tinham sido bebês ou crianças pequenas que vivem na Ucrânia, Belarus ou Rússia, no momento do acidente. De acordo com um relatório da ONU divulgado em fevereiro de 2002, outros 8.000 para 10.000 pessoas expostas podem desenvolver câncer de tireóide nos próximos 10 anos. Polónia, imediatamente adjacente a Bielorrússia e a Ucrânia, distribuídos IK ao seu povo e não parece ter tido um aumento de câncer de tireóide.

 

4 - Quando o IK deve ser tomado?

 

Resposta: Tirada 6-12 horas antes da exposição ao iodo radioativo, IK preenche as células da tireóide e impede que a glândula de absorver o iodo radioativo. IK também é protetora, se tomadas dentro das primeiras horas após a exposição ao iodo radioativo. As pessoas devem tomar uma dose por dia, apenas enquanto eles estão sendo expostos ao iodo radioativo e um dia depois. IK deve ser usado apenas sob orientação das autoridades de saúde locais. Nem todos os libertação radioativa inclui o iodo radioativo que pode causar câncer de tireóide. Por exemplo, uma "bomba suja" não é susceptível de conter iodo radioativo porque tem uma meia-vida curta. (Uma "bomba suja" é uma bomba convencional misturado com material radioativo, e projetadas para explodir expelindo os isótopos radioactivos e contaminando uma grande área.) Apenas as autoridades de saúde pode determinar quais os isótopos radioativos são liberados durante um evento nuclear, e, se radioactivos iodo é liberado, quando tomar IK e quanto tempo de continuar a tomá-lo.

 

5 - Quem não deve tomar IK?

 

Resposta: Milhões de pessoas tomaram IK mas poucos efeitos colaterais graves têm sido relatadas. As únicas pessoas que não devem tomar IK são aqueles que tiveram uma reação alérgica ao iodo principais. Nas quantidades que o FDA recomenda, e para os poucos dias que os funcionários da saúde pública espera que as pessoas precisam IK, os pacientes com doença da tireóide pode seguramente tomar os comprimidos regularmente nas doses recomendadas. Durante uma emergência nuclear, o benefício IK supera de longe qualquer risco potencial. Adultos acima de 40 anos não precisam IK a menos que eles estão expostos a níveis extremamente elevados de iodo radioativo.Se tomada por tempo suficiente, IK pode causar hipotireoidismo temporário (glândula tireóide hipoativa). "Suficientemente longo" é diferente para cada pessoa. O tratamento prolongado pode tornar-se um problema grave para as crianças muito jovens. Essas crianças devem ser vistas mais tarde por um profissional de saúde. Pacientes com hipertireoidismo de Graves ou com nódulos tireoidianos autônomos funcionamento deve também ser visto.

 

6 - Por que se preocupar tanto sobre o câncer de tireóide, se a maioria das pessoas que sobrevivem?

 

Resposta: Em geral, 90% dos pacientes sobrevivem câncer de tireóide. Os tumores do pós-Chernobyl foram agressivos e têm sido incomum em que afetam as crianças menores de 10 anos de idade. Os sobreviventes do tumor da tiróide sempre permanecem em risco de recorrência e necessita de cuidados médicos ao longo da vida. Da mesma forma, as pessoas que foram expostas ao iodo radioativo do acidente de Chernobil, mas não desenvolveram câncer de tireóide permanecem em risco de vida e deve continuar a ser testadas. As demandas de testes regulares e cuidados para esta grande população está colocando uma carga pesada sobre os pacientes e sistemas de saúde.

 

7 - Como deve ser incorporada IK um plano de emergência em geral?

 

Resposta: IK é um complemento à evacuação, abrigando (permanecer em uma sala sem ventilação, com as portas e janelas fechadas), e evitar alimentos contaminados, leite e água. IK não devem tomar o lugar de qualquer outra medida de proteção.

 

8 - Não vai se ter a impressão que as pílulas dariam uma falsa sensação de segurança?

 

Resposta: Não é provável. As autoridades locais recomendam que as pessoas deixem a vizinhança de uma emergência nuclear o mais rápido possível. As pessoas estão sendo ensinadas que IK é apenas um suplemento para a evacuação.

 

9 - Por que perder tempo de tomar uma pílula, se você está sendo dito para evacuar?

 

Resposta: Porque libera nucleares são imprevisíveis, mas os engarrafamentos são susceptíveis de atrasar a evacuação rápida, as pessoas devem assumir as suas IK antes de evacuar, seguindo as instruções das autoridades de saúde locais.

 

10 - Por que oferecer IK às pessoas apenas dentro de 10 ou 20 milhas de uma planta? Não pode ser prejudicial radiação mais distante?

 

Resposta: Distribuição IK não deve ser limitada a 10 ou 20 milhas. Ninguém pode prever o quão longe uma nuvem de iodo radioativo podem se espalhar. Depois de Chernobil, maior do que o esperado taxas de câncer de tireóide foram encontrados mais de 200 quilômetros de distância da usina nuclear. Assim, ninguém pode prever o quão longe de uma central nuclear que os EUA deveriam distribuir IK se for para proteger todas as pessoas que possam estar expostas ao iodo radioativo. Porque não há nenhuma resposta correta, a American Thyroid Association recomenda três níveis de cobertura, determinada pela distância da usina nuclear:

 


 

Nível                             Distância da usina nuclear               Ação

1                                                    0-50 milhas                         Distribuir IK antecipadamente para cada família, com estoques extras armazenadas em centros de acolhimento de emergência.

2                                                 51-200 milhas                        Estoques IK no local equipamentos públicos como escolas, hospitais, clínicas, postos e estações de polícia e bombeiros, para distribuição, mediante notificação por autoridades de saúde locais.

3                                                  > 200 milhas                        Faça IK disponível a partir do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Farmacêuticos Nacional de Estoques.

 

Fonte: American Thyroid Association (ATA): www.thyroid.org

Cardiologia do esporte

29 de abril de 2011

 A falta de atividade física é fator de risco para doenças cardiovasculares, podendo contribuir para elevação do colesterol, obesidade, pressão alta e diabetes. 

Contudo, antes de praticar exercício físico é necessário fazer uma avaliação médica.

 

A cardiologia do esporte permite identificar potencialmente distúrbios cardiovasculares que, se não forem tratados, pode prejudicar o atleta. Sugere ainda opções de tratamento mais adequado, que permite uma permanência ativa no esporte.

.
Confira as atribuições do cardiologista do esporte

1- avaliação clínica e determinação da elegibilidade ("screening") cardiovascular de atletas para esporte;

2- acompanhamento clinico de atletas com diagnóstico ou histórico de cardiopatia;

3- orientação e acompanhamento na reabilitação cardiovascular;

4- interface com equipe multiprofissional (educador físico, nutricionista, dentre outros profissionais da área de saúde).

5- realização de teste de esforço cardiopulmonar (ergoespirometria).

 

Após uma avaliação especializada, inicie uma atividade física e tenha uma vida mais saudável. Se você já pratica exercícios, não deixe de marcar avaliações periódicas.

 

A prática da atividade física diminui o risco de doença arterial coronária

31 de outubro de 2011

Estudo publicado em 2011 na revista Circulation da Sociedade Americana de Cardiologia, realizado pelos médicos Sattelmair, Pertman, Ding, dentre outros, conclui que os benefícios do exercício físico na prevenção primária e secundária de doença arterial coronária são bem estabelecidos. A relação exata entre a quantidade de exercício e seus efeitos na prevenção dessas doenças, entretanto, ainda é incerta. 

O estudo em questão teve como objetivo determinar a quantidade de atividade física necessária para diminuir o risco de doença arterial coronária, analisando a relação de dose de atividade física realizada e a resposta que se obtinha com as respectivas doses. 
 

O método utilizado foi o da meta-análise, que incluiu estudos epidemiológicos para investigar a relação da atividade física com a prevenção primária de doença arterial coronária. Depois de analisar 3.194 resumos de testes realizados com pacientes voluntários, os autores incluíram 33 estudos que acompanharam estes indivíduos quanto ao risco de ocorrência de eventos, todos publicados em língua inglesa no banco de dados MEDLINE, desde 1995. Entre os 33 estudos inicialmente selecionados, nove permitiram estimativas quantitativas da atividade física praticada como lazer.

Os resultados mais significativos obtidos no estudo indicam de 150 a 300 minutos de exercício físico por semana, observando que dentro dessa faixa, quanto maior a quantidade menos risco de eventos coronarianos, conforme pode se notar nos exemplos a seguir:

 

- Os indivíduos que praticaram o equivalente a 150 minutos por semana de atividade física de moderada intensidade apresentaram redução de 14% na incidência de eventos coronarianos em comparação com aqueles que não praticaram nenhuma atividade física.

 

- Aqueles que praticaram o equivalente a 300 minutos por semana de atividade física apresentaram com o mesmo nível de intensidade tiveram uma redução de 20% no risco de doença arterial coronária.

 

Vale observar que os indivíduos fisicamente ativos, porém em níveis mais baixos do que a quantidade mínima recomendada, que é de 150 minutos por semana de atividade física de moderada intensidade, também tiveram risco significativamente menor de doença coronariana.

 

Outra questão importante é que o benefício parece seguir uma relação contínua e linear. Ou seja, aqueles que dedicaram tempo ainda maior para a prática de atividades físicas, em torno de 750 minutos por semana de exercício moderado, apresentaram uma redução de 25% no risco de doença arterial coronária.

 

Os benefícios com referência a dose de exercício físico, segundo o estudo pode ser conferido na tabela abaixo:

 

DOSE DE ATIVIDADE FÍSICA                             BENEFÍCIO

150 minutos de atividade moderada              14% de redução de risco de eventos coronarianos

300 minutos de atividade moderada              20% de redução de risco de eventos coronarianos

750 minutos de atividade moderada              25% de redução de risco de eventos coronarianos

 

Além disso, os autores identificaram que os benefícios cardiovasculares do exercício foram mais proeminentes em mulheres que nos homens, dado ainda sem explicação plausível. Também houve um benefício adicional quando comparado intensidade alta de exercício versus baixa intensidade.

A conclusão do estudo, portanto, indica que "qualquer atividade física é melhor do que nada", e que os "benefícios adicionais ocorrem com maior quantidade de exercício", desde que não se ultrapasse as doses e a intensidade de atividades físicas recomendadas por um médico, através de avaliação cardiovascular prévia.

Os benefícios da atividade física na prevenção de doenças cardiovasculares são conhecidos há algumas décadas. Esse estudo, entretanto, ganha relevância porque pela primeira vez se utilizou a metodologia da meta-análise para avaliar especificamente a relação dose-resposta entre atividade física e redução do risco de doença arterial coronária.

 

As principais limitações do estudo se referem a falta de dados suficientes para analisar o efeito da idade em que se inicia a prática de atividade física, ou ainda se haveria diferenças étnicas nos resultados. Outra questão é que a definição de doença arterial coronária entre os estudos selecionados também não foi uniforme.


No entanto, esta é mais uma demonstração que deve incentivar todos os médicos que trabalham com prevenção primária a estimular não só a prática de atividade física, mas que o indivíduo dedique o maior tempo possível, dentro das doses para ele prescritas, na semana para o mesmo.

Dia Nacional de Combate ao Colesterol

27 de outubro de 2011

Aproveite a data para mudar de vida

 

Seja o que você come, a promessa eterna da matrícula na academia, o aposento do cigarro ou o controle da cervejinha, mesmo aquela de fim de semana: o assunto é muito mais sério do que você pensa. Isso porque as doenças provocadas pelo excesso de colesterol estão entre as maiores causas de morte no Brasil.

 

Antes de mais nada, é preciso entender do que se trata. O colesterol é uma substância que faz parte do nosso organismo, um tipo de gordura no sangue que é naturalmente produzida pelo fígado. Ele também chega ao nosso corpo por meio daquilo que comemos. O corpo precisa do colesterol para algumas funções, como formar a membrana de algumas células, produzir hormônios, vitamina D e também a bile.

 

O problema é que, quando seus níveis estão altos, há o risco de algumas complicações como a formação de placas de gordura dentro dos vasos (arteriosclerose) o que pode obstruí-los, levando ao infarto ou derrame. Todo dia 8 de agosto, a Sociedade Brasileira de Cardiologia está atenta para alertar o maior número de pessoas em relação ao colesterol.

 

Uma coisa importante, a saber: existe um colesterol bom, que é o HDL. Ele circula pelo nosso sangue ligado às liproteínas de alta densidade. São essas proteínas que transportam o colesterol em excesso da corrente sanguínea para o fígado, onde será catabolizado. Então, esse colesterol protege as artérias, evitando a formação de placas de gordura, o que reduz o risco de doenças cardíacas.

Mas, se o HDL estiver baixo, acontece exatamente o inverso, as complicações cardiovasculares aumentam, principalmente se o paciente for portador também de diabetes, hipertensão ou obesidade. O ideal é que o HDL para mulheres seja maior que 50 mg/dL e para homens maior que 40 md/dL.

 

Existe também o chamado colesterol ruim, que é o LDL, que está ligado a liproteínas de baixa densidade. Essas liproteínas fazem o caminho inverso e levam o colesterol do fígado para a corrente sanguínea que, então, se acomoda nos órgãos e nos tecidos, principalmente nas artérias. São os altos índices de LDL que provocam a formação da placa de gordura que pode obstruir artérias e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

 

Quem está com o colesterol total baixo não deve se preocupar, pois estará protegido contra arteriosclerose. Se estiver usando remédio, são necessárias visitas periódicas ao médico para verificar possíveis efeitos colaterais, checar taxas de fígado e musculatura.

 

A doença mais comum e mais temida relacionada ao aumento do colesterol ruim é a arteriosclerose, ou seja, o acúmulo de gordura nas artérias, que pode envolver as coronárias, as carótidas, as artérias do cérebro, as das pernas e as renais. As consequências são muito ruins: angina, infarto, derrame cerebral, demência, dores nas pernas, piora da hipertensão e insuficiência renal.

 

De modo geral, é indicado que todas as pessoas, a partir dos 20 anos, tenha medido seu colesterol, e repetindo esse processo a cada cinco anos. O cuidado deve ser ainda maior se houver histórico do problema na família. Nesse caso, convém fazer a medição ainda mais cedo, com uma frequência maior. De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, mais da metade dos brasileiros nunca havia feito a medição do colesterol. Boa parte dos entrevistados nem sequer sabia da existência de um colesterol bom e outro ruim.

“A mulher que fuma terá ainda um maior risco de complicações, portanto, quanto mais cedo interromper esse vício, melhor”.

As crianças necessitam uma atenção especial quanto aos riscos relacionados à elevação do colesterol. Geralmente, o colesterol alto em crianças e adolescentes está associado à obesidade, que juntos, podem precipitar a hipertensão e ateriosclerose. Esse estilo de vida cheio de salgadinho, biscoito recheado, hambúrguer e apatia na frente da televisão ou do computador é muito preocupante.

As mulheres tendem a aumentar o colesterol na fase da menopausa, o que está ligado ao  estrógeno, o hormônio feminino. Particularmente, nessa fase, começa a aumentar o risco de doenças cardiovasculares e, por isso, o controle do colesterol se torna muito importante. Dieta, exercício e, quando necessário, medicação para colesterol, deverão ser utilizados no tratamento. A mulher que fuma terá ainda um maior risco de complicações, portanto, quanto mais cedo interromper esse vício, melhor.

“As mulheres tendem a aumentar o colesterol na fase da menopausa, o que está ligado ao  estrógeno, o hormônio feminino. Particularmente, nessa fase, começa a aumentar o risco de doenças cardiovasculares”.

 

Nos idosos, o colesterol também deve ser investigado e cuidado. Muitas vezes pode estar relacionado a problemas da tireóide ou associado com diabetes. Os hábitos alimentares saudáveis e a medicação são igualmente importantes e seu controle reduz as complicações cardíacas e cerebrais, também nessa faixa etária, não devendo ser negligenciado.

 

Uma coisa muito importante a ser dita é que o colesterol alto não apresenta sintomas. Ou seja, não existe um aviso, a pessoa simplesmente pode estar com o organismo comprometido e nem ao menos ter essa noção. Isso é muito prejudicial e só vai se acumulando ao longo dos anos. Tratar do colesterol é, portanto, um investimento que a gente faz em nossa saúde a longo prazo.

 

Sobre as mudanças de vida, vamos lá. Uma das mais importantes é a tão falada reeducação alimentar. A recomendação é reduzir o alimento de origem animal, como carne gordurosa, especialmente vísceras e seus derivados, além de linguiça, salsicha, salame, presunto, pele de aves e frutos do mar, como camarão, ostra e marisco. Deve-se evitar também as frituras, os óleos, manteiga, leite de coco e azeite de dendê. Fácil não é, mas essa rigidez deve ser observada em cada caso. A idade conta, assim como no caso de pessoas portadoras de diabetes, hipertensão  e obesidade.

O que vai ajudar muito nessa hora é a prática de uma atividade física, que deve ser iniciada com a orientação de um médico. Para ser mais efetivo, o exercício deve ser feito de forma regular, pelo menos quatro vezes na semana e com duração mínima de quarenta minutos. As atividades aeróbicas agem, tanto na melhora do metabolismo como na aptidão cardiorespiratória (ajudam você a respirar melhor) e, de quebra, ainda te fazem perder peso.

 

Escolha fazer aquilo que gosta e que se adeque as suas possibilidades. Alguns bons exemplos são caminhadas, bicicleta, esteira, corridas e natação. Para obter resultado, além do exercício, voltamos ao tema da dieta saudável. É preciso fazer algumas trocas no dia a dia, já que parte do colesterol vem da absorção gastrointestinal do alimento. Boas escolhas incluem frutas, verduras e fibras. Procure consumir leite e iogurte desnatados, queijo branco (ricota, frescal ou cottage) e opte por peixe, carne magra e frango sem pele. Tudo deve ser preparado sem gordura. Em lugar de fritar, cozinhe, asse ou grelhe.

 

No que diz respeito ao óleo, escolha os vegetais, como azeite de oliva, canola, milho e girassol. Esses alimentos fazem parte de uma dieta saudável e também ajudam no controle do colesterol. Para ter menos colesterol no sangue, então, é vantagem trocar o óleo composto de gordura saturada, que ajuda no perfil lipídico mais favorável e pode até aumentar o HDL, o colesterol bom. Aposte neles para as suas receitas e esqueça a banha e a manteiga. Por mais saborosas que sejam, são muito prejudiciais. Quer um outro exemplo? O farelo de aveia, que é rico em fibras solúveis, por reduzir o tempo do trânsito gastrointestinal, diminui a absorção do colesterol.

 

Artigo publicado originalmente no iBahia: http://www.isaudebahia.com.br/noticias/detalhe/noticia/dia-nacional-de-combate-ao-colesterol/

 


 

É melhor correr na rua ou na esteira? Por Diogo Andrade

5 de dezembro de 2011

Muitos se questionam: se a esteira é igual à rua; se gera o mesmo consumo de energia, ou seja, o gasto calórico; se desencadeia vícios de postura inadequados; se é mais confortável do ponto de vista de temperatura. Vou tentar apontar os benefícios que tanto a rua quanto a esteira geram.

A esteira, por mais que digam ao contrário, é muito boa para o praticante iniciante, pois, como nós sabemos, ela apresenta um sistema de amortecimento, que ajuda a atenuar o impacto, gerado durante a corrida, sobre as articulações do praticante, sendo também uma ótima aliada para o corredor que está se recuperando de alguma lesão.

 

A esteira é uma boa aliada também para se manter os treinos em dia, pois não há interferências climáticas, como chuva e ventos fortes.

 

Na esteira, é mais fácil corrigir a postura e o movimento esportivo.

Para aqueles corredores que não possuem aparelhos para monitorar seu treino, a esteira possibilita isto, pois aparece, em todo momento, a relação velocidade, distância e batimentos cardíacos.

Porém, a esteira pode viciar e diminuir os reflexos próprios da corrida na rua, podendo trazer problemas para o praticante no momento em que ele for correr na rua.

A esteira, para muitos praticantes, é monótona, levando os corredores a não conseguirem realizar seu treinamento.

 

Apesar de atualmente, alguns corredores de rua realizarem a maior parte de seus treinos na esteira, acredito que é indispensável que seja feito o contrário, devido à especificidade que a rua vai gerar a este praticante.

 

Acho interessante que este tipo de praticante só inclua, no máximo, dois dos seus treinos na esteira, caso faça cincos treinos por semana.

 

Portanto, caros amantes da corrida, o que acho melhor a ser feito é procurar mesclar o seu treino com momentos na esteira e momentos na rua baseado em tudo que foi dito acima.

 

Diogo Andrade especializado em psicologia do exercício pela Universidade Gama Filho. É diretor técnico da Triação Assessoria Esportiva.